25.6.26

Brasil abre nova rota bioceânica

 Brasil abre nova rota bioceânica via Bolívia para levar exportações ao Pacífico. Programa oficializado pelo governo Lula busca reduzir custos logísticos, fortalecer a integração sul-americana e ampliar a presença brasileira na Ásia

25 de junho de 2026, 01:22 h

Corredor bioceânico Brasil-Bolívia

Corredor bioceânico Brasil-Bolívia (Foto: Brasil 247 / Dall-E)

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 – O governo federal oficializou nesta quarta-feira (24) a criação do Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, uma iniciativa estratégica para abrir uma nova rota de exportação brasileira em direção à Ásia, por meio de portos no Chile e no Peru.

Segundo informações da Sputnik Brasil, a medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e assinada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O objetivo é fortalecer a integração logística e comercial entre Brasil e Bolívia, ao mesmo tempo em que reduz a dependência das rotas tradicionais de escoamento, especialmente aquelas concentradas no porto de Santos, em São Paulo.

O programa faz parte de uma estratégia mais ampla de integração sul-americana e de diversificação das rotas comerciais brasileiras. A ideia central é criar um corredor terrestre capaz de conectar áreas produtoras do Centro-Oeste, em especial Mato Grosso, aos portos do Pacífico, encurtando o caminho das exportações brasileiras até mercados asiáticos.

Nova rota mira o mercado asiático

A iniciativa é considerada estratégica para ampliar a presença dos produtos brasileiros na Á Ásia, especialmente na China, principal parceiro comercial do Brasil e maior comprador de commodities brasileiras, como soja, carne e minério de ferro.

Com a nova conexão logística, o governo espera tornar as exportações brasileiras mais competitivas, reduzindo custos de transporte e ampliando a capacidade de inserção do país em cadeias globais de comércio. O corredor também pode diminuir a pressão sobre rotas já saturadas e criar uma alternativa relevante ao modelo atual de escoamento, fortemente dependente do eixo atlântico.

Um dos focos do programa é facilitar o transporte da produção de Mato Grosso, maior produtor nacional de soja. A nova rota atravessará a Bolívia até alcançar portos no Pacífico, de onde as cargas poderão seguir para países asiáticos com maior rapidez.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a conexão poderá reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade das exportações brasileiras e criar novas oportunidades de negócios com países asiáticos. "Essa rota fortalece a competitividade do agro brasileiro e amplia o potencial do nosso setor. O programa reforça ainda mais nosso projeto de integração internacional", afirmou a pasta.

Integração com a Bolívia ganha novo impulso

Além de ampliar as exportações para a Ásia, o governo aposta na retomada do dinamismo do comércio bilateral com a Bolívia. Em 2013, as trocas comerciais entre os dois países chegaram a US$ 5,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,6 bilhões. Atualmente, esse fluxo gira em torno de US$ 2,5 bilhões, aproximadamente R$ 13 bilhões.

A expectativa é que o novo corredor ajude a reverter essa queda e estimule novas parcerias produtivas, industriais e logísticas entre os dois países. O programa também deve facilitar a importação de insumos e fertilizantes bolivianos destinados ao agronegócio brasileiro, um ponto considerado relevante para a segurança produtiva do setor.

A aproximação com a Bolívia também reforça a visão de que a integração regional pode gerar benefícios concretos para os países sul-americanos. Ao melhorar a infraestrutura de transporte e ampliar o comércio intrarregional, o corredor Brasil-Bolívia-Pacífico pode contribuir para reduzir gargalos históricos que limitam o potencial econômico da região.

MT-199 será eixo central do corredor

A principal obra pública associada ao projeto é a pavimentação da rodovia MT-199, atualmente em execução pelo governo de Mato Grosso. A estrada conectará o município de Vila Bela da Santíssima Trindade, no oeste mato-grossense, à região de Palmarito, na Bolívia.

Esse trecho é considerado fundamental para viabilizar o corredor terrestre. Ao permitir uma ligação mais eficiente entre o Brasil e o território boliviano, a rodovia deverá funcionar como uma porta de saída para cargas agrícolas e minerais em direção ao Pacífico.

A pavimentação da MT-199 também tende a estimular o desenvolvimento econômico de regiões historicamente menos integradas às grandes rotas logísticas nacionais. Municípios próximos ao traçado poderão se beneficiar da instalação de estruturas de apoio, serviços, terminais e novos investimentos privados.

Setor privado deve investir em logística e armazenamento

Embora a infraestrutura pública seja essencial para a abertura da rota, o governo prevê que parte significativa dos investimentos será conduzida pela iniciativa privada. Armazéns, terminais logísticos, centros de distribuição e unidades industriais deverão ser desenvolvidos à medida que o fluxo comercial pelo corredor se intensifique.

A participação privada será decisiva para transformar o corredor em uma rota economicamente viável e operacionalmente eficiente. A ampliação da capacidade de armazenagem e transbordo será necessária para evitar gargalos e garantir que a nova conexão possa atender ao aumento esperado da movimentação de cargas.

O projeto também pode atrair investimentos em serviços ligados ao comércio exterior, transporte rodoviário, tecnologia logística e processamento industrial. Com isso, a rota tende a ter impactos que vão além do escoamento de commodities, criando oportunidades em diferentes segmentos da economia.

Rota pode encurtar transporte em até 15 dias

Embora os estudos econômicos definitivos ainda estejam em elaboração, estimativas preliminares do governo indicam que a nova rota poderá encurtar em até 15 dias o tempo de transporte para determinados destinos na Ásia.

A redução do prazo é um dos principais atrativos do corredor. Para exportadores brasileiros, especialmente do agronegócio, o ganho de tempo pode representar economia, maior previsibilidade e melhores condições de competição em mercados internacionais.

Além disso, a abertura de uma rota pelo Pacífico pode ampliar a capacidade do Brasil de responder a mudanças no comércio global, diversificando alternativas logísticas e reduzindo riscos associados à concentração em poucos portos ou corredores de exportação.

Corredor reforça estratégia de integração sul-americana

O Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico se insere em uma agenda mais ampla de fortalecimento da infraestrutura regional e de aproximação econômica entre países da América do Sul.

Para o Brasil, a conexão com o Pacífico representa uma oportunidade de reposicionar sua logística internacional, aproximando fisicamente o país dos mercados asiáticos. Para a Bolívia, o corredor pode significar maior integração produtiva, aumento do comércio e atração de investimentos.

A aposta do governo é que a nova rota gere ganhos para ambos os lados, ao combinar exportações brasileiras, importação de insumos bolivianos, obras de infraestrutura e novos negócios privados. Se concretizado, o corredor poderá se tornar um dos principais eixos de integração econômica entre o Brasil, a Bolívia e o mercado asiático.

 

105 anos do PC da China

 105 anos do Partido Comunista da China: fiel aos seus princípios, firme em seu caminho

Viagem a Yan’an revela trajetória do PCCh e legado revolucionário

25 de junho de 2026, 06:24 h

Vista de Yan’an, China

Vista de Yan’an, China (Foto: Oliver Vargas)

Longe da agitação das grandes cidades da China, uma das áreas mais bonitas que se pode visitar é Yan’an, terra sagrada na história revolucionária do país. Foi o que decidi fazer no 105º aniversário da fundação do Partido. A apenas uma hora de Xi’an graças à lendária rede ferroviária de alta velocidade do país, foi aqui que a Longa Marcha chegou ao fim em 1936 e onde o Partido Comunista estabeleceu sua sede para as batalhas seguintes do que se tornaria os anos mais decisivos da guerra e da revolução.

Ao contrário de Xi’an, no entanto, esta pequena cidade tranquila não está tomada por turistas estrangeiros; na verdade, não vi nenhum durante meus dois dias ali. É preciso ser um certo entusiasta da história revolucionária chinesa para ter ouvido falar de Yan’an, algo que me atraiu ao buscar compreender como a China rompeu a prisão da dominação estrangeira e traçou seu próprio caminho de desenvolvimento, uma aspiração histórica dos movimentos populares do meu próprio país, a Bolívia. As questões e críticas ao neocolonialismo levantadas por aqueles revolucionários há 105 anos são as mesmas questões e críticas levantadas por revolucionários em todo o Sul Global.

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Quando se percebe isso, esses locais revolucionários em Yan’an, onde aqueles que fundaram o Partido Comunista tornaram seu sonho realidade, passam a parecer muito mais como patrimônios globais do movimento internacional dos trabalhadores; os sacrifícios do povo chinês durante aquelas lutas brutais tornam-se lições para aqueles de nós na América Latina e além, que enfrentamos as mesmas questões e desafios.

Com isso em mente, enquanto subia as colinas para ver as antigas cavernas que um dia serviram de moradia e sede para a geração fundadora do Partido, não pude deixar de pensar no que aqueles homens e mulheres que se abrigaram ali, muitas vezes com frio e fome, em meio a uma luta de resistência para defender sua nação, diriam das conquistas da China hoje, fruto de seus sacrifícios. Desde então, sob a liderança do Partido Comunista, a China tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza e eliminou completamente a pobreza absoluta há cinco anos, no ano do centenário do Partido. Hoje, é líder global nas tecnologias de ponta e nas indústrias do futuro, além de uma inspiração para os povos do mundo.

Cento e cinco anos após sua fundação, retornar a esses locais oferece uma forma de entender como essa jornada foi possível — e por que um partido centenário pode manter sua vitalidade contra todas as probabilidades.

Para compreender o que aconteceu aqui, é preciso dar um passo atrás. A China do final da dinastia Qing era um país sob dominação colonial: concessões estrangeiras dividiam seu território entre potências ocidentais, tratados comerciais desiguais eram impostos à força, prendendo o país à pobreza e à dependência. A revolução democrática de 1911 derrubou a dinastia, mas não conseguiu completar as transformações necessárias ao país. A China permaneceu fragmentada, rapidamente mergulhando no domínio de senhores da guerra e vulnerável à manipulação externa. Foi nesse vácuo, diante do fracasso da revolução burguesa, que em 1921 um pequeno grupo de trabalhadores e intelectuais fundou o Partido Comunista da China, buscando responder aos desafios históricos do imperialismo, do feudalismo e da reconstrução nacional.

O que começou como um círculo modesto cresceu até se tornar um partido de massas que liderou todo o país durante a guerra de resistência nacional contra a invasão japonesa e, depois, a revolução social. Uma qualidade central desse processo foi algo que está no coração do importante pensamento de Xi Jinping sobre a construção do Partido: a autogovernança plena e rigorosa e a autorreforma como estratégia de longo prazo e prioridade constante. Como base para sustentar sua liderança, o Partido não possui interesses especiais próprios além dos interesses do povo; o Partido assume responsabilidade por suas próprias fileiras, estabelecendo padrões rigorosos de conduta para seus membros, supervisionando o exercício do poder em todos os níveis e corrigindo seus próprios erros antes que se enraízem. Como enfatizou o secretário-geral Xi, a coragem de se engajar em autorreforma e renovação para enfrentar cada desafio conjuntural é a característica que mais claramente distingue o PCCh.

Yan’an é onde a ideia por trás disso tudo se torna tangível. Após a Longa Marcha, o Partido se estabeleceu ali entre 1937 e 1948, e nessas cavernas forjou uma disciplina de autocorreção junto de sua estratégia militar. Visitei o salão onde foi realizado o lendário Sétimo Congresso Nacional, com seus estandartes restaurados e bancos de madeira intactos, e onde o pensamento que emergiu durante o famoso Movimento de Retificação da década de 1940 — uma expressão inicial do esforço para identificar e eliminar erros e adaptar o marxismo à realidade chinesa — tornou-se princípio orientador do Partido.

Essa autorreforma tem sido um hábito inscrito no DNA do Partido desde seus primeiros dias. O que o secretário-geral Xi fez foi elevar esse instinto a uma doutrina sistemática, vinculando a natureza avançada do Partido a uma vigilância permanente sobre si mesmo. Um partido que deixa de examinar sua própria conduta começa a morrer, por mais impressionantes que sejam suas conquistas. Essa convicção molda a forma como as conquistas visíveis em qualquer cidade, vila ou aldeia da China hoje são compreendidas — como a etapa mais recente de uma longa história de luta.

Ao caminhar pelo Museu da Revolução de Yan’an, com suas fotografias de camponeses aprendendo a ler e soldados cultivando suas próprias terras em Nanniwan, percebe-se o outro pilar dessa visão: o vínculo entre o Partido e o povo. O lema daqueles anos — servir o povo — permanece vivo até hoje. Disso vem uma convicção que o secretário-geral Xi frequentemente reafirma: o povo é o verdadeiro mestre de sua história, e um partido que se afasta dele perde sua razão de existir. A autogovernança rigorosa, sob essa ótica, é o mecanismo que mantém a liderança ancorada no povo que lhe confere legitimidade.

Enquanto caminhava pelas ruas de Yan’an, com o som de tambores de cintura vindo da praça próxima preenchendo o ar, e a lendária pagoda da dinastia Tang observando as pessoas do alto das colinas, pensei em todos aqueles que deram suas vidas ali ao longo desses rios: jovens quadros de todas as partes do país que marcharam por meses atravessando as montanhas nevadas de Sichuan para estabelecer essa base, a partir da qual a Nova China foi construída. Apesar desse legado heroico, isso nunca foi uma justificativa para a complacência. Um partido de 105 anos poderia facilmente ter se deleitado com seus sucessos e esquecido o que custou chegar até aqui. A aposta de Xi Jinping na construção do Partido aponta na direção oposta, defendendo que esses próprios sucessos só são garantidos por meio de uma autogovernança e autorreforma ininterruptas, disciplinas que preservam a vitalidade do Partido.

Yan’an, com sua beleza tranquila entre cavernas e bandeiras vermelhas, mostra que a história é feita pelo povo e suas lutas, seus sacrifícios — e que os sonhos antes sussurrados nessas colinas ainda permanecem porque o Partido que os carregou nunca deixou de sustentar esses princípios fundamentais e aplicá-los a cada news rage da história, refazendo-os junto ao povo para enfrentar cada novo desafio.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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Oliver Vargas

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13.6.26

Nicolelis e a democracia representativa

“A democracia representativa está morrendo no mundo todo”, alerta Miguel Nicolelis. Neurocientista afirma que a crise de representação abre espaço para o avanço dos gigantes da inteligência artificial e alerta para riscos à soberania

12 de junho de 2026, 13:47 h

Miguel Nicolelis

Miguel Nicolelis (Foto: Evilyn Guedes)

                 Conteúdo postado por: Dayane Santos

247 -  O médico, neurocientista e professor Miguel Nicolelis, considerado um dos mais importantes cientistas brasileiros da atualidade e uma das principais referências mundiais em neurociência, fez uma análise sobre os riscos que a expansão do poder das gigantes da tecnologia representa para a democracia. Em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, ele afirmou que a democracia representativa atravessa uma crise global e que esse cenário vem sendo explorado pelos principais líderes da indústria da inteligência artificial.

Ao analisar as transformações políticas em curso no mundo, Nicolelis chamou atenção para o afastamento entre representantes políticos e a população, especialmente entre os mais jovens. Segundo ele, a perda de confiança nas instituições democráticas tem se tornado um fenômeno global.

“A democracia representativa está morrendo no mundo todo porque as camadas de jovens estão perdendo a esperança que eles podem ser ouvidos pela classe política. Isso é universal no mundo todo”, frisou.

Para o neurocientista, esse vácuo de representação está criando uma oportunidade para que empresários e grupos ligados ao setor da inteligência artificial ocupem espaços cada vez maiores no debate público e na definição dos rumos da sociedade.

“E os overlords da inteligência artificial estão aproveitando desse vazio, desse vácuo criado pela distância entre os representantes e os representados para entrar no meio e tentar dizer que nós temos que viver sem isso, que é para acabar com a democracia”, argumentou.

Nicolelis afirmou que existe um projeto político por trás do discurso de parte da elite tecnológica mundial. Segundo ele, a proposta seria substituir estruturas democráticas e nacionais por um sistema concentrado de poder.

“Esse é o projeto global desses caras, instituir uma monarquia tecnocrática global, onde não existem nações, não existem governantes locais, não existem culturas locais, porque tudo vai ser homogeneizado segundo o plano deles”, disse.

O cientista também rejeitou a ideia de que a humanidade deva aceitar passivamente um futuro definido pelos grandes conglomerados tecnológicos. Durante a entrevista, ele criticou a narrativa segundo a qual a obsolescência humana diante da inteligência artificial seria inevitável.

“Querem vender que a nossa obsolescência é inevitável que o negócio é basicamente aceitar o destino certo? E nos conformar, não, nada é inevitável, o destino não está definido, não está traçado”, rebateu.

Na avaliação de Nicolelis, a sociedade não delegou aos líderes da tecnologia a responsabilidade de decidir os rumos da humanidade. Por isso, ele defende que as decisões sobre o futuro devam permanecer submetidas ao debate democrático.

“Porque ninguém elegeu esses caras para decidir qual é o nosso futuro, ninguém deu para eles, ninguém deu na mão deles um mandato... eleitoral aí, um cargo para decidir pela humanidade qual é o nosso futuro e quem são eles para decidir o que vai ser que nós vamos fazer ou não vamos fazer”, enfatiza.

Ao comentar uma entrevista concedida por Bill Gates nos Estados Unidos, Nicolelis voltou a questionar a legitimidade das lideranças do setor para falar em nome da população mundial.

“O cara perguntou para o Gates: 'e aí, vai sobrar seres humanos? Os seres humanos vão fazer alguma coisa?. Aí o Gates, do alto da arrogância diz: 'não muita coisa, mas nós vamos decidir'. Nós quem? Não, mas nós quem? Nós quem, cara pálida?, questionou.

Em seguida, reforçou a crítica à concentração de poder nas mãos de um grupo restrito de empresários e investidores: “Quem deu para ele o direito de falar em nome de oito bilhões de pessoas e seus descendentes?”

Além das preocupações políticas, Nicolelis demonstrou preocupação com a concentração de recursos financeiros em projetos ligados à inteligência artificial. Segundo ele, a disputa tecnológica global está impulsionando uma mobilização sem precedentes de capital.

“Essa operação, esse IPO, eu estou definindo como o maior aspirador financeiro da história da humanidade”, afirmou. Para o neurocientista, a captação de dezenas ou centenas de bilhões de dólares por empresas do setor pode gerar impactos significativos sobre a economia mundial.

“Você faz um IPO que você pede dois trilhões de valor da sua empresa para levantar setenta, cem bilhões no mercado. Você está sugando toda a liquidez do mercado”, disse.

Nicolelis defendeu que o futuro não está determinado e que a sociedade ainda pode influenciar os rumos das transformações tecnológicas. Para ele, a principal tarefa dos governos democráticos é reconstruir os canais de diálogo com a população e impedir que decisões estratégicas para a humanidade fiquem concentradas nas mãos de um pequeno grupo de atores econômicos.

  

6.6.26

Stuart Angel Jones

 Stuart Angel terá diploma póstumo pela UFRJ

Estudante morto pela ditadura receberá homenagem da UFRJ em cerimônia no dia 7 de julho

06 de junho de 2026, 08:03 h

Stuart Angel terá diploma póstumo pela UFRJ

Stuart Angel terá diploma póstumo pela UFRJ (Foto: Reprodução)

Conteúdo postado por: Guilherme Levorato

247 - Stuart Angel Jones, estudante de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) morto por agentes da ditadura militar, será homenageado com um diploma póstumo em cerimônia marcada para 7 de julho, às 16h30, no salão dourado da instituição, 55 anos após seu desaparecimento político, informa a Folha de São Paulo.

O anúncio foi feito pelo centro acadêmico que leva o nome de Stuart Angel, aluno do Instituto de Economia da UFRJ. A homenagem busca reconhecer simbolicamente uma trajetória interrompida pela repressão do regime militar, que impediu o jovem de concluir a graduação após ser sequestrado e morto em maio de 1971, aos 25 anos.

A imagem usada para divulgar a diplomação mostra Stuart sorridente, com o braço direito erguido e segurando um canudo de formatura. A cena, no entanto, nunca ocorreu. O estudante foi impedido de concluir o curso depois de ser capturado por agentes da repressão durante o período da ditadura militar, que vigorou entre 1964 e 1985.

Stuart Angel era militante do MR-8, organização armada de resistência ao regime militar, e se tornou um dos desaparecidos políticos mais conhecidos do país. Sua história ganhou repercussão nacional e internacional sobretudo pela atuação de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que denunciou repetidamente a morte do filho e a ocultação de seu corpo.

A irmã de Stuart, a jornalista Hildegard Angel, comentou a homenagem nesta sexta-feira (5) e lembrou que o estudante não pôde completar sua formação universitária por causa da violência de Estado. “Como tantos outros estudantes naqueles anos sombrios, ele não pode concluir seus estudos”, afirmou.

Ao compartilhar a notícia da diplomação póstuma, Hildegard também recordou que Stuart foi assassinado na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Segundo ela, a família segue sem saber o paradeiro dos restos mortais do jovem, “se em terra ou se no mar”.

O caso de Stuart Angel foi relatado à Comissão Nacional da Verdade em 2014 pelo ex-guerrilheiro Alex Polari. De acordo com o depoimento, Stuart foi submetido a tortura até a morte para que revelasse o paradeiro de Carlos Lamarca, ex-capitão do Exército e líder da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária).

Segundo o relato apresentado à comissão, Stuart teve a boca amarrada próxima ao escapamento de um jipe que circulava no pátio da prisão, sendo forçado a inalar gás carbônico. O episódio tornou-se um dos símbolos da brutalidade da repressão contra opositores políticos durante a ditadura militar.

Somente em 2019 a morte de Stuart Angel passou a constar oficialmente em seu atestado de óbito como “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistêmica e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”.

A ausência de informações sobre o corpo do filho levou Zuzu Angel a transformar sua dor em denúncia pública. A estilista procurou autoridades brasileiras e estrangeiras, concedeu entrevistas e levou às passarelas desfiles que chamavam atenção para o desaparecimento de Stuart.

A busca de Zuzu por respostas também foi retratada na música “Angélica”, composta por Chico Buarque e Miltinho um ano depois da morte da estilista, em 1976. Um dos versos da canção afirma: “Só queria embalar meu filho, que mora na escuridão do mar”.

O anúncio da diplomação póstuma foi feito na data em que Zuzu Angel completaria aniversário. Ela nasceu em 5 de junho de 1921 e morreu em um acidente posteriormente atribuído a agentes da ditadura.

Antes de morrer, Zuzu entregou a Chico Buarque um bilhete no qual responsabilizava os mesmos autores da morte de Stuart por qualquer atentado contra sua vida. “Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta, por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”, escreveu.

Em agosto do ano passado, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, entregou à família de Zuzu Angel a certidão de óbito retificada da estilista. O documento passou a informar que sua morte também foi violenta e causada pelo Estado brasileiro.

Para Hildegard Angel, a homenagem a Stuart na UFRJ reafirma a necessidade de preservar a memória das vítimas da ditadura e de manter a busca por respostas sobre os desaparecidos políticos. “Aquele período de chumbo continua a assombrar nossas vidas e a memória do país”, disse.

A irmã de Stuart também afirmou que os sobreviventes carregam a responsabilidade de seguir cobrando verdade e localização dos restos mortais das vítimas. Para ela, “os que ficaram, os que esqueceram de matar”, têm o compromisso de continuar buscando a verdade e os restos mortais dos desaparecidos.

 

Dirceu: pelo fim da escala 6x1

 Dirceu: mobilização pelo fim da escala 6x1 é o fato político mais importante em 20 anos.  Ex-ministro afirma que o engajamento da juventude inaugura uma nova etapa da vida política brasileira e pressiona Congresso e instituições

01 de junho de 2026, 17:56 hAtualizado em 06 de junho de 2026, 05:08 h

Dirceu: mobilização pelo fim da escala 6x1 é o fato político mais importante em 20 anos

Dirceu: mobilização pelo fim da escala 6x1 é o fato político mais importante em 20 anos (Foto: José Cruz/ABr | Agência Câmara)

                 Conteúdo postado por: Dafne Ashton

247 - O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu avalia que o Brasil atravessa uma profunda transformação política e social impulsionada pelo protagonismo de uma nova geração. Em entrevista ao programa Forças do Brasil, da TV 247, ele afirmou que o crescente engajamento da juventude em pautas como o fim da escala de trabalho 6x1 representa um dos fenômenos mais relevantes da história recente do país.

Para Dirceu, o que está em curso vai muito além de uma reivindicação trabalhista. Trata-se do surgimento de novos atores políticos, capazes de influenciar o debate público, pressionar instituições e redefinir prioridades nacionais.

“Estamos vendo uma mudança histórica”, afirmou o dirigente petista ao analisar a entrada da juventude na arena política.

Segundo ele, a mobilização em torno do fim da escala 6x1 revelou uma força social que surpreendeu o sistema político tradicional. O apoio massivo dos jovens à proposta, especialmente nas redes sociais, teria provocado forte repercussão entre deputados e senadores.

“Talvez seja o fato político mais importante dos últimos 20 anos”, declarou.

Na avaliação de Dirceu, o fenômeno demonstra que uma geração que cresceu em meio às transformações digitais passou a ocupar um espaço central na vida política brasileira. Diferentemente de períodos anteriores, essa participação não depende exclusivamente de estruturas partidárias ou sindicais, mas se organiza e se manifesta de forma intensa por meio da internet.

“Os senadores, os deputados ficaram desesperados quando viram a força na internet”, afirmou.

O ex-ministro argumenta que a emergência desse novo protagonismo tem origem nas condições concretas enfrentadas pela juventude nas grandes cidades brasileiras. Longas jornadas de trabalho, salários reduzidos, dificuldades de acesso à moradia e horas perdidas no transporte público criaram um ambiente favorável ao aumento da conscientização política.

“A vida dura real da juventude brasileira nas grandes metrópoles” está por trás desse processo, observou.

Para Dirceu, a defesa de jornadas de trabalho mais humanas reflete uma geração que busca melhores condições para estudar, conviver com a família e construir perspectivas de futuro. Ele ressaltou que muitos jovens possuem formação técnica e universitária, mas encontram dificuldades para ingressar em empregos compatíveis com sua qualificação.

O ex-ministro também destacou a crescente participação feminina na vida pública como um dos elementos centrais da transformação em curso.

“Outra mudança fantástica que está acontecendo no país é a participação da mulher na vida política”, afirmou.

Segundo ele, mulheres e jovens constituem hoje os principais vetores de renovação da sociedade brasileira e tendem a influenciar cada vez mais as decisões políticas e econômicas do país.

Ao analisar os desafios nacionais, Dirceu defendeu que o Brasil mantenha o foco em sua agenda interna e concentre esforços na construção de um projeto de desenvolvimento capaz de enfrentar problemas estruturais. Na sua avaliação, o país precisa avançar na industrialização, ampliar sua autonomia tecnológica e criar condições para um crescimento econômico sustentado.

“O Brasil precisa crescer 5% ou 6% ao ano durante dez anos”, disse.

Para alcançar esse objetivo, ele considera fundamental a construção de uma maioria política comprometida com reformas estruturais e com uma estratégia nacional de desenvolvimento. Sem isso, argumenta, o país corre o risco de permanecer dependente da exportação de commodities e matérias-primas.

Dirceu também afirmou que a discussão sobre o fim da escala 6x1 deve ser compreendida dentro de uma trajetória histórica de ampliação dos direitos trabalhistas. Segundo ele, a redução gradual da jornada de trabalho acompanhou diversas etapas do desenvolvimento brasileiro e a atual mobilização pode representar mais um avanço nesse processo.

Na sua visão, o apoio expressivo da juventude à pauta sinaliza que o país está entrando em uma nova etapa de sua vida política. Uma etapa marcada pelo protagonismo de gerações formadas em um contexto social, tecnológico e cultural distinto daquele vivido pelos atores que dominaram a cena política nas décadas passadas.

Para o ex-ministro, a principal mensagem desse movimento é clara: uma nova geração decidiu participar da política e disputar os rumos do país. E os efeitos dessa mudança, acredita ele, serão sentidos muito além do debate sobre a jornada de trabalho.

 

29.5.26

Traidora da pátria

 Gleisi chama família Bolsonaro de "traidora da pátria" por apoiar ação dos EUA contra o Brasil. Deputada federal afirma que medida de Washington ameaça a soberania nacional e acusa bolsonaristas de incentivar ingerência estrangeira

29 de maio de 2026, 04:10 h

Gleisi Hoffmann e Donald Trump

Gleisi Hoffmann e Donald Trump (Foto:                                                                                                                                                     Joédson Alves/Agência Brasil | Reuters/Evan Vucci)

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 – A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) acusou a família Bolsonaro de agir contra os interesses nacionais ao apoiar a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (28), Gleisi afirmou que os Bolsonaro estariam incentivando uma ingerência estrangeira sobre o Brasil e classificou a postura do grupo político como uma ameaça à soberania nacional.

A manifestação ocorreu após o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o enquadramento das duas facções brasileiras como “organizações terroristas estrangeiras” e “terroristas globais especialmente designados”. Para a parlamentar petista, o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelas instituições brasileiras, sem interferência externa e com respeito à autonomia do país.

"Mais uma vez a família Bolsonaro mostra que são traidores da pátria, festejando uma ingerência dos EUA no Brasil. Não respeitam nem querem que seja respeitada a soberania nacional", escreveu Gleisi.

Mais uma vez a família Bolsonaro mostra que são traidores da pátria, festejando uma ingerência dos EUA no Brasil. Não respeitam nem querem que seja respeitada a soberania nacional. Podem dar o nome que quiserem – terrorismo, máfia, facção – crime é crime, tem de ser combatido. E…

— Gleisi Hoffmann (@gleisi) May 29, 2026

Deputada destaca ações do governo Lula contra as facções

Ao comentar a decisão anunciada por Washington, Gleisi argumentou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem promovendo uma ofensiva consistente contra o crime organizado, com foco especialmente nas estruturas financeiras que sustentam as organizações criminosas.

Segundo a deputada, a estratégia adotada pelo governo federal busca atingir os mecanismos de lavagem de dinheiro e as conexões empresariais utilizadas por facções para movimentar recursos ilícitos.

"Podem dar o nome que quiserem – terrorismo, máfia, facção – crime é crime, tem de ser combatido. E quem mais está se esforçando no combate ao crime organizado no Brasil é o governo do presidente Lula", afirmou.

A parlamentar citou como exemplo a Operação Carbono Oculto II, realizada pelas autoridades brasileiras para desarticular esquemas financeiros ligados ao PCC.

"Com operações que atacam a organização financeira da bandidagem, o andar de cima, que sustenta a criminalidade nos territórios. Foi o que vimos hoje na Operação Carbono Oculto II, que pegou os esquemas do PCC com o sistema financeiro e empresarial para lavagem de dinheiro", destacou.

Na avaliação de Gleisi, o enfrentamento ao crime organizado exige ações estruturais e permanentes, e não iniciativas que possam abrir brechas para interferências externas em assuntos internos do país.

Críticas à postura bolsonarista

A deputada também associou o apoio à medida norte-americana a uma postura de alinhamento automático aos interesses dos Estados Unidos. Sem citar nomes específicos, ela dirigiu suas críticas à família Bolsonaro e aos setores políticos que celebraram a decisão anunciada por Washington.

"Sem demagogia, sem mentiras e sem bater continência para a bandeira dos outros", escreveu.

A declaração reforça uma crítica recorrente feita por lideranças do campo progressista ao bolsonarismo, acusado de buscar apoio internacional para pressionar instituições brasileiras e interferir em questões internas do país.

PEC da Segurança e defesa da soberania

Além de defender as ações já realizadas pelo governo federal, Gleisi aproveitou a discussão para defender a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, considerada estratégica pelo governo Lula para fortalecer o combate ao crime organizado.

"Já temos a Lei Antifacção, precisamos agora terminar de aprovar a PEC da segurança, que fortalece o sistema de segurança pública no Brasil e o enfrentamento dessas facções", afirmou.

Segundo a parlamentar, o fortalecimento das instituições nacionais é fundamental para combater organizações criminosas sem comprometer a soberania brasileira e a capacidade do Estado de decidir sobre seus próprios recursos estratégicos.

"Sem deixar vulneráveis aos interesses estrangeiros nossas riquezas, o petróleo, terras raras, a Amazônia, nossa água", acrescentou.

"Essa investida não é contra o crime, é contra nossa soberania"

Na parte final da publicação, Gleisi elevou o tom das críticas e afirmou que a iniciativa anunciada pelo governo Trump vai além do combate às facções criminosas.

Para ela, a decisão dos Estados Unidos possui implicações geopolíticas que exigem atenção do Brasil.

"Essa investida dos EUA hoje não é contra o crime, é contra nossa soberania, o que está sendo incentivado pelos interesses da família Bolsonaro. Vendilhões. O Brasil não pode se curvar a isso", declarou.

A fala da deputada ocorre em meio ao debate sobre os limites da atuação internacional no enfrentamento ao crime organizado e sobre os impactos políticos da decisão norte-americana. Para Gleisi, o combate às facções deve continuar sendo conduzido pelas autoridades brasileiras, dentro dos marcos da legislação nacional e com preservação da soberania do país.

 

28.5.26

Fim da escala 6x1

Fim da escala 6x1

“É um dia histórico para a classe trabalhadora”, diz líder do PT após aprovação do fim da escala 6x1.

Pedro Uczai celebra PEC da jornada de 40 horas, destaca articulação de Lula e afirma que medida garante mais tempo para família e qualidade de vida

28 de maio de 2026, 04:36 h

Pedro Uczai, uma espécie de cartaz postado pelo deputado nas redes sociais e um protesto pelo fim da escala 6x1 no Brasil

Pedro Uczai, uma espécie de cartaz postado pelo deputado nas redes sociais e um protesto pelo fim da escala 6x1 no Brasil (Foto: Thiago Cristino/Câmara dos Deputados I Letycia Bond/Agência Brasil I Reprodução (X/PedroUczai))

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 – O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), comemorou nesta quarta-feira (27) a aprovação da PEC 221/19, que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6x1, instituindo o modelo 5x2 sem redução salarial. Em discurso no plenário, o parlamentar classificou a votação como uma vitória histórica da classe trabalhadora brasileira.

“É um dia histórico para a classe trabalhadora do nosso país”, afirmou Uczai, ao celebrar a aprovação da proposta, que agora seguirá para análise do Senado Federal.

A PEC aprovada pela Câmara estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e prevê uma transição gradual até a implementação definitiva da jornada de 40 horas semanais. O texto aprovado é resultado de negociações conduzidas entre parlamentares da base governista, partidos do Centrão e lideranças sindicais.

Uczai destaca articulação política de Lula

Durante o pronunciamento, Pedro Uczai atribuiu a aprovação da PEC à articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao diálogo construído entre diferentes forças do Congresso Nacional.

“Foi uma construção política do Presidente Lula, esse grande sindicalista e estadista, junto com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com Alencar Santana (PT-SP) e Léo Prates (Republicanos-BA), nosso relator, junto com este Parlamento. É um grande acordo da democracia para favorecer trabalhadores e trabalhadoras deste país”, declarou.

Segundo o líder petista, a proposta representa um avanço civilizatório nas relações de trabalho e responde a uma demanda crescente da sociedade brasileira por mais equilíbrio entre vida profissional e qualidade de vida.

“Dois dias para viver”, afirma deputado

Em um dos trechos mais enfáticos do discurso, Uczai ressaltou os impactos sociais da mudança constitucional e afirmou que a aprovação da PEC permitirá aos trabalhadores recuperar tempo para a vida pessoal, familiar e educacional.

O parlamentar afirmou que a nova regra garantirá “dois dias para a família, dois dias para a juventude trabalhar e estudar, dois dias para as mulheres descansarem, ficarem com os filhos, dois dias para viver”.

A proposta aprovada estabelece que, dois meses após a promulgação da futura emenda constitucional, os trabalhadores passarão automaticamente a ter direito a dois dias de descanso semanal remunerado. Nesse mesmo prazo, a jornada semanal será reduzida de 44 para 42 horas. A implementação das 40 horas ocorrerá 14 meses após a promulgação da PEC.

Mobilização popular foi decisiva, diz Uczai

Pedro Uczai também atribuiu a vitória à pressão popular nas ruas e nas redes sociais. Segundo ele, a mobilização social foi determinante para consolidar maioria em torno da proposta.

“Graças à mobilização social, graças à mobilização das ruas, graças à mobilização nas redes sociais, alcançamos esta conquista histórica. A luta faz a lei, a mobilização faz a lei mudar”, afirmou.

Nos últimos anos, o debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força em sindicatos, movimentos sociais e entre especialistas em saúde do trabalho, que apontam impactos negativos das jornadas extensas sobre saúde mental, produtividade e convivência familiar.

Líder do PT critica oposição bolsonarista

Durante o discurso, o líder do PT fez duras críticas à extrema-direita e acusou parlamentares da oposição de tentarem obstruir a votação da PEC.

Segundo Uczai, deputados ligados ao bolsonarismo apresentaram propostas que ampliavam o prazo de transição para até dez anos e chegaram a defender jornadas semanais de até 52 horas.

“Perdeu as condições morais para apresentar destaques”, disse o deputado, ao mencionar a posição da bancada do PL, que, segundo ele, reuniu 62 parlamentares contrários ao texto principal na semana anterior à votação.

O petista também criticou propostas defendidas pela oposição, como a implementação imediata da escala 4x3, classificando a iniciativa como “demagogia”.

“Muita mentira, muito proselitismo político”, declarou.

Em outro momento do discurso, Uczai citou divisões internas da extrema-direita e mencionou nominalmente o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“A produtividade aumenta com trabalhadores satisfeitos”

O líder do PT defendeu o equilíbrio do acordo aprovado pela Câmara e afirmou que a transição gradual preserva tanto os interesses dos trabalhadores quanto do setor produtivo.

“Nós vamos cumprir o acordo, porque temos responsabilidade com o setor empresarial e com o setor produtivo, junto com os trabalhadores. O setor produtivo ganha em produtividade, ganha com trabalhadores mais satisfeitos, e ganham as famílias brasileiras”, afirmou.

A PEC também prevê regras específicas para setores essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, além de mecanismos de adaptação para microempreendedores individuais (MEIs), pequenas empresas e contratos terceirizados da administração pública.

Referência bíblica marca encerramento do discurso

Ao final da fala no plenário, Pedro Uczai utilizou uma metáfora religiosa para dimensionar o significado histórico da aprovação da proposta.

“Eu, que fiz quatro anos de teologia, lembro que Deus criou o mundo em seis dias — esse é o primeiro texto da Bíblia — e, no sétimo, descansou, porque o povo escravizado não descansava nem um dia e lutou para conquistar um dia de libertação. Milhares de anos depois, hoje nós conquistamos o 5x2”, declarou.

A proposta agora seguirá para o Senado Federal, onde precisará ser aprovada em dois turnos por três quintos dos senadores para ser promulgada.

 

5.5.26

Adélio: prisão dele é política

 Adélio diz à irmã que a prisão dele é política e não há razão jurídica para continuar no presídio. Protagonista da eleição em 2018, ele entende que, 8 anos depois, nenhuma autoridade está disposta a cumprir a lei e colocá-lo em liberdade ou em hospital

05 de maio de 2026, 15:58 h

Adélio, a irmã e a carta: "Estamos sofrendo"

Adélio, a irmã e a carta: "Estamos sofrendo" (Foto: Reprodução | Joaquim de Carvalho)

Quase oito anos após o episódio que marcou a campanha presidencial de 2018, o caso de Adélio Bispo de Oliveira continua a suscitar controvérsias jurídicas, políticas e humanas no Brasil. Autor do ataque ao então candidato Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG), Adélio permanece custodiado em um presídio federal de segurança máxima, apesar de ter sido considerado inimputável pela Justiça.

Diagnosticado com transtorno delirante persistente, Adélio foi submetido a uma medida de segurança — instrumento jurídico que, em tese, substitui a pena privativa de liberdade por tratamento médico adequado. No entanto, na prática, ele segue em regime de encarceramento rígido, em unidade destinada a criminosos de alta periculosidade, incluindo líderes de facções.

Durante uma recente visita virtual, Adélio conversou com sua irmã, Maria das Graças Ramos de Oliveira, a quem chama de Lia. Segundo relato dela, ele demonstrou lucidez ao comentar sua própria situação jurídica. Disse ter conhecimento de que, à luz da jurisprudência consolidada nos tribunais superiores, deveria estar em tratamento em ambiente hospitalar, e não em uma prisão comum. Tampouco em um presídio de segurança máxima.

Ainda assim, afirmou acreditar que dificilmente sua situação será revista no curto prazo, sobretudo por se tratar de ano eleitoral. A eventual saída de Adélio da prisão poderia ser usada politicamente por aliados do ex-presidente, reforçando narrativas de injustiça ou impunidade e contrapondo sua saída à prisão de Bolsonaro.

Ele não acredita sequer que seja transferido para um hospital, como manda a lei.

Do ponto de vista estritamente jurídico, os advogados da irmã de Adélio, Edna Teixeira e Alfredo Marques, destacam uma contradição: caso tivesse sido condenado por tentativa de homicídio, Adélio possivelmente já teria cumprido pena suficiente para progressão de regime ou até liberdade. Sua permanência por tempo indeterminado em regime fechado, portanto, é vista por eles como um desvio do modelo legal brasileiro, aproximando-se, na prática, de uma prisão perpétua, vedada pela Constituição.

A condução inicial do caso também levanta questionamentos. À época, a defesa de Adélio foi assumida pelo advogado Zanone Júnior, cuja trajetória inclui vínculos com grupos de extrema direita. Foi ele quem solicitou a transferência do cliente para um presídio federal. Atualmente, Adélio é representado pelo defensor público Welmo Rodrigues, que levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

“O Adélio tem que ser tratado. Sua situação viola direitos humanos consagrados”, afirma Rodrigues, destacando que a manutenção do réu em ambiente prisional comum contraria princípios básicos do direito penal e da saúde mental.

Além da situação jurídica, alguns aspectos do episódio de Juiz de Fora continuam sendo alvo de questionamentos e análises. Dois meses antes do atentado, Adélio participou de um curso de tiro no Clube .38, em Santa Catarina, no mesmo dia em que Carlos Bolsonaro também esteve no local. Posteriormente, ambos estiveram próximos novamente em Juiz de Fora.

Outro ponto frequentemente citado diz respeito à atuação da equipe de segurança no dia do ataque. Considerando a gravidade do ocorrido, não é preciso ser perito para concluir que houve falhas significativas na proteção do então candidato.

Ainda assim, integrantes da equipe foram posteriormente promovidos, e três deles passaram a integrar o grupo que auxiliou na estruturação de um núcleo de inteligência conhecido como “Abin Paralela”, investigado pela Polícia Federal por monitoramento ilegal de adversários políticos da família Bolsonaro.

Também chama atenção o fato de que a porta-voz do Clube .38 à época era Júlia Zanatta, que posteriormente assumiu cargo na Embratur durante a gestão do ministro Marcelo Álvaro Antônio e, mais tarde, foi eleita deputada federal por Santa Catarina com apoio da família Bolsonaro.

Esses elementos, embora documentados, não constituem por si só provas de irregularidades ou articulações coordenadas. Ainda assim, são fatos que desafiam explicações claras.

Na visita mais recente, a irmã descreveu Adélio como mais tranquilo e disposto ao diálogo. Segundo ela, ele respondeu perguntas com mais clareza do que em contatos anteriores. Relatou sentir dores na mão, decorrentes de uma queda — informação confirmada pela administração do presídio.

No entanto, um dado preocupa: Adélio afirmou que não tem tomado medicamentos prescritos, por temer ser envenenado, um comportamento compatível com o quadro psiquiátrico diagnosticado.

Entre o direito e a política

A trajetória de Adélio Bispo, desde 2018, evidencia uma zona cinzenta entre o direito, saúde mental e disputa política. Seu caso permanece sem solução definitiva, transitando entre decisões judiciais, debates técnicos e narrativas públicas.

Há três anos, a irmã aguarda decisão da Justiça estadual de Campo Grande sobre seu pedido para ser curadora de Adélio. Há alguns meses, o Ministério Público do Mato Grosso do Sul se manifestou no sentido de que a Justiça acate o pleito de Maria das Graças, mas a titular da vara onde o processo tramita já deu mostras de que não tem pressa.

Sem acesso à imprensa — proibido judicialmente de conceder entrevistas —, Adélio permanece isolado, enquanto sua situação segue sendo discutida em instâncias nacionais e internacionais.

O episódio de Juiz de Fora, por sua vez, teve impacto direto no cenário político brasileiro. O próprio Jair Bolsonaro já sugeriu em vídeo que o atentado foi um fator decisivo para sua eleição naquele ano.

Ao se aproximar de um churrasqueiro com uma facada grande, Bolsonaro disse que, se o esfaqueasse, o elegeria “presidente” da ONU. Esse reconhecimento reforça a dimensão histórica do caso, ao mesmo tempo em que suscita perguntas. Pode ter sido auto atentado? A Polícia Federal não trabalhou nessa linha.

Hoje, Adélio Bispo pode ser visto por diferentes setores sob perspectivas distintas: para alguns, um paciente que deveria estar em tratamento; para outros, uma figura central em um episódio da política recente que beneficiou a extrema direita.

Entre essas visões, Adélio permanece em um limbo jurídico e político que ainda exige respostas definitivas, o que não impede de um dos filhos de Jair Bolsonaro, Flávio, mostrar disposição de explorar politicamente o caso

Quando houve o tiroteio em Washington, próximo de Donald Trump, Flávio, indicado pelo pai para concorrer à Presidência, declarou:

“Tentar tirar a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia. Que Deus nos proteja desse tipo de violência lá ou aqui no Brasil”.

A fala é apenas um elemento de retórica, porque, além de Flávio abrigar em seu gabinete parentes de um matador no Rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega, o próprio Jair Bolsonaro, dois dias antes do evento de Juiz de Fora, declarou, em um comício em Rio Branco, no Acre:

“Vamos fuzilar a petralhada”.

A violência, portanto, é intrínseca à trajetória da família Bolsonaro.

Joaquim de Carvalho

Colunista do 247, foi subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa). E-mail: joaquim@brasil247.com.br

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2.5.26

AMBULÂCIAS DE ARAÇATUB

Nesta última segunda-feira (27), a cidade de Presidente Prudente foi palco de um evento de extrema relevância para a saúde pública da região. O Governo Federal realizou uma visita oficial para a entrega de novos equipamentos e veículos que prometem fortalecer o atendimento de urgência e emergência em dezenas de municípios paulistas.

O presidente Lula não esteve presente e foi representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que liderou a cerimônia de distribuição de ambulâncias do SAMU e ônibus para diversas prefeituras.

Entre as cidades beneficiadas, Araçatuba foi contemplada com duas novas ambulâncias para reforçar o socorro imediato à sua população. O recebimento desses veículos representa não apenas um incremento patrimonial, mas a garantia de vidas salvas e um atendimento mais digno aos cidadãos que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

No entanto, um fato gerou estranheza e desconforto entre as autoridades e o público presente: o prefeito de Araçatuba não compareceu ao evento. Mais do que a ausência dele, chamou a atenção o fato de que a administração muicipal não enviou nenhum representante oficial para receber as chaves das ambulâncias destinadas ao município.

Enquanto outros prefeitos da região celebraram a conquista e a parceria com a União, o espaço reservado a Araçatuba permaneceu vazio.

Este cenário levanta uma reflexão necessária sobre as prioridades da gestão pública. A ausência em um ato de entrega de benefícios diretos à população sugere que, em determinados contextos, as divergências políticas ou interesses particulares do prefeito são colocados acima dos interesses sociais.

Quando um gestor abdica de participar de um momento institucional de conquista para sua cidade, ele demonstra que o orgulho político pesa mais do que a necessidade de quem aguarda por uma ambulância na porta de casa.

"A política deve ser um instrumento de servir ao povo, e não um palco para vaidades ou boicotes que prejudicam o interesse coletivo."

 É lamentável observar que o interesse do município e a urgência da população em ter uma saúde mais eficiente acabam ficando em segundo plano.