Lula defende investimentos permanentes em defesa para garantir soberania nacional. Em Itajaí, presidente batiza fragata feita no Brasil e afirma que o setor será prioridade ao lado de educação, saúde, transição energética e IA
27 de junho
de 2026, 04:29 h
26.06.2026 -
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de lançamento
da Fragata “Cunha Moreira”, na Rua Eugênio Pezzini, 355, Cordeiros, Itajaí -
SC. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Conteúdo postado por: Redação Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva defendeu nesta sexta-feira (26), em Itajaí (SC), investimentos
permanentes no setor de defesa como condição para o fortalecimento da soberania
nacional. A declaração foi feita durante a cerimônia de lançamento ao mar e
batismo da Fragata Cunha Moreira, terceira embarcação do Programa Fragatas
Classe Tamandaré, iniciativa estratégica da Marinha do Brasil.
As
informações são da Agência Gov. A fragata integra o Novo PAC e está alinhada à
Nova Indústria Brasil, dentro de uma estratégia que combina modernização
militar, reindustrialização, transferência de tecnologia e geração de empregos
qualificados.
“Eu quero
que vocês saibam que isso aqui, para mim, não é um navio, não é um monte de
ferro, é um produto tecnológico de primeira linha. É o começo de um país que
vai ser soberano e tomar conta do seu nariz”, afirmou Lula.
O presidente
disse que o Brasil não busca conflitos com outros países, mas precisa estar
preparado para proteger seus interesses, seu território e suas riquezas. “Eu
quero que vocês saibam que além da educação, saúde, transição energética,
inteligência artificial, a defesa faz parte das minhas prioridades para
transformar esse país”, declarou.
Defesa
como política permanente de Estado
Ao
discursar, Lula sinalizou que a defesa nacional deve deixar de ser tratada como
pauta ocasional e passar a integrar uma política permanente de desenvolvimento.
Para o governo, investimentos no setor não se limitam à compra de equipamentos
militares, mas envolvem ciência, tecnologia, indústria, engenharia, empregos e
soberania.
A Fragata
Cunha Moreira faz parte do Programa Fragatas Classe Tamandaré, que prevê a
construção e incorporação de quatro navios militares de alta complexidade
tecnológica para modernizar e ampliar a capacidade operacional da Marinha do
Brasil.
Segundo o
governo federal, os investimentos estimados no programa somam R$ 13,9 bilhões
entre 2019 e 2030, dos quais R$ 10,5 bilhões integram o Novo PAC. A previsão é
gerar cerca de 23 mil empregos ao longo da execução do projeto, sendo 2 mil
diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos.
José
Múcio: defesa pertence à soberania brasileira
O ministro
da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, destacou a dimensão estratégica dos
investimentos no setor e afirmou que o atual governo tem tratado a área como
prioridade nacional.
“É difícil
para o presidente da República tirar 3 bilhões para uma fragata dessa, quando
precisa dinheiro para alimento, casa, educação, saúde. Mas a defesa pertence à
soberania brasileira, pertence a um país, pertence a todos”, afirmou.
Para Múcio,
o investimento em defesa deve ser compreendido como parte da proteção do país e
de sua capacidade de tomar decisões autônomas.
Novo PAC,
indústria naval e conteúdo nacional
A ministra
da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que o Novo PAC não é apenas um programa
de obras, mas um planejamento de longo prazo para o Brasil. Ela destacou a
importância do conteúdo nacional nos investimentos públicos e privados em
infraestrutura.
“O PAC pensa
também no futuro do país. E a primeira coisa é a necessidade de conteúdo
nacional nos investimentos e infraestrutura no Brasil. A gente pensa também
como é que o país segue crescendo, como é que a gente fortalece a nossa
indústria e, com isso, gerando empregos de qualidade”, disse.
Segundo
Miriam, o Programa Fragatas Classe Tamandaré tem papel duplo: equipar a Marinha
e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade produtiva da indústria naval
brasileira. A meta é capacitar o país para produzir e exportar equipamentos
sofisticados, com maior valor agregado.
Marinha
destaca papel estratégico do mar para o Brasil
O comandante
da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, ressaltou que o
crescimento econômico do Brasil depende do uso progressivo e sustentável do
mar. Segundo ele, por rotas marítimas transitam 97% do volume de mercadorias
importadas e exportadas pelo país, o que representa 80% do valor do comércio
exterior brasileiro.
“Nesse
contexto, a concretização das entregas evidencia que investimentos em defesa se
revertem em benefícios tangíveis à sociedade em um poder que é pilar à proteção
de recursos, fluxos logísticos e instrumento de resposta do Estado”, afirmou.
O Programa
Fragatas Classe Tamandaré é considerado estratégico para a recomposição do
Núcleo do Poder Naval da Marinha do Brasil e para a proteção da Amazônia Azul,
área marítima brasileira com mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.
Fragata
Cunha Moreira protegerá a soberania por 40 anos
As
embarcações são construídas no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, pela
Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, formada por Thyssenkrupp Marine
Systems, Embraer Defesa & Segurança e Atech.
Fernando
Queiroz, CEO da Águas Azuis, afirmou que o programa já deixa um legado social e
econômico ao gerar emprego, renda e esperança para milhares de famílias
brasileiras.
“Não existe
legado maior do que oferecer aos filhos oportunidades que seus pais muitas
vezes não tiveram. A Fragata Cunha Moreira protegerá a soberania do Brasil
pelos próximos 40 anos. Mas milhares de famílias brasileiras já estão sendo
protegidas hoje pelo emprego, pela renda, pela esperança que este programa
ajudou a construir”, afirmou.
As fragatas
possuem capacidade de deslocamento de 3.500 toneladas, 107 metros de
comprimento, convés de voo e hangar para helicópteros, além de radares,
sistemas de armas avançados e sensores integrados. Os navios atendem a altos
padrões de navegabilidade, estabilidade, operação, desempenho e segurança.
Transferência
de tecnologia e Base Industrial de Defesa
Além de
ampliar a capacidade operacional da Marinha, o programa prevê transferência de
tecnologia e fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira. A
iniciativa integra a Nova Indústria Brasil, especialmente na missão voltada ao
desenvolvimento de tecnologias de interesse para a soberania e a defesa
nacionais.
A
expectativa é que o país consolide competências industriais e tecnológicas em
um setor considerado estratégico, reduzindo dependências externas e ampliando a
autonomia nacional.
Com a
incorporação das fragatas, o Brasil também ampliará sua capacidade de realizar
operações de busca e salvamento, proteger recursos marítimos e cumprir
compromissos internacionais.
Solidariedade
à Venezuela
Antes de
iniciar seu discurso, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas
dos terremotos registrados na Venezuela. Em seguida, determinou ao ministro da
Defesa, José Múcio Monteiro, que avalie formas de apoio humanitário ao país
vizinho.
“Queria
determinar que, na semana que vem, você fosse à Venezuela para discutir o que a
nossa defesa pode fazer de ajuda ao povo da Venezuela”, afirmou.
O gesto
reforçou a dimensão regional da política externa brasileira e a compreensão de
que a defesa também pode atuar em missões humanitárias e de solidariedade
internacional.
Com o
lançamento da Fragata Cunha Moreira, Lula buscou consolidar a mensagem de que
defesa, soberania, indústria nacional e desenvolvimento tecnológico fazem parte
de uma mesma estratégia de país. Para o governo, investir de forma permanente
no setor é garantir que o Brasil tenha capacidade de proteger suas riquezas,
dominar tecnologias sensíveis e afirmar sua autonomia no cenário internacional.