19.4.26

Bolsomaster: o escândalo atinge o coração da direita Editoriais

                  Ibaneis Rocha e Paulo Henrique Costa

                 Ibaneis Rocha e Paulo Henrique Costa

Bolsomaster: o escândalo atinge o coração da direita

A prisão de Paulo Henrique Costa leva a Ibaneis Rocha e pode atingir também Flávio Bolsonaro

19 de abril de 2026, 05:04 h

A prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, abre um novo episódio na crônica de falcatruas encenada em torno do Banco Master.

PH, como é conhecido, está agora no complexo penitenciário da Papuda. Antes do comandante supremo da organização, ele é o último elo da cadeia de interesses responsável pelo rombo no banco, estimado em mais de 60 bilhões de reais, o maior da história do país.

Partiu da Globo a manobra do PowerPoint que buscava implicar Lula e o PT. Ela naufragou, explicitando que mais uma vez há interesses dispostos a tudo para impedir nova vitória de Lula e do PT nas eleições.

O caminho das responsabilidades que vêm sendo apuradas pelo Supremo Tribunal Federal e pela Polícia Federal conduz ao sentido oposto.

As investigações indicam na direção do chefe de PH, o ex-governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, apoiador de Jair Bolsonaro. Apontam ainda para o ex-presidente golpista Michel Temer, que indicou PH ao cargo. Relacionam na lista dos beneficiários da farra o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República.

Para entender a gravidade do que está em jogo, é preciso seguir o rastro do empréstimo do BRB a Flávio — e, neste caso, ele leva à mansão de 6 milhões de reais (há avaliações de que, na verdade, o imóvel vale 14 milhões) no Lago Sul, em Brasília.

Foi para adquirir esse imóvel de luxo que Flávio Bolsonaro obteve crédito com taxas e volume sem garantias. O senador, que construiu sua carreira política na esteira do discurso antipetista e de combate à corrupção, recebeu um tratamento diferenciado de um banco público cujo presidente havia sido indicado justamente por Michel Temer.

E onde entra Ibaneis Rocha nessa engrenagem? Como governador do Distrito Federal à época, ele dificilmente não tinha conhecimento da compra de carteiras de crédito fraudulentas, estimadas em R$ 12 bilhões, originadas pelo banco de Daniel Vorcaro. O investimento simplesmente virou fumaça na teia de fraudes que agora começa a ser desmontada pela Justiça. Ibaneis chancelou a nomeação do indicado de Temer. As fraudes e favorecimentos se deram à custa do roubo das pensões de funcionários que trabalharam durante décadas para o Distrito Federal.

É preciso chegar ao cabeça da organização existente na conexão entre o Banco Master e o BRB. Para isso, os investigadores contam com uma provável delação premiada de PH.

Há, porém, um contraponto necessário. O Banco Central, sob a presidência de Gabriel Galípolo — nomeado pelo presidente Lula —, e o Ministério da Fazenda de Fernando Haddad agiram com lisura exemplar. Foi Galípolo quem barrou a operação de compra do Master pelo BRB, uma manobra que teria transferido ao contribuinte um ativo falido, criando um prejuízo bilionário ao país.

O mesmo Banco Central, alinhado ao comando ético de Lula, decretou a intervenção extrajudicial no Banco Master, evitando um colapso financeiro sistêmico. Sem essa atitude firme, o estrago seria incomensuravelmente maior.

Sob o governo de Ibaneis, o BRB transformou-se em balcão de negócios privados da elite política. As investigações apontam para ramificações do escândalo em vários estados, atingindo parlamentares ligados ao Centrão e governadores bolsonaristas.

Ibaneis vem oscilando entre o silêncio e a defesa de Vorcaro. Não há explicação para o fato de ele ainda seguir solto diante das evidências de sua ascendência sobre o esquema. É questão de tempo.

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

 

 

18.4.26

O Povo Brasileiro bomba na China

 Livro de Darcy Ribeiro bomba na China. Versão chinesa de ‘O Povo Brasileiro’ entra para os mais vendidos poucos dias após lançamento

18 de abril de 2026, 10:59 h

     Versão chinesa de 'O Povo Brasileiro', de Darcy Ribeiro

Versão chinesa de 'O Povo Brasileiro', de Darcy Ribeiro (Foto: Reprodução/X/@ShiIsabela)

Conteúdo postado por: Guilherme Levorato

247 - A versão chinesa de O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, entrou na lista de novidades mais vendidas em um dos principais sites de livrarias online da China poucos dias após o lançamento. O desempenho da obra evidencia o interesse do público chinês pela diversidade cultural, social e histórica do Brasil, tema central do livro.

A reportagem é da jornalista Isabela Chi, que destaca o impacto da publicação no mercado editorial chinês e seu papel no fortalecimento das relações culturais entre os dois países. O lançamento oficial ocorreu em 9 de abril, em Pequim, com a presença de autoridades e representantes do setor cultural.

Durante a cerimônia, o embaixador do Brasil na China, Marcos Galvão, ressaltou a relevância da obra para compreender o país. Segundo ele, o livro ajuda a explicar como o Brasil, apesar de sua diversidade racial, cultural e geográfica, mantém uma identidade nacional coesa.

Em mensagem em vídeo, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a importância da publicação no contexto do Ano Cultural China-Brasil 2026. Ela manifestou a expectativa de que a obra estimule novas reflexões e conexões entre os dois países.

O presidente da Fundação Darcy Ribeiro, José da Cunha, afirmou ter se emocionado com o lançamento, resultado de cerca de dois a três anos de trabalho. A iniciativa envolveu esforços conjuntos de diferentes setores da sociedade brasileira e chinesa.

A edição chinesa foi publicada pela Blossom Press, que tem como objetivo apresentar de forma sistemática o pensamento latino-americano ao público local. A proposta editorial busca ampliar o acesso a conteúdos que ajudem a compreender melhor a região.

Responsável pela tradução, Yan Qiaorong, professora de português com duas décadas de experiência, explicou que adaptou o texto com base no retorno de seus alunos. O objetivo foi tornar a leitura mais fluida e acessível, especialmente para jovens chineses interessados no Brasil.

Ela destacou ainda a importância do intercâmbio cultural no cenário atual. “Agora a China tem essa iniciativa de diálogo de civilizações, e para estabelecer esse diálogo, a primeira fase é quebrar a barreira de entendimento”, afirmou. Segundo a tradutora, o aprofundamento do conhecimento mútuo é essencial para fortalecer a relação entre os países.

A antropóloga brasileira Gisele Moreira, colaboradora de Darcy Ribeiro e participante do processo de elaboração da obra, também tem contribuído para a difusão do livro. Ela vem realizando palestras em universidades de Pequim e Xangai, apresentando a estudantes chineses os conceitos centrais do trabalho.

Considerado um dos principais estudos sobre a formação da sociedade brasileira, O Povo Brasileiro foi desenvolvido ao longo de cerca de 30 anos por Darcy Ribeiro. O interesse recente do público chinês reforça a relevância contemporânea da obra e amplia sua projeção internacional.

 

17.4.26

Dilma dez anos depois

 Dez anos depois, Dilma está firme e de pé – e os golpistas desmoralizados. Golpeada pelos políticos mais inescrupulosos do País, ela hoje escreve um capítulo importante da construção do mundo multipolar

17 de abril de 2026, 05:52 hAtualizado em 17 de abril de 2026, 05:54 h

             A presidenta do NDB, Dilma Rousseff, durante a plenária da COP

A presidenta do NDB, Dilma Rousseff, durante a plenária da COP (Foto: Paulo Mumia/COP30)

Dez anos depois da sessão que marcou o golpe de Estado contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, a história começa já foi reescrita não apenas pelos fatos, mas pela força incontornável da realidade. O tempo, juiz implacável, tratou de reposicionar personagens, desmontar farsas e expor as motivações que estavam por trás de um dos episódios mais sombrios da democracia brasileira.

Dilma Rousseff, a vítima central daquele processo, não apenas resistiu ao julgamento distorcido da história imediata, como se reergueu em uma dimensão ainda maior. Hoje, à frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco dos BRICS, em Xangai, ela ocupa uma posição estratégica no momento mais decisivo da geopolítica contemporânea: a transição para um mundo multipolar.

Em um cenário de declínio relativo do poder unipolar dos Estados Unidos e de fortalecimento de novos polos econômicos e políticos, o NDB surge como instrumento concreto de financiamento ao desenvolvimento fora das amarras tradicionais impostas por instituições como o FMI e o Banco Mundial. Dilma, nesse contexto, tornou-se uma das vozes mais relevantes na defesa de um novo paradigma global, baseado em soberania, cooperação e desenvolvimento compartilhado.

Enquanto isso, os arquitetos do golpe seguem uma trajetória inversa — a da desmoralização pública e histórica.

O PSDB, que durante décadas se apresentou como uma alternativa de poder no Brasil, foi praticamente destruído a partir da aventura política liderada por Aécio Neves. Incapaz de aceitar o resultado das urnas em 2014, Aécio abriu as portas para uma escalada de radicalização que culminaria no impeachment sem crime de responsabilidade. O partido que no passado foi protagonista da política nacional transformou-se em uma legenda residual, sem identidade e sem relevância.

Eduardo Cunha foi o símbolo mais acabado do submundo da política que tomou o centro do palco naquele período. Foi ele quem conduziu a sessão infame de 17 de abril de 2016, operando o processo com motivações pessoais e interesses nada republicanos. Sua posterior prisão e condenação por corrupção apenas confirmaram o que já era evidente: o golpe foi articulado sob a liderança de personagens comprometidos com o crime.

Michel Temer, que assumiu a presidência após a queda de Dilma, também não escapou do desgaste histórico. Seu governo, marcado por medidas impopulares e pela implementação de uma agenda regressiva, o transformou num dos políticos mais impopulares da história do País, ainda que apreciado pela Faria Lima. Sua trajetória agora pode ganhar novos contornos à luz de investigações recentes envolvendo o banco Master, que começa a revelar conexões perigosas entre o sistema financeiro e figuras do poder político.

O contraste não poderia ser mais eloquente. De um lado, uma líder política que foi afastada sem crime comprovado, mas que retorna ao centro do cenário global como protagonista de uma nova ordem internacional. De outro, os responsáveis por sua queda, cada vez mais associados a práticas condenáveis, derrotas políticas e irrelevância histórica.

A história, afinal, não absolve arbitrariedades. Ela as expõe.

Dilma Rousseff está de pé. E mais do que isso: está no lugar certo, na hora certa, contribuindo para a construção de um mundo mais equilibrado, onde países em desenvolvimento possam trilhar seus próprios caminhos sem tutelas externas.

Já os golpistas, dez anos depois, enfrentam o destino que costuma ser reservado àqueles que conspiram contra a democracia: o da desmoralização e da lata de lixo da História.

Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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13.4.26

Não tenho medo do governo Trump

 "Não tenho medo do governo Trump", rebate Papa Leão XIV. Papa Leão XIV afirma que seguirá defendendo a paz e o diálogo internacional após críticas do presidente dos Estados Unidos

13 de abril de 2026, 07:01 h

               Papa Leão 14 fala com jornalistas sobre guerra contra Irã -  7 de abril de 2026

Papa Leão 14 fala com jornalistas sobre guerra contra Irã - 7 de abril de 2026 (Foto: Guglielmo Mangiapane)

Conteúdo postado por: Guilherme Levorato

247 - O Papa Leão XIV respondeu às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que não teme o governo norte-americano e que seguirá defendendo a paz e o diálogo internacional, destacando que sua missão está centrada nos valores do Evangelho e não em disputas políticas. A declaração foi feita durante voo para a Argélia.

O pontífice falou a jornalistas enquanto se deslocava de Roma para a África e reagiu diretamente às críticas feitas por Trump em uma publicação nas redes sociais. O presidente norte-americano havia classificado o Papa como “liberal demais” e questionado sua atuação.

Durante a conversa com a imprensa, Leão XIV foi enfático ao afirmar: “Não tenho medo do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, que acredito ser o que estou aqui para fazer, o que a Igreja está aqui para fazer”. Ele também ressaltou a diferença entre o papel da Igreja e o da política institucional: “Não somos políticos, não lidamos com assuntos externos sob a mesma perspectiva que ele pode compreender, mas acredito na mensagem do Evangelho como promotor da paz”.

O Papa também evitou ampliar o confronto direto com o líder americano. Em declaração à agência Reuters, afirmou: “Não quero entrar em um debate com ele”. Na mesma linha, criticou o uso indevido da mensagem cristã: “Não acredito que a mensagem do Evangelho deva ser usada de forma indevida como algumas pessoas estão fazendo”.

Reforçando seu posicionamento, Leão XIV destacou que continuará atuando contra conflitos armados e em defesa da cooperação internacional. “Vou continuar me posicionando de forma firme contra a guerra, buscando promover a paz, incentivando o diálogo e relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”, disse.

Ao abordar o cenário global, o pontífice chamou atenção para o sofrimento causado por guerras: “Muitas pessoas estão sofrendo no mundo hoje. Muitas pessoas inocentes estão sendo mortas. E acredito que alguém precisa se levantar e dizer que há um caminho melhor”

Ele concluiu reafirmando a essência de sua atuação religiosa: “A mensagem da Igreja, a minha mensagem, a mensagem do Evangelho: bem-aventurados os pacificadores. Não vejo meu papel como político, como um homem político”.

As declarações do Papa ocorrem após críticas públicas de Donald Trump. Em postagem na rede Truth Social, o presidente afirmou que Leão XIV deveria ser “grato” por sua eleição e sugeriu que sua escolha teria sido influenciada pela nacionalidade americana. Trump também declarou a jornalistas que “não é um grande fã” do pontífice, classificando-o como “muito liberal” e questionando suas posições sobre segurança e política internacional.

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9.4.26

Lindbergh detona Galípolo

 Lindbergh detona Galípolo: tentou blindar Campos Neto

De acordo com o deputado, o controle interno do Banco Central falhou e diz que investigação externa rompeu suposta blindagem

08 de abril de 2026, 18:49 h

Lindbergh Farias, Gabriel Galípolo e Roberto Campos Neto

Lindbergh Farias, Gabriel Galípolo e Roberto Campos Neto (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados I Adriano Machado / Reuters)

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, de atuar para proteger Roberto Campos Neto em meio às investigações relacionadas ao caso do Banco Master. A declaração foi feita nesta quarta-feira (8) em publicação nas redes sociais.

As críticas foram divulgadas publicamente pelo parlamentar, que reagiu a declarações de Galípolo sobre a ausência de responsabilização interna do ex-presidente do Banco Central. O posicionamento reforça o debate político sobre a condução das apurações envolvendo a instituição financeira.

Na avaliação de Lindbergh, a postura de Galípolo indica fragilidade nos mecanismos internos de controle. “Ao afirmar que não existe auditoria, sindicância ou conclusão interna que aponte responsabilidade do ex-presidente do Banco Central, ele (Galípolo) demonstra que o controle interno é insuficiente e pode servir de escudo para proteger quem comandava a instituição quando decisões e omissões favoreceram o ambiente em que o caso Master prosperou”, escreveu.

O deputado também questionou a eficácia das investigações internas do Banco Central. Segundo ele, apenas essas apurações não seriam suficientes para responsabilizar envolvidos. “se dependesse apenas das auditorias e sindicâncias internas do Banco Central, Paulo Sérgio e Beline Santana, servidores do BC com chefia na área de supervisão bancária, indicados por Roberto Campos Neto e que colaboraram com as fraudes no Master, não estariam de tornozeleira eletrônica”.

Lindbergh afirmou ainda que Campos Neto recebeu alertas de diferentes instituições e não adotou medidas efetivas. “Roberto Campos Neto recebeu inúmeros alertas do Fundo Garantidor de Créditos, da Febraban e até questionamentos formais da Polícia Federal, e a resposta institucional foi sempre a mesma: apuração preliminar, nenhuma ilegalidade e preservação da cúpula. Foi na gestão de Roberto Campos Neto, em outubro de 2023, que foi editada norma sobre precatórios, permitindo que o Banco Master não ajustasse seu balanço e que evitou a intervenção, apesar de alertas sobre riscos de liquidez”, declarou.

O parlamentar destacou que o avanço das investigações ocorreu fora do âmbito do Banco Central. “A investigação que realmente rompeu essa blindagem veio de fora. É a investigação externa, com independência, poder de polícia e capacidade de responsabilização, que consegue enfrentar o corporativismo e seguir a trilha dos fatos”.

Por fim, Lindbergh informou que tomou medidas para ampliar as apurações. “Por isso, ingressei com várias representações na Polícia Federal para avançar na apuração sobre a blindagem de Roberto Campos Neto, sobre os atos que favoreceram o Banco Master e sobre a rede de decisões, omissões e proteções que operou dentro do Banco Central”.

 

 

6.4.26

Irã rejeita proposta de cessar-fogo

 

Irã rejeita proposta de cessar-fogo e diz que Estados Unidos não merecem confiança. Chancelaria iraniana diz que “nenhuma pessoa racional” aceitaria esse tipo de acordo e critica negociações sob ameaça

06 de abril de 2026, 06:57 h

      Imagem ilustrativa de bandeiras dos EUA e do Irã - 18/06/2025

Imagem ilustrativa de bandeiras dos EUA e do Irã - 18/06/2025 (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

Conteúdo postado por: Guilherme Levorato

247 - O governo do Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo relacionada à campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel, afirmando que a iniciativa não oferece garantias reais de segurança e pode servir apenas como pausa estratégica para novas ofensivas. A posição foi apresentada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, em coletiva realizada nesta segunda-feira (6), conforme informou a agência Tasnim News.

Baqaei destacou que prazos ou pressões não devem comprometer as ações de defesa do país. Ele argumentou que experiências anteriores demonstram que cessar-fogos muitas vezes funcionam como intervalos para reorganização militar antes de novos ataques, e afirmou que “nenhuma pessoa racional” aceitaria esse tipo de dinâmica. Segundo ele, o Irã exige que suas demandas sejam respeitadas, ao mesmo tempo em que busca evitar ciclos repetitivos de guerra e trégua.

O porta-voz também criticou o papel das Nações Unidas, afirmando que a organização frequentemente atua como instrumento de potências globais. Diante disso, ressaltou que, em questões de segurança nacional, o Irã precisa garantir medidas que impeçam a continuidade de agressões externas.

Sobre a proposta de cessar-fogo em discussão, Baqaei declarou que a posição iraniana já foi expressa anteriormente. Ele mencionou que, dias antes, um plano com 15 pontos foi apresentado por intermediários, mas considerado “excessivo e irracional” pelo governo iraniano. Ainda assim, afirmou que o país elaborou suas próprias condições, alinhadas aos interesses nacionais.

O representante enfatizou que o Irã não evita apresentar suas demandas legítimas e esclareceu que expressar posições não deve ser interpretado como sinal de recuo. Ele destacou ainda que, enquanto as Forças Armadas iranianas seguem atuando, a diplomacia também desempenha papel essencial.

Baqaei afirmou que os critérios do país são baseados em seus interesses nacionais, na segurança e nas decisões do povo iraniano. Segundo ele, a posição do governo permanece clara e pronta para ser comunicada quando necessário.

Ao comentar a atuação de mediadores, o porta-voz afirmou que a troca de posições não é incomum, mas criticou negociações realizadas sob ameaça. Ele declarou que dialogar diante de ultimatos e crimes de guerra é inadequado, especialmente quando há intensificação das ações militares por parte do adversário.

O porta-voz classificou como crime de guerra as ameaças feitas pelos Estados Unidos contra a infraestrutura iraniana, além de acusar Washington de permitir ataques a alvos civis. Ele afirmou que qualquer país envolvido em tais ações deve ser responsabilizado e alertou que a colaboração com os Estados Unidos, nesse contexto, deve ser considerada passível de investigação.

Em resposta a declarações de autoridades norte-americanas sobre a intensificação de ataques simultaneamente à abertura de negociações, Baqaei afirmou que as ações dos EUA no último ano comprometeram sua credibilidade diplomática. Ele citou, como exemplo, a saída do país de cerca de 70 acordos e documentos internacionais nos últimos meses, classificando isso como quebra de confiança e desrespeito às normas internacionais.

 

5.4.26

Jandira: antissionismo não é crime

 Jandira dá lição a Tabata: antissionismo não é crime.

Deputada condenou o projeto de Tabata que pode censurar quem critica o estado de Israel

04 de abril de 2026, 20:20 hAtualizado em 04 de abril de

   Jandira Feghali e Tabata Amaral

   Jandira Feghali e Tabata Amaral (Foto: Câmara dos Deputados)

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 - A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) entrou no debate sobre antissemitismo e antissionismo neste sábado para fazer uma distinção que considera fundamental ao debate público brasileiro. Segundo a parlamentar, confundir os dois conceitos representa uma tentativa de censura e de criminalização de posições políticas legítimas — uma crítica direta ao Projeto de Lei nº 1.424, de 2026, apresentado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que define antissemitismo com base nos critérios da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) - na prática, a proposta criminaliza críticas ao estado de Israel, denunciado na Corte Internacional de Justiça pelo crime de genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza.

Segundo Jandira, a distinção entre os dois conceitos é inegociável. "Não aceitamos distorções: antissemitismo é crime, é ódio contra o povo judeu — e deve ser combatido sem hesitação. Já o antissionismo é uma posição política, uma crítica legítima a um projeto de Estado", escreveu Jandira, estabelecendo uma linha clara entre o preconceito étnico e a discordância política em relação ao Estado de Israel.

A deputada do PCdoB foi além e apontou o que classifica como um movimento deliberado para embaralhar os dois conceitos com o objetivo de restringir o debate político. "Confundir essas duas coisas é tentar impor censura, calar o debate e criminalizar quem denuncia injustiças", declarou. Para ela, a estratégia busca transformar críticas a governos em acusações de preconceito para blindar determinadas políticas de Estado de qualquer questionamento público.

Jandira também alertou para os riscos dessa confusão conceitual para a liberdade de expressão. "Não vamos permitir que transformem crítica política em preconceito para proteger governos e silenciar vozes", afirmou a parlamentar, que encerrou a publicação reforçando sua posição com uma frase de síntese: "Clareza é fundamental: combater o antissemitismo sempre, defender o direito à crítica política também."

A manifestação de Jandira Feghali ocorre em um momento de acirramento do debate sobre os limites entre crítica política e discurso de ódio no Brasil, especialmente diante das discussões em torno do projeto de Tabata Amaral. A proposta gerou reações de parlamentares de diferentes espectros políticos, com parte da esquerda argumentando que a definição adotada pela IHRA pode ser usada para criminalizar posicionamentos contrários às ações do governo israelense, sobretudo no contexto da guerra em Gaza.