12.7.26

Os ingleses cantam Wonderwall

 Entenda por que os ingleses cantam o clássico Wonderwall, do Oasis, após as vitórias na Copa

Harry Kane puxou o coro depois da classificação sobre a Noruega, e a música voltou a simbolizar a união da torcida inglesa no Mundial

Conteúdo postado por:Redação Brasil 247Publicado em 11 de julho de 2026 às 20:58Atualizado em 11 de julho de 2026 às 21:09

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247 – A classificação dramática da Inglaterra para as semifinais da Copa do Mundo, com a vitória por 2 a 1 sobre a Noruega na prorrogação neste sábado (11), foi celebrada de uma maneira que já se tornou tradição entre jogadores e torcedores ingleses. Logo após o apito final, o capitão Harry Kane puxou o coro de “Wonderwall”, clássico do Oasis lançado em 1995, transformando o estádio em um grande karaokê.

A cena se repete desde a Eurocopa de 2024 e consolidou a canção como um dos hinos não oficiais da seleção inglesa. Embora “Three Lions” continue sendo a música mais tradicional do futebol inglês, “Wonderwall” ganhou espaço por seu caráter emocional e pela identificação geracional com a banda formada pelos irmãos Noel e Liam Gallagher, dois dos maiores ícones da cultura britânica.

O costume de cantar a música após as vitórias começou de forma espontânea. Torcedores passaram a entoar o refrão nas arquibancadas durante grandes conquistas, e os próprios jogadores adotaram o ritual nas comemorações dentro do gramado e nos vestiários. Com o tempo, Harry Kane assumiu o papel de líder do coro, incentivando companheiros e torcida a cantar juntos sempre que a Inglaterra alcança um resultado importante.

Apesar de ser frequentemente interpretada como uma declaração romântica, “Wonderwall” tem um significado mais amplo. Noel Gallagher explicou anos depois que a composição fala sobre alguém que representa um apoio emocional, uma pessoa capaz de ajudar outra a superar seus conflitos internos. A palavra “wonderwall”, sem tradução literal para o português, passou a simbolizar justamente essa figura de amparo, inspiração e esperança.

O caráter contemplativo da música contrasta com o ambiente explosivo do futebol, mas essa diferença ajuda a explicar seu sucesso entre os ingleses. Em vez de um canto de guerra, “Wonderwall” funciona como um momento de comunhão entre jogadores e torcedores, celebrando não apenas a vitória, mas também a identidade cultural compartilhada.

A escolha do Oasis também ganhou uma dimensão simbólica neste Mundial. Após anos de afastamento, Noel e Liam Gallagher retomaram a parceria e voltaram aos palcos em 2026, reacendendo a paixão nacional pela banda. Assim, cada vitória da Inglaterra acaba sendo celebrada com um dos maiores clássicos do britpop, unindo futebol, música e orgulho nacional em uma mesma festa.

Agora, com a Inglaterra classificada para as semifinais após eliminar a Noruega, o coro de “Wonderwall” voltou a ecoar com força. Liderados por Harry Kane, jogadores e torcida transformaram mais uma vez a música em um símbolo da campanha inglesa rumo ao sonho do bicampeonato mundial.

 

Educação à prepotência

 Educação à prepotência. A cultura da arrogância

Quando a arrogância é confundida com força, até a linguagem se transforma em um modelo educativo. Um líder político narcisista e sem consciência de limites pode contribuir para estimular atitudes igualmente prepotentes entre parte da população

Publicado em 11 de julho de 2026 às 11:30

O presidente dos EUA, Donald Trump                                                                            O presidente dos EUA, Donald TrumpCrédito: REUTERS/Kylie Cooper

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Em artigo recente no jornal italiano La Repubblica, o psicoterapeuta e professor universitário Giuseppe Lavenia diz que “Donald Trump deveria ser observado também para além da política. Não apenas pelo que diz, mas pela maneira como diz. Porque a linguagem de uma figura tão exposta jamais permanece confinada ao noticiário: ela penetra no imaginário coletivo, torna-se tom, postura, modelo. Transforma-se em uma maneira possível de viver o conflito, de responder às críticas, de tratar quem pensa de forma diferente.”

Lavenia tem razão. O estilo do presidente norte-americano já é facilmente reconhecível, e serve de ponto de partida a um número infinito de caricaturas e piadas na mídia mundial. Trump se expressa por meio de ataques, simplificações, apelidos ofensivos, frases categóricas e, muitas vezes, brutais. Fica evidente que ele não procura realmente um interlocutor; procura um alvo. Quem discorda não é tratado como alguém com quem se possa dialogar, mas como alguém que precisa ser enfraquecido, ridicularizado, atingido. A palavra não serve para esclarecer, mas para prevalecer. Não constrói o debate; encerra-o. Não aproxima; separa.

Parece evidente que quem se expressa desse modo agressivo e mal educado em geral não desperta muito interesse, simpatia ou admiração – a não ser em pessoas de mente mais tacanha e/ou psiquicamente exaltada. Mas quando esse tipo de comportamento é manifestado por um líder de ressonância mundial, há sim motivo para preocupação e cuidado. Pelo simples fato de que um líder político arrogante e sem consciência de limites pode contribuir para estimular atitudes igualmente prepotentes entre parte da população, embora isso não ocorra de forma automática nem uniforme. O efeito depende de diversos fatores, como a força das instituições, o papel da imprensa, da educação, da cultura política e das convicções prévias dos cidadãos.

A psicologia social oferece algumas explicações para esse fenômeno. Primeiro, existe o mecanismo da modelagem comportamental. As pessoas aprendem não apenas por instrução, mas também por observação e imitação. Quando um líder alcança sucesso político exibindo arrogância, desprezo pelos adversários, insultos ou demonstrações de superioridade, parte de seus apoiadores pode interpretar esse comportamento como legítimo ou até desejável.

Além disso, líderes exercem um importante papel na definição das normas sociais. O que antes era considerado inadequado pode passar a ser visto como aceitável quando é praticado repetidamente pela principal autoridade do país sem consequências políticas relevantes. Psicólogos chamam isso de mudança nas normas descritivas e permissivas: as pessoas ajustam seu comportamento ao que percebem ser socialmente tolerado.

Também existe em psicologia política um fenômeno conhecido como licenciamento moral. Alguns seguidores passam a acreditar que, por estarem defendendo uma causa considerada justa ou necessária, têm autorização para agir com agressividade, intolerância ou desprezo em relação aos que pensam diferente.

Isso não significa que todos os apoiadores de um líder adotem tais comportamentos. Muitos mantêm espírito crítico independente e não reproduzem seus traços pessoais. Tampouco a arrogância coletiva depende apenas da liderança política. Fatores econômicos, culturais, históricos e tecnológicos – como as redes sociais, que frequentemente recompensam discursos agressivos e polarizadores – também desempenham um papel importante.

A história oferece exemplos variados. Líderes de diferentes orientações ideológicas, em diferentes épocas, estimularam culturas políticas marcadas pela intolerância, pelo culto à personalidade e pela desqualificação sistemática dos adversários. Exemplos relativamente recentes? Napoleão Bonaparte, Adolf Hitler, Benito Mussolini, Josef Stalin, Nicolau Ceausescu. Contemporâneos? Donald Trump, Recep Tayyip Erdogan, Vladimir Putin. Entre nós? Jair Bolsonaro.

Do ponto de vista da psicologia, especialmente em diálogo com as ideias de Carl Gustav Jung, pode-se acrescentar uma reflexão: quando um líder encarna impulsos coletivos de grandiosidade, ressentimento ou desejo de poder, ele pode funcionar como um catalisador daquilo que Jung chamou de “sombra coletiva”. Nessa perspectiva, o líder não cria esses impulsos do nada; ele lhes dá voz, legitimidade e direção.

Em suma, é plausível afirmar que um líder arrogante e sem consciência dos próprios limites pode favorecer a disseminação da prepotência em parte da sociedade, principalmente quando sua conduta é percebida como um modelo de sucesso e encontra poucas barreiras institucionais ou culturais.

A arrogância dos líderes costuma ser analisada em conjunto com conceitos como hubris (desmedida, descomedimento), narcisismo, personalismo, culto à personalidade e ilusão de invulnerabilidade. Claro, nem todo líder carismático ou confiante é arrogante; a característica preocupante surge quando ele passa a acreditar que está acima das leis, das instituições, das críticas ou da própria realidade.

Essa é uma questão recorrente desde a Antiguidade. Os gregos chamavam de hubris a desmedida (quase um sinônimo de arrogância) de quem perde a consciência dos próprios limites. Na tragédia grega, a hubris quase sempre antecede a queda, justamente porque o excesso de poder vinha acompanhado da ilusão de invencibilidade. Essa ideia continua sendo uma referência importante para compreender os riscos da concentração de poder em qualquer sistema político, independentemente da orientação ideológica do governante.

Para o psicólogo Giuseppe Lavenia, o risco não é que um jovem escute Trump ou qualquer outro líder político do gênero e se torne arrogante ou agressivo. Essa seria uma leitura simplista. O risco é mais sutil: que ele aprenda um código de comportamento. Que passe a acreditar que, para ser respeitado, é preciso dominar os outros; que admitir um erro significa perder; que quem o contradiz não deve ser ouvido, mas demolido. É nesse momento que a comunicação deixa de ser apenas comunicação e passa a ser educação.

Como diz Lavenia, toda sociedade educa seus filhos não apenas com palavras, mas também por meio daquilo que recompensa. Se recompensamos quem humilha, ensinamos que humilhar funciona. Se tornamos viral quem despreza os outros, ensinamos que o desprezo gera poder. Se confundimos autoridade com opressão, depois não podemos nos surpreender quando os jovens levam essa mesma gramática para os grupos de mensagens, para as salas de aula, para o esporte e para os relacionamentos afetivos.

A questão não é exigir que a política se torne gentil, educada ou domesticada. A política também é conflito, confronto, divergência e dureza. Mas existe uma enorme diferença entre ser firme e desumanizar. Entre dizer algo incômodo e transformar o outro numa caricatura. Entre defender uma posição e precisar, todos os dias, de um inimigo para atacar. 

É justamente isso que deveríamos observar com mais atenção, explica Giuseppe Lavenia. Não Trump como exceção, mas Trump como sintoma. O sintoma de uma cultura que confunde força com dureza, sinceridade com brutalidade, coragem com incapacidade de parar.

A verdadeira força adulta é outra. É saber permanecer no conflito sem transformá-lo em guerra. É dizer verdades incômodas sem destruir a dignidade do outro. É pedir desculpas sem sentir que isso significa ser aniquilado. É defender uma posição sem precisar, permanentemente, de um alvo para atacar.

Hoje, os jovens não precisam de adultos que lhes ensinem a prevalecer sobre os demais. Disso eles já veem exemplos em excesso. Precisam de adultos capazes de mostrar que é possível ser firme sem ser violento, claro sem ser arrogante, forte sem precisar esmagar alguém.

Porque a maneira como falamos jamais é apenas uma questão de estilo. Ela já expressa uma determinada ideia de mundo.

Luis Pellegrini

Autor

Luis Pellegrini

Luís Pellegrini é jornalista e editor da revista Oásis

88 artigos publicados

 

Educação à prepotência. A cultura da arrogância

Quando a arrogância é confundida com força, até a linguagem se transforma em um modelo educativo. Um líder político narcisista e sem consciência de limites pode contribuir para estimular atitudes igualmente prepotentes entre parte da população

Publicado em 11 de julho de 2026 às 11:30

O presidente dos EUA, Donald Trump                                                                            O presidente dos EUA, Donald TrumpCrédito: REUTERS/Kylie Cooper

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Em artigo recente no jornal italiano La Repubblica, o psicoterapeuta e professor universitário Giuseppe Lavenia diz que “Donald Trump deveria ser observado também para além da política. Não apenas pelo que diz, mas pela maneira como diz. Porque a linguagem de uma figura tão exposta jamais permanece confinada ao noticiário: ela penetra no imaginário coletivo, torna-se tom, postura, modelo. Transforma-se em uma maneira possível de viver o conflito, de responder às críticas, de tratar quem pensa de forma diferente.”

Lavenia tem razão. O estilo do presidente norte-americano já é facilmente reconhecível, e serve de ponto de partida a um número infinito de caricaturas e piadas na mídia mundial. Trump se expressa por meio de ataques, simplificações, apelidos ofensivos, frases categóricas e, muitas vezes, brutais. Fica evidente que ele não procura realmente um interlocutor; procura um alvo. Quem discorda não é tratado como alguém com quem se possa dialogar, mas como alguém que precisa ser enfraquecido, ridicularizado, atingido. A palavra não serve para esclarecer, mas para prevalecer. Não constrói o debate; encerra-o. Não aproxima; separa.

Parece evidente que quem se expressa desse modo agressivo e mal educado em geral não desperta muito interesse, simpatia ou admiração – a não ser em pessoas de mente mais tacanha e/ou psiquicamente exaltada. Mas quando esse tipo de comportamento é manifestado por um líder de ressonância mundial, há sim motivo para preocupação e cuidado. Pelo simples fato de que um líder político arrogante e sem consciência de limites pode contribuir para estimular atitudes igualmente prepotentes entre parte da população, embora isso não ocorra de forma automática nem uniforme. O efeito depende de diversos fatores, como a força das instituições, o papel da imprensa, da educação, da cultura política e das convicções prévias dos cidadãos.

A psicologia social oferece algumas explicações para esse fenômeno. Primeiro, existe o mecanismo da modelagem comportamental. As pessoas aprendem não apenas por instrução, mas também por observação e imitação. Quando um líder alcança sucesso político exibindo arrogância, desprezo pelos adversários, insultos ou demonstrações de superioridade, parte de seus apoiadores pode interpretar esse comportamento como legítimo ou até desejável.

Além disso, líderes exercem um importante papel na definição das normas sociais. O que antes era considerado inadequado pode passar a ser visto como aceitável quando é praticado repetidamente pela principal autoridade do país sem consequências políticas relevantes. Psicólogos chamam isso de mudança nas normas descritivas e permissivas: as pessoas ajustam seu comportamento ao que percebem ser socialmente tolerado.

Também existe em psicologia política um fenômeno conhecido como licenciamento moral. Alguns seguidores passam a acreditar que, por estarem defendendo uma causa considerada justa ou necessária, têm autorização para agir com agressividade, intolerância ou desprezo em relação aos que pensam diferente.

Isso não significa que todos os apoiadores de um líder adotem tais comportamentos. Muitos mantêm espírito crítico independente e não reproduzem seus traços pessoais. Tampouco a arrogância coletiva depende apenas da liderança política. Fatores econômicos, culturais, históricos e tecnológicos – como as redes sociais, que frequentemente recompensam discursos agressivos e polarizadores – também desempenham um papel importante.

A história oferece exemplos variados. Líderes de diferentes orientações ideológicas, em diferentes épocas, estimularam culturas políticas marcadas pela intolerância, pelo culto à personalidade e pela desqualificação sistemática dos adversários. Exemplos relativamente recentes? Napoleão Bonaparte, Adolf Hitler, Benito Mussolini, Josef Stalin, Nicolau Ceausescu. Contemporâneos? Donald Trump, Recep Tayyip Erdogan, Vladimir Putin. Entre nós? Jair Bolsonaro.

Do ponto de vista da psicologia, especialmente em diálogo com as ideias de Carl Gustav Jung, pode-se acrescentar uma reflexão: quando um líder encarna impulsos coletivos de grandiosidade, ressentimento ou desejo de poder, ele pode funcionar como um catalisador daquilo que Jung chamou de “sombra coletiva”. Nessa perspectiva, o líder não cria esses impulsos do nada; ele lhes dá voz, legitimidade e direção.

Em suma, é plausível afirmar que um líder arrogante e sem consciência dos próprios limites pode favorecer a disseminação da prepotência em parte da sociedade, principalmente quando sua conduta é percebida como um modelo de sucesso e encontra poucas barreiras institucionais ou culturais.

A arrogância dos líderes costuma ser analisada em conjunto com conceitos como hubris (desmedida, descomedimento), narcisismo, personalismo, culto à personalidade e ilusão de invulnerabilidade. Claro, nem todo líder carismático ou confiante é arrogante; a característica preocupante surge quando ele passa a acreditar que está acima das leis, das instituições, das críticas ou da própria realidade.

Essa é uma questão recorrente desde a Antiguidade. Os gregos chamavam de hubris a desmedida (quase um sinônimo de arrogância) de quem perde a consciência dos próprios limites. Na tragédia grega, a hubris quase sempre antecede a queda, justamente porque o excesso de poder vinha acompanhado da ilusão de invencibilidade. Essa ideia continua sendo uma referência importante para compreender os riscos da concentração de poder em qualquer sistema político, independentemente da orientação ideológica do governante.

Para o psicólogo Giuseppe Lavenia, o risco não é que um jovem escute Trump ou qualquer outro líder político do gênero e se torne arrogante ou agressivo. Essa seria uma leitura simplista. O risco é mais sutil: que ele aprenda um código de comportamento. Que passe a acreditar que, para ser respeitado, é preciso dominar os outros; que admitir um erro significa perder; que quem o contradiz não deve ser ouvido, mas demolido. É nesse momento que a comunicação deixa de ser apenas comunicação e passa a ser educação.

Como diz Lavenia, toda sociedade educa seus filhos não apenas com palavras, mas também por meio daquilo que recompensa. Se recompensamos quem humilha, ensinamos que humilhar funciona. Se tornamos viral quem despreza os outros, ensinamos que o desprezo gera poder. Se confundimos autoridade com opressão, depois não podemos nos surpreender quando os jovens levam essa mesma gramática para os grupos de mensagens, para as salas de aula, para o esporte e para os relacionamentos afetivos.

A questão não é exigir que a política se torne gentil, educada ou domesticada. A política também é conflito, confronto, divergência e dureza. Mas existe uma enorme diferença entre ser firme e desumanizar. Entre dizer algo incômodo e transformar o outro numa caricatura. Entre defender uma posição e precisar, todos os dias, de um inimigo para atacar. 

É justamente isso que deveríamos observar com mais atenção, explica Giuseppe Lavenia. Não Trump como exceção, mas Trump como sintoma. O sintoma de uma cultura que confunde força com dureza, sinceridade com brutalidade, coragem com incapacidade de parar.

A verdadeira força adulta é outra. É saber permanecer no conflito sem transformá-lo em guerra. É dizer verdades incômodas sem destruir a dignidade do outro. É pedir desculpas sem sentir que isso significa ser aniquilado. É defender uma posição sem precisar, permanentemente, de um alvo para atacar.

Hoje, os jovens não precisam de adultos que lhes ensinem a prevalecer sobre os demais. Disso eles já veem exemplos em excesso. Precisam de adultos capazes de mostrar que é possível ser firme sem ser violento, claro sem ser arrogante, forte sem precisar esmagar alguém.

Porque a maneira como falamos jamais é apenas uma questão de estilo. Ela já expressa uma determinada ideia de mundo.

Luis Pellegrini

Autor

Luis Pellegrini

Luís Pellegrini é jornalista e editor da revista Oásis

88 artigos publicados

 

10.7.26

Haaland uma revolução no futebol

 Modelo norueguês desafia lógica do esporte de alto rendimento e transforma Haaland em símbolo de uma revolução no futebol.

Sistema que prioriza inclusão, diversão e desenvolvimento de longo prazo coloca a Noruega entre as surpresas da Copa do Mundo e reacende debate sobre a formação de atletas

Conteúdo postado por:Redação Brasil 247Publicado em 10 de julho de 2026 às 07:55Apoie o 247

Haaland celebra a vitória da Noruega

Haaland celebra a vitória da NoruegaCrédito: Reuters

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247 – O desempenho da Noruega na Copa do Mundo de 2026 está levando especialistas a reavaliar um dos temas mais debatidos no esporte moderno: como formar grandes atletas. Reportagem da Bloomberg mostra que o sucesso da seleção liderada por Erling Haaland não é fruto de um sistema voltado para a competição precoce, mas de um modelo que faz exatamente o oposto: privilegia a participação de todas as crianças, a prática de múltiplos esportes e o desenvolvimento gradual dos talentos.

Enquanto diversos países transformam o esporte infantil em um ambiente altamente competitivo desde os primeiros anos de vida, a Noruega consolidou uma filosofia baseada em outro princípio: “o maior número possível, pelo maior tempo possível e no melhor nível possível”. O objetivo é manter as crianças praticando esportes por prazer, sem a pressão por resultados imediatos. Nesse sistema, a seleção precoce de talentos é desencorajada, e vitórias nas categorias infantis são consideradas secundárias diante do desenvolvimento físico, técnico e emocional dos jovens atletas.

Erling Haaland tornou-se o maior exemplo desse modelo. Criado na pequena cidade de Bryne, o atacante cresceu em um clube comunitário aberto a todas as crianças. Os treinadores eram voluntários e a preocupação principal não era vencer campeonatos, mas garantir que todos jogassem. Dos cerca de 40 meninos daquela geração, 35 permaneceram praticando futebol até a idade adulta. Seis se profissionalizaram e cinco chegaram às seleções de base da Noruega, um índice extraordinariamente elevado para um município de apenas cerca de 14 mil habitantes.

Outro elemento central é a infraestrutura. Mesmo em uma região marcada por longos invernos e poucas horas de luz durante boa parte do ano, Bryne construiu um campo coberto que permitia às crianças jogar durante todo o ano. Isso favorecia o chamado “jogo espontâneo”, considerado por pesquisadores um componente essencial para o desenvolvimento da criatividade e da inteligência esportiva.

A filosofia norueguesa também desencoraja a especialização precoce. Crianças são estimuladas a praticar diferentes modalidades antes de escolher uma carreira esportiva. O próprio Haaland praticou atletismo, handebol e outras atividades durante a infância. Essa diversidade ajuda a desenvolver coordenação motora, capacidade cognitiva e diferentes habilidades físicas, reduzindo também o risco de lesões e do abandono precoce do esporte.

O contraste com o modelo predominante nos Estados Unidos é frequentemente apontado pelos analistas. Lá, o sistema conhecido como pay to play exige elevados investimentos das famílias em clubes, viagens e competições, tornando o acesso ao esporte de alto nível cada vez mais caro. O ex-jogador Landon Donovan chegou a afirmar que, se fosse criança hoje, provavelmente não teria condições financeiras de iniciar sua carreira, criticando um modelo que restringe oportunidades para jovens talentosos de baixa renda.

A ascensão da Noruega ganha ainda mais relevância porque ocorre em um país de pouco mais de 5 milhões de habitantes. Após décadas distante das grandes competições internacionais, a seleção voltou ao cenário mundial impulsionada por uma geração formada dentro desse sistema educacional esportivo. A campanha na Copa do Mundo, marcada por vitórias expressivas e pelo protagonismo de Haaland, passou a ser vista como uma demonstração prática de que políticas públicas voltadas para inclusão, participação e desenvolvimento de longo prazo podem produzir resultados competitivos no mais alto nível.

Mais do que revelar um dos principais atacantes do futebol mundial, o modelo norueguês coloca em discussão uma questão que interessa a dirigentes, treinadores e formuladores de políticas esportivas em diversos países: se o melhor caminho para formar campeões passa menos pela pressão por vitórias na infância e mais pela criação de ambientes em que crianças permaneçam praticando esporte durante muitos anos, por prazer, autonomia e desenvolvimento integral.

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7.7.26

Time de Trump

 O filho de africanos fez o time de Trump cair de quatro

Ontem, em Seattle, os deuses do futebol impuseram o castigo pelos pés de um filho de imigrantes congoleses

Autor Ricardo Amaral

Jornalista

10 artigos publicados

Publicado em 7 de julho de 2026 às 05:06

Lukaku comemora o quarto gol contra os Estados UnidosLukaku comemora o quarto gol contra os Estados UnidosCrédito: Reuters

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Desde a invasão da Suíça pelo FBI em 2015, a Fifa é refém dos EUA, que jamais poderiam sediar um torneio de congraçamento entre os povos

A justiça divina não costuma dar plantão no futebol. Mas de vez em quando ela aparece.

Caiu como um raio ontem em Seattle, na humilhante eliminação dos EUA pela Bélgica.

Nem Trump teve poder de evitar, na manchete do espanhol “Marca”.

Para alegria do mundo livre, na expressão do Juca Kfouri.

Livre, circunscrevo, da vassalagem a Trump. Mas não de seu mandonismo e da ameaça que ele é para a humanidade.

E agora, Trump? Vai meter um tarifaço no chocolate belga?

Vai tascar uma sanção da Magnitsky no “suspeito” árbitro Rafael Claus, que nem fez com o Alexandre de Moraes?

E pra contestar o Trump, vale até atestado de idoneidade da CBF e da Conmebol, né Claus?

Justiça pra ele não vale nada. Aliás, vale só se for a favor. Só a que cabe em seus cofres.

Como a Suprema Corte dos EUA, que lhe concedeu imunidade pelos crimes cometidos de dentro da Casa Branca.

Certamente é por isso que Trump não admite a condenação do vassalo Jair Bolsonaro pelo STF do Brasil.

Nos cofres dele também cabe o tribunal da Fifa, que revogou a suspensão do atacante Balogun, dos EUA, expulso na partida anterior.

E revogou, junto, qualquer simulacro de autoridade sobre o esporte que a direção da Fifa ouse ainda de reivindicar.

A Fifa deixou de ser autoridade faz tempo. Não passa de um guichê para contratos bilionários de transmissão e patrocínio.

A Fifa está nas mãos do Departamento de Justiça dos EUA desde 2015, quando o FBI invadiu a Suíça para prender o antecessor de Infantino, Joseph Blatter.

Blatter e outros dirigentes (incluindo os brasileiros José Maria Marin, Ricardo Teixeira e Del Nero) foram acusados de cobrar propina pelos direitos de transmissão da Copa e outros torneios.

Coisa de 150 milhões de dólares, num esquema com grandes redes de TV, incluindo a Globo, que para sair de cena demitiu o diretor que fazia negócios com a Fifa. 

Lembram? Melhor para a Globo que esqueçam.

Infantino assumiu o lugar do condenado Blatter, numa grande operação-abafa com a cumplicidade da maior parte das confederações e federações de futebol do planeta.

Alguém tem a ilusão de que a batida do FBI na Suíça higienizou os bilionários negócios em torno do futebol?

Melhor iludir-se com o futuro da seleção brasileira.

Não foi por amor a Trump ou desamor pelo futebol que Infantino manchou de vez a Copa de 2026. 

Foi por obrigação, por contrato. Foi por ser parte de uma engrenagem que movimenta bilhões. E que está sujeita aos desígnios do atual presidente dos EUA.

A mesma engrenagem que faz a mídia das classes dominantes do Brasil tratar como fato real o choro farsante do Neymar na eliminação do Brasil.

Como se o país e o mundo não tivessem presenciado seu ataque de estrelismo individualista diante do goleiro da Noruega. 

Mas voltemos à divina eliminação dos EUA, só na bola. Com o delicioso arremate do último gol do Lukaku. 

Não me venham comparar o trumpaço de 2026 com o caso de Mané Garrincha na Copa de 1962.

Garrincha jogou a final contra a hoje dividida Tchecoslováquia, mesmo tendo sido expulso no jogo anterior, a vitória do Brasil sobre o anfitrião Chile.

Naquele tempo não existiam cartão vermelho nem suspensão automática.

A decisão cabia a um tribunal da Fifa, dirigida na época pelo mitológico sir Stanley Rous, isento de simpatias pelo Brasil ou por qualquer seleção que não fosse da Europa.

Mas houve comoção no mundo da bola. Na ausência de Pelé, contundido gravemente na segunda partida do torneio, Garrincha era a estrela daquela Copa.

Tancredo Neves, primeiro-ministro naquele breve período parlamentarista do Brasil, entrou em campo pela seleção canarinha.

Muitos anos depois, no Natal de 1984, às vésperas de se tornar o primeiro presidente civil depois da ditadura, eu e o colega Bob Fernandes ouvimos a história contada pelo próprio Tancredo.

Ele se comprazia de ter telefonado para o presidente do Chile, Jorge Alessandri, pedindo que intercedesse no julgamento de Garrincha. E que Alessandri fez uma carta pública a favor do pleito brasileiro, em nome do bom futebol.

O fato é que tribunal decidiu que Garrincha poderia jogar. A expulsão não estava registrada na súmula e não havia testemunhas contra o craque das pernas tortas.

Mané entrou com febre e pouco fez em campo, mas já tinha cumprido a missão de levar o Brasil à final. Amarildo, o “Possesso”, Zito e Vavá marcaram os gols da vitória por 3 x 1.

Não me venham comparar Tancredo Neves com Donald Trump. Nem sir Stanley Rous com Gianni Infantino. 

Ingerência política na Copa, muito antes do caso Balogun, foi a odiosa perseguição contra a seleção do Irã e seus torcedores.

Foi a crueldade mesquinha de censurar a bandeira nacional na camisa da seleção do Haiti.

As vexatórias e humilhantes revistas à delegação do Senegal.

A deportação do árbitro somali Omar Artan, o melhor juiz africano, por preconceito político e racial.

Os cancelamentos de vistos de torcedores de outros países, apenas de determinados países.

Definitivamente, os Estados Unidos de Donald Trump não mereciam sediar um torneio que é o maior congraçamento entre povos dos mais diferentes países.

Ontem, em Seattle, os deuses do futebol impuseram o castigo pelos pés de um filho de imigrantes congoleses.

Obrigado, Lukaku. Você fez o time do Trump cair de quatro.

 

27.6.26

Lula defende soberania nacional

 Lula defende investimentos permanentes em defesa para garantir soberania nacional. Em Itajaí, presidente batiza fragata feita no Brasil e afirma que o setor será prioridade ao lado de educação, saúde, transição energética e IA

27 de junho de 2026, 04:29 h

26.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de lançamento da Fragata “Cunha Moreira”, na Rua Eugênio Pezzini, 355, Cordeiros, Itajaí - SC.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

26.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de lançamento da Fragata “Cunha Moreira”, na Rua Eugênio Pezzini, 355, Cordeiros, Itajaí - SC. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

     Conteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (26), em Itajaí (SC), investimentos permanentes no setor de defesa como condição para o fortalecimento da soberania nacional. A declaração foi feita durante a cerimônia de lançamento ao mar e batismo da Fragata Cunha Moreira, terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, iniciativa estratégica da Marinha do Brasil.

As informações são da Agência Gov. A fragata integra o Novo PAC e está alinhada à Nova Indústria Brasil, dentro de uma estratégia que combina modernização militar, reindustrialização, transferência de tecnologia e geração de empregos qualificados.

“Eu quero que vocês saibam que isso aqui, para mim, não é um navio, não é um monte de ferro, é um produto tecnológico de primeira linha. É o começo de um país que vai ser soberano e tomar conta do seu nariz”, afirmou Lula.

O presidente disse que o Brasil não busca conflitos com outros países, mas precisa estar preparado para proteger seus interesses, seu território e suas riquezas. “Eu quero que vocês saibam que além da educação, saúde, transição energética, inteligência artificial, a defesa faz parte das minhas prioridades para transformar esse país”, declarou.

Defesa como política permanente de Estado

Ao discursar, Lula sinalizou que a defesa nacional deve deixar de ser tratada como pauta ocasional e passar a integrar uma política permanente de desenvolvimento. Para o governo, investimentos no setor não se limitam à compra de equipamentos militares, mas envolvem ciência, tecnologia, indústria, engenharia, empregos e soberania.

A Fragata Cunha Moreira faz parte do Programa Fragatas Classe Tamandaré, que prevê a construção e incorporação de quatro navios militares de alta complexidade tecnológica para modernizar e ampliar a capacidade operacional da Marinha do Brasil.

Segundo o governo federal, os investimentos estimados no programa somam R$ 13,9 bilhões entre 2019 e 2030, dos quais R$ 10,5 bilhões integram o Novo PAC. A previsão é gerar cerca de 23 mil empregos ao longo da execução do projeto, sendo 2 mil diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos.

José Múcio: defesa pertence à soberania brasileira

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, destacou a dimensão estratégica dos investimentos no setor e afirmou que o atual governo tem tratado a área como prioridade nacional.

“É difícil para o presidente da República tirar 3 bilhões para uma fragata dessa, quando precisa dinheiro para alimento, casa, educação, saúde. Mas a defesa pertence à soberania brasileira, pertence a um país, pertence a todos”, afirmou.

Para Múcio, o investimento em defesa deve ser compreendido como parte da proteção do país e de sua capacidade de tomar decisões autônomas.

Novo PAC, indústria naval e conteúdo nacional

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que o Novo PAC não é apenas um programa de obras, mas um planejamento de longo prazo para o Brasil. Ela destacou a importância do conteúdo nacional nos investimentos públicos e privados em infraestrutura.

“O PAC pensa também no futuro do país. E a primeira coisa é a necessidade de conteúdo nacional nos investimentos e infraestrutura no Brasil. A gente pensa também como é que o país segue crescendo, como é que a gente fortalece a nossa indústria e, com isso, gerando empregos de qualidade”, disse.

Segundo Miriam, o Programa Fragatas Classe Tamandaré tem papel duplo: equipar a Marinha e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade produtiva da indústria naval brasileira. A meta é capacitar o país para produzir e exportar equipamentos sofisticados, com maior valor agregado.

Marinha destaca papel estratégico do mar para o Brasil

O comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, ressaltou que o crescimento econômico do Brasil depende do uso progressivo e sustentável do mar. Segundo ele, por rotas marítimas transitam 97% do volume de mercadorias importadas e exportadas pelo país, o que representa 80% do valor do comércio exterior brasileiro.

“Nesse contexto, a concretização das entregas evidencia que investimentos em defesa se revertem em benefícios tangíveis à sociedade em um poder que é pilar à proteção de recursos, fluxos logísticos e instrumento de resposta do Estado”, afirmou.

O Programa Fragatas Classe Tamandaré é considerado estratégico para a recomposição do Núcleo do Poder Naval da Marinha do Brasil e para a proteção da Amazônia Azul, área marítima brasileira com mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.

Fragata Cunha Moreira protegerá a soberania por 40 anos

As embarcações são construídas no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, pela Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, formada por Thyssenkrupp Marine Systems, Embraer Defesa & Segurança e Atech.

Fernando Queiroz, CEO da Águas Azuis, afirmou que o programa já deixa um legado social e econômico ao gerar emprego, renda e esperança para milhares de famílias brasileiras.

“Não existe legado maior do que oferecer aos filhos oportunidades que seus pais muitas vezes não tiveram. A Fragata Cunha Moreira protegerá a soberania do Brasil pelos próximos 40 anos. Mas milhares de famílias brasileiras já estão sendo protegidas hoje pelo emprego, pela renda, pela esperança que este programa ajudou a construir”, afirmou.

As fragatas possuem capacidade de deslocamento de 3.500 toneladas, 107 metros de comprimento, convés de voo e hangar para helicópteros, além de radares, sistemas de armas avançados e sensores integrados. Os navios atendem a altos padrões de navegabilidade, estabilidade, operação, desempenho e segurança.

Transferência de tecnologia e Base Industrial de Defesa

Além de ampliar a capacidade operacional da Marinha, o programa prevê transferência de tecnologia e fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira. A iniciativa integra a Nova Indústria Brasil, especialmente na missão voltada ao desenvolvimento de tecnologias de interesse para a soberania e a defesa nacionais.

A expectativa é que o país consolide competências industriais e tecnológicas em um setor considerado estratégico, reduzindo dependências externas e ampliando a autonomia nacional.

Com a incorporação das fragatas, o Brasil também ampliará sua capacidade de realizar operações de busca e salvamento, proteger recursos marítimos e cumprir compromissos internacionais.

Solidariedade à Venezuela

Antes de iniciar seu discurso, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos registrados na Venezuela. Em seguida, determinou ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que avalie formas de apoio humanitário ao país vizinho.

“Queria determinar que, na semana que vem, você fosse à Venezuela para discutir o que a nossa defesa pode fazer de ajuda ao povo da Venezuela”, afirmou.

O gesto reforçou a dimensão regional da política externa brasileira e a compreensão de que a defesa também pode atuar em missões humanitárias e de solidariedade internacional.

Com o lançamento da Fragata Cunha Moreira, Lula buscou consolidar a mensagem de que defesa, soberania, indústria nacional e desenvolvimento tecnológico fazem parte de uma mesma estratégia de país. Para o governo, investir de forma permanente no setor é garantir que o Brasil tenha capacidade de proteger suas riquezas, dominar tecnologias sensíveis e afirmar sua autonomia no cenário internacional.

 

25.6.26

Brasil abre nova rota bioceânica

 Brasil abre nova rota bioceânica via Bolívia para levar exportações ao Pacífico. Programa oficializado pelo governo Lula busca reduzir custos logísticos, fortalecer a integração sul-americana e ampliar a presença brasileira na Ásia

25 de junho de 2026, 01:22 h

Corredor bioceânico Brasil-Bolívia

Corredor bioceânico Brasil-Bolívia (Foto: Brasil 247 / Dall-E)

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 – O governo federal oficializou nesta quarta-feira (24) a criação do Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, uma iniciativa estratégica para abrir uma nova rota de exportação brasileira em direção à Ásia, por meio de portos no Chile e no Peru.

Segundo informações da Sputnik Brasil, a medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e assinada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O objetivo é fortalecer a integração logística e comercial entre Brasil e Bolívia, ao mesmo tempo em que reduz a dependência das rotas tradicionais de escoamento, especialmente aquelas concentradas no porto de Santos, em São Paulo.

O programa faz parte de uma estratégia mais ampla de integração sul-americana e de diversificação das rotas comerciais brasileiras. A ideia central é criar um corredor terrestre capaz de conectar áreas produtoras do Centro-Oeste, em especial Mato Grosso, aos portos do Pacífico, encurtando o caminho das exportações brasileiras até mercados asiáticos.

Nova rota mira o mercado asiático

A iniciativa é considerada estratégica para ampliar a presença dos produtos brasileiros na Á Ásia, especialmente na China, principal parceiro comercial do Brasil e maior comprador de commodities brasileiras, como soja, carne e minério de ferro.

Com a nova conexão logística, o governo espera tornar as exportações brasileiras mais competitivas, reduzindo custos de transporte e ampliando a capacidade de inserção do país em cadeias globais de comércio. O corredor também pode diminuir a pressão sobre rotas já saturadas e criar uma alternativa relevante ao modelo atual de escoamento, fortemente dependente do eixo atlântico.

Um dos focos do programa é facilitar o transporte da produção de Mato Grosso, maior produtor nacional de soja. A nova rota atravessará a Bolívia até alcançar portos no Pacífico, de onde as cargas poderão seguir para países asiáticos com maior rapidez.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a conexão poderá reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade das exportações brasileiras e criar novas oportunidades de negócios com países asiáticos. "Essa rota fortalece a competitividade do agro brasileiro e amplia o potencial do nosso setor. O programa reforça ainda mais nosso projeto de integração internacional", afirmou a pasta.

Integração com a Bolívia ganha novo impulso

Além de ampliar as exportações para a Ásia, o governo aposta na retomada do dinamismo do comércio bilateral com a Bolívia. Em 2013, as trocas comerciais entre os dois países chegaram a US$ 5,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,6 bilhões. Atualmente, esse fluxo gira em torno de US$ 2,5 bilhões, aproximadamente R$ 13 bilhões.

A expectativa é que o novo corredor ajude a reverter essa queda e estimule novas parcerias produtivas, industriais e logísticas entre os dois países. O programa também deve facilitar a importação de insumos e fertilizantes bolivianos destinados ao agronegócio brasileiro, um ponto considerado relevante para a segurança produtiva do setor.

A aproximação com a Bolívia também reforça a visão de que a integração regional pode gerar benefícios concretos para os países sul-americanos. Ao melhorar a infraestrutura de transporte e ampliar o comércio intrarregional, o corredor Brasil-Bolívia-Pacífico pode contribuir para reduzir gargalos históricos que limitam o potencial econômico da região.

MT-199 será eixo central do corredor

A principal obra pública associada ao projeto é a pavimentação da rodovia MT-199, atualmente em execução pelo governo de Mato Grosso. A estrada conectará o município de Vila Bela da Santíssima Trindade, no oeste mato-grossense, à região de Palmarito, na Bolívia.

Esse trecho é considerado fundamental para viabilizar o corredor terrestre. Ao permitir uma ligação mais eficiente entre o Brasil e o território boliviano, a rodovia deverá funcionar como uma porta de saída para cargas agrícolas e minerais em direção ao Pacífico.

A pavimentação da MT-199 também tende a estimular o desenvolvimento econômico de regiões historicamente menos integradas às grandes rotas logísticas nacionais. Municípios próximos ao traçado poderão se beneficiar da instalação de estruturas de apoio, serviços, terminais e novos investimentos privados.

Setor privado deve investir em logística e armazenamento

Embora a infraestrutura pública seja essencial para a abertura da rota, o governo prevê que parte significativa dos investimentos será conduzida pela iniciativa privada. Armazéns, terminais logísticos, centros de distribuição e unidades industriais deverão ser desenvolvidos à medida que o fluxo comercial pelo corredor se intensifique.

A participação privada será decisiva para transformar o corredor em uma rota economicamente viável e operacionalmente eficiente. A ampliação da capacidade de armazenagem e transbordo será necessária para evitar gargalos e garantir que a nova conexão possa atender ao aumento esperado da movimentação de cargas.

O projeto também pode atrair investimentos em serviços ligados ao comércio exterior, transporte rodoviário, tecnologia logística e processamento industrial. Com isso, a rota tende a ter impactos que vão além do escoamento de commodities, criando oportunidades em diferentes segmentos da economia.

Rota pode encurtar transporte em até 15 dias

Embora os estudos econômicos definitivos ainda estejam em elaboração, estimativas preliminares do governo indicam que a nova rota poderá encurtar em até 15 dias o tempo de transporte para determinados destinos na Ásia.

A redução do prazo é um dos principais atrativos do corredor. Para exportadores brasileiros, especialmente do agronegócio, o ganho de tempo pode representar economia, maior previsibilidade e melhores condições de competição em mercados internacionais.

Além disso, a abertura de uma rota pelo Pacífico pode ampliar a capacidade do Brasil de responder a mudanças no comércio global, diversificando alternativas logísticas e reduzindo riscos associados à concentração em poucos portos ou corredores de exportação.

Corredor reforça estratégia de integração sul-americana

O Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico se insere em uma agenda mais ampla de fortalecimento da infraestrutura regional e de aproximação econômica entre países da América do Sul.

Para o Brasil, a conexão com o Pacífico representa uma oportunidade de reposicionar sua logística internacional, aproximando fisicamente o país dos mercados asiáticos. Para a Bolívia, o corredor pode significar maior integração produtiva, aumento do comércio e atração de investimentos.

A aposta do governo é que a nova rota gere ganhos para ambos os lados, ao combinar exportações brasileiras, importação de insumos bolivianos, obras de infraestrutura e novos negócios privados. Se concretizado, o corredor poderá se tornar um dos principais eixos de integração econômica entre o Brasil, a Bolívia e o mercado asiático.