Entenda
como Mbappé desafia o tempo e mantém velocidade de 37,6 km/h oito anos depois
da Copa da Rússia
Sono,
recuperação e treinamento específico ajudam o atacante francês a preservar uma
explosão física considerada fora do comum no futebol mundial
Conteúdo
postado por:Redação
Brasil 247Publicado em 14 de julho de 2026 às 07:42♥Apoie o 247
MbappéCrédito: Brasil247 / Dall-E
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247 — Oito anos depois de protagonizar uma
das arrancadas mais impressionantes da história recente das Copas do Mundo,
Kylian Mbappé continua sendo praticamente inalcançável quando encontra espaço
para acelerar. Aos 27 anos, o atacante francês chegou a 37,6 km/h no Mundial de
2026 e demonstrou que sua principal arma física permanece tão devastadora
quanto na histórica campanha da França na Rússia, em 2018.
As
informações foram publicadas pelo jornal peruano El Comercio, que
detalhou como a combinação de características naturais, treinamento específico,
controle dos movimentos, alimentação e uma dedicação quase obsessiva ao sono
permite ao jogador conservar um nível extraordinário de explosão física.
A imagem que
apresentou Mbappé definitivamente ao mundo aconteceu nas oitavas de final da
Copa da Rússia, contra a Argentina. Ainda com 19 anos, ele percorreu cerca de
70 metros conduzindo a bola, atingiu uma velocidade próxima de 37 km/h, deixou
a defesa argentina para trás e sofreu o pênalti que abriu caminho para a
vitória francesa por 4 a 3.
O lance foi
tão impactante que Mbappé passou a ser chamado de “37” dentro do vestiário da
seleção francesa. Fora dele, ganhou uma comparação ainda mais curiosa.
O ex-campeão
mundial do salto triplo Teddy Tamgho afirmou que os apoios do atacante
lembravam os de “um pequeno canguru”, devido à elasticidade com que Mbappé toca
o solo, projeta o corpo e volta a se impulsionar.
O mais
surpreendente é que, oito anos depois, quando muitos jogadores começam a perder
parte da explosão característica da juventude, Mbappé segue chegando antes dos
adversários.
Velocidade
de Mbappé não depende apenas do talento natural
A manutenção
desse desempenho não é fruto do acaso. Mbappé construiu uma preparação voltada
especificamente à preservação da velocidade, levando em consideração suas
características musculares, sua forma de correr e a exigência de repetir
sprints durante os jogos.
“A
velocidade não é apenas inata; exige muito trabalho específico”, explicou o
próprio jogador em entrevista ao jornal francês L’Équipe.
Segundo
Mbappé, até mesmo a recuperação de uma lesão muscular foi planejada de acordo
com seu perfil de fibras musculares, em vez de seguir um protocolo convencional
aplicado indistintamente a outros jogadores de futebol.
Esse cuidado
personalizado ajuda a explicar por que o francês não apenas preservou sua
velocidade máxima, mas também conseguiu aperfeiçoar a maneira de utilizá-la.
No Mundial
de 2026, Mbappé alcançou 37,6 km/h, segundo dados atribuídos à Fifa. A marca o
colocou acima de outros jogadores conhecidos pela força e pela explosão, como
Achraf Hakimi e Erling Haaland, ambos registrados a 35,6 km/h, e Lamine Yamal,
que chegou a 35,5 km/h.
A
biomecânica de uma arrancada fora do comum
Especialistas
em atletismo acompanham há anos a técnica de corrida de Mbappé. Stéphane
Caristan, ex-campeão europeu dos 110 metros com barreiras, destacou a posição
natural da pelvis do atacante durante o sprint, a frequência elevada dos apoios
e a forma como ele “raspa” o solo a cada passada.
Essa
técnica, comum entre velocistas do atletismo, permite que Mbappé transfira
força para o chão sem perder estabilidade. Cada contato com o gramado funciona
como o ponto de partida para uma nova aceleração.
Ele não
corre apenas em alta velocidade. Seu diferencial está em continuar produzindo
impulso a cada passada.
A principal
vantagem do francês, porém, não está necessariamente na velocidade máxima. Ela
aparece sobretudo nos primeiros metros.
Teddy Tamgho
considera extraordinária a capacidade do jogador de gerar velocidade quase
imediatamente, graças à coordenação entre pés, tronco e quadril. No futebol de
alto nível, essa característica pode ser ainda mais importante do que alcançar
a maior marca possível em linha reta.
A maioria
das arrancadas decisivas em uma partida não ultrapassa 30 metros. Dessa forma,
o atleta que acelera primeiro conquista uma vantagem que dificilmente será
recuperada pelo marcador.
Quando
Mbappé inicia o sprint, muitas jogadas já estão praticamente definidas antes
que o defensor alcance sua própria velocidade máxima.
Mbappé
aprendeu a desacelerar para finalizar melhor
O atacante
de 2026, no entanto, não joga exatamente como o jovem que encantou o mundo em
2018. Durante sua passagem pelo Paris Saint-Germain, ele compreendeu que a
velocidade também precisa ser controlada.
Sob o
comando do técnico Mauricio Pochettino, Mbappé trabalhou a desaceleração nos
momentos anteriores à finalização. O objetivo era permitir que o corpo
recuperasse equilíbrio e precisão antes do chute.
O próprio
atacante relatou que aprendeu a reduzir ligeiramente o ritmo ao entrar na área.
Chegar para finalizar a 37 km/h ou 38 km/h dificultava a execução do último
movimento técnico.
Hoje, Mbappé
seleciona melhor os momentos de acelerar, frear ou mudar de direção. Essa
administração do esforço transformou sua velocidade em uma ferramenta mais
eficiente e menos previsível.
A evolução
mostra que o jogador não está apenas tentando correr cada vez mais rápido. Ele
busca correr melhor, no instante correto e com domínio suficiente para decidir
a jogada.
Treinamento
prioriza explosão e repetição de sprints
A preparação
física do francês também se transformou ao longo dos anos. As sessões
específicas incluem acelerações curtas, mudanças bruscas de direção, exercícios
de reação e aperfeiçoamento da técnica de corrida.
O objetivo
já não é simplesmente aumentar a velocidade máxima. O foco está na capacidade
de repetir ações explosivas durante toda a partida, mantendo eficiência e
precisão mesmo sob desgaste.
“Tudo se
decide na arrancada”, afirmou Mbappé ao resumir a filosofia que orienta boa
parte de seu trabalho físico.
Essa ideia
está ligada à realidade do futebol moderno, no qual pequenos espaços e frações
de segundo podem definir um gol. A explosão inicial permite atacar as costas
dos defensores, alcançar lançamentos aparentemente longos e criar vantagem
antes que a marcação consiga reagir.
Ao mesmo
tempo, a repetição de sprints exige um sistema muscular bem preparado e um
processo de recuperação rigoroso.
Sono
virou parte fundamental do treinamento de Mbappé
Fora de
campo, um hábito ocupa lugar central na longevidade física de Mbappé: o sono.
Profissionais
que trabalharam com o atacante relatam que ele protege seus períodos de
descanso com o mesmo rigor dedicado à alimentação e aos treinamentos. O jogador
já destacou publicamente a importância de dormir bem e se recuperar
adequadamente.
Para Mbappé,
a velocidade depende diretamente de um sistema neuromuscular descansado. Quando
o corpo não se recupera, os reflexos ficam mais lentos, a coordenação pode ser
prejudicada e a capacidade de produzir força diminui.
No futebol
de elite, em que diferenças mínimas podem separar um gol de um desarme, uma
noite de sono de qualidade pode ter impacto comparável ao de uma sessão de
academia.
O descanso,
portanto, não representa uma pausa no treinamento. Ele integra o próprio
processo de preparação.
A disciplina
se torna ainda mais importante em competições como a Copa do Mundo, nas quais
partidas decisivas se acumulam em intervalos curtos e o desgaste físico e
mental aumenta a cada rodada.
Alimentação
e hidratação sustentam desempenho físico
A dieta do
atacante acompanha essa lógica de preservação do corpo. Sua alimentação é
baseada em proteínas magras, carboidratos complexos, frutas, verduras e
hidratação constante.
Mbappé
também limita o consumo de bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados. A
meta é oferecer ao organismo os nutrientes necessários para recuperar músculos,
repor energia e manter baixo o nível de inflamação.
A nutrição,
contudo, não funciona isoladamente. Em seu entorno, a avaliação é de que
nenhuma sessão de musculação consegue compensar uma recuperação deficiente.
Por essa
razão, o sono passou a ocupar um espaço quase sagrado dentro de sua rotina.
Alimentação, hidratação, descanso e treinamento são tratados como partes
inseparáveis de um mesmo projeto esportivo.
A preparação
é planejada para que o corpo consiga responder tanto no início da temporada
quanto nos momentos mais importantes do calendário, especialmente quando uma
Copa do Mundo chega à sua reta decisiva.
O desafio
de continuar sendo o mais rápido
Na Rússia,
em 2018, Mbappé impressionou porque parecia correr mais rápido do que todos os
outros jogadores. Em 2026, o assombro ocorre por uma razão diferente: depois de
oito anos, ele continua fazendo praticamente a mesma coisa.
Entre uma
Copa e outra, houve milhares de horas de treinamento, recuperação, análise
biomecânica, alimentação controlada e noites de sono protegidas.
A velocidade
que inicialmente parecia apenas um presente natural tornou-se um projeto
permanente de carreira.
Mbappé
entendeu que correr mais rápido do que os adversários não depende somente do
que acontece quando o estádio está cheio e a bola começa a rolar. Sua vantagem
também é construída longe das câmeras, durante as sessões específicas de
treinamento e, principalmente, quando as luzes se apagam e começa o processo de
recuperação.