4.3.26

Corrupção de Bolsonaro e Campos Neto

 

Gleisi: operação da PF contra Vorcaro expõe corrupção de Bolsonaro e Campos Neto. Ministra aponta envolvimento de ex-dirigentes do Banco Central nomeados nas gestões de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto

04 de março de 2026, 13:51 h

         Roberto Campos Neto e Gleisi Hoffmann

Roberto Campos Neto e Gleisi Hoffmann (Foto: José Cruz/Agência Brasil | Antonio Cruz/Agência Brasil)

Conteúdo postado por: Guilherme Levorato

247 - A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), destacou nesta quarta-feira (4) que a operação da Polícia Federal relacionada à chamada Operação Compliance Zero expõe um esquema de corrupção envolvendo integrantes do Banco Central durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e a gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária.

A declaração foi publicada nas redes sociais da ministra após a operação policial autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça contra a organização criminosa que orbitava o Banco Master. A ação teve como alvos centrais os servidores do Banco Central e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, além de seu cunhado, Fabiano Zettel.

Acusação

Na publicação, Gleisi Hoffmann afirmou que a operação revela corrupção dentro do Banco Central durante o governo Bolsonaro. “A operação de hoje da Polícia Federal expôs definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master”, escreveu a ministra.

Ela ressaltou que dois servidores que ocuparam cargos relevantes na autarquia durante esse período teriam atuado em favor do banqueiro investigado. “O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por Campos Neto, Belini Santana, recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do Master, de acordo com a investigação”, afirmou.

A ministra também questionou a atuação do então presidente do Banco Central diante das irregularidades apontadas pela investigação. “Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”, escreveu.

Servidores do Banco Central citados na investigação

A decisão judicial do STF descreve a atuação de dois servidores do Banco Central que teriam mantido interlocução direta com o controlador do Banco Master.

Segundo o documento, Paulo Sérgio Neves de Souza, que ocupava o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), prestava consultoria informal ao empresário, oferecendo orientações estratégicas sobre processos administrativos envolvendo a instituição financeira.

De acordo com os autos, o servidor também teria sugerido abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes da autarquia reguladora e revisado previamente documentos que seriam enviados ao próprio Banco Central.

A decisão afirma ainda que Paulo Sérgio atuava como interlocutor interno dos interesses do Banco Master dentro da autarquia, fornecendo informações sobre procedimentos em andamento e indicando estratégias para lidar com questionamentos regulatórios.

Outro servidor citado na investigação é Belini Santana, que exercia a função de chefe do Departamento de Supervisão Bancária.

Segundo a decisão, ele também mantinha contato frequente com Vorcaro e participava de discussões sobre temas relacionados à situação regulatória do banco.

O documento relata que Belini revisava previamente documentos que seriam enviados ao Banco Central e participava de reuniões privadas com o empresário para discutir estratégias institucionais da instituição financeira.

Pagamentos e contratos simulados

De acordo com a decisão judicial, a investigação aponta indícios de que os dois servidores receberam vantagens indevidas associadas às atividades desenvolvidas em favor do Banco Master.

Os pagamentos teriam sido realizados por meio de estruturas destinadas a ocultar a origem dos recursos, incluindo contratos simulados de consultoria intermediados por empresas utilizadas pelo grupo investigado.

A decisão também menciona conversas entre integrantes da organização sobre a realização desses pagamentos e a necessidade de utilizar intermediários para ocultar a origem do dinheiro.

Diante desses elementos, o STF determinou medidas cautelares contra os dois servidores, incluindo suspensão do exercício da função pública, proibição de acesso às dependências do Banco Central e monitoração eletrônica.

Estrutura da organização criminosa

Segundo a investigação da Polícia Federal, o grupo liderado por Daniel Vorcaro atuava com divisão estruturada de tarefas e possuía diferentes núcleos operacionais.

Entre eles estavam um núcleo financeiro responsável pelas operações bancárias investigadas, um núcleo de corrupção institucional voltado à cooptação de servidores públicos, um núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro e um núcleo de intimidação e monitoramento de adversários.

A decisão judicial também descreve a existência de uma estrutura informal conhecida como “A Turma”, que realizaria atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de pessoas consideradas adversárias do grupo.