5.5.26

Adélio: prisão dele é política

 Adélio diz à irmã que a prisão dele é política e não há razão jurídica para continuar no presídio. Protagonista da eleição em 2018, ele entende que, 8 anos depois, nenhuma autoridade está disposta a cumprir a lei e colocá-lo em liberdade ou em hospital

05 de maio de 2026, 15:58 h

Adélio, a irmã e a carta: "Estamos sofrendo"

Adélio, a irmã e a carta: "Estamos sofrendo" (Foto: Reprodução | Joaquim de Carvalho)

Quase oito anos após o episódio que marcou a campanha presidencial de 2018, o caso de Adélio Bispo de Oliveira continua a suscitar controvérsias jurídicas, políticas e humanas no Brasil. Autor do ataque ao então candidato Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG), Adélio permanece custodiado em um presídio federal de segurança máxima, apesar de ter sido considerado inimputável pela Justiça.

Diagnosticado com transtorno delirante persistente, Adélio foi submetido a uma medida de segurança — instrumento jurídico que, em tese, substitui a pena privativa de liberdade por tratamento médico adequado. No entanto, na prática, ele segue em regime de encarceramento rígido, em unidade destinada a criminosos de alta periculosidade, incluindo líderes de facções.

Durante uma recente visita virtual, Adélio conversou com sua irmã, Maria das Graças Ramos de Oliveira, a quem chama de Lia. Segundo relato dela, ele demonstrou lucidez ao comentar sua própria situação jurídica. Disse ter conhecimento de que, à luz da jurisprudência consolidada nos tribunais superiores, deveria estar em tratamento em ambiente hospitalar, e não em uma prisão comum. Tampouco em um presídio de segurança máxima.

Ainda assim, afirmou acreditar que dificilmente sua situação será revista no curto prazo, sobretudo por se tratar de ano eleitoral. A eventual saída de Adélio da prisão poderia ser usada politicamente por aliados do ex-presidente, reforçando narrativas de injustiça ou impunidade e contrapondo sua saída à prisão de Bolsonaro.

Ele não acredita sequer que seja transferido para um hospital, como manda a lei.

Do ponto de vista estritamente jurídico, os advogados da irmã de Adélio, Edna Teixeira e Alfredo Marques, destacam uma contradição: caso tivesse sido condenado por tentativa de homicídio, Adélio possivelmente já teria cumprido pena suficiente para progressão de regime ou até liberdade. Sua permanência por tempo indeterminado em regime fechado, portanto, é vista por eles como um desvio do modelo legal brasileiro, aproximando-se, na prática, de uma prisão perpétua, vedada pela Constituição.

A condução inicial do caso também levanta questionamentos. À época, a defesa de Adélio foi assumida pelo advogado Zanone Júnior, cuja trajetória inclui vínculos com grupos de extrema direita. Foi ele quem solicitou a transferência do cliente para um presídio federal. Atualmente, Adélio é representado pelo defensor público Welmo Rodrigues, que levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

“O Adélio tem que ser tratado. Sua situação viola direitos humanos consagrados”, afirma Rodrigues, destacando que a manutenção do réu em ambiente prisional comum contraria princípios básicos do direito penal e da saúde mental.

Além da situação jurídica, alguns aspectos do episódio de Juiz de Fora continuam sendo alvo de questionamentos e análises. Dois meses antes do atentado, Adélio participou de um curso de tiro no Clube .38, em Santa Catarina, no mesmo dia em que Carlos Bolsonaro também esteve no local. Posteriormente, ambos estiveram próximos novamente em Juiz de Fora.

Outro ponto frequentemente citado diz respeito à atuação da equipe de segurança no dia do ataque. Considerando a gravidade do ocorrido, não é preciso ser perito para concluir que houve falhas significativas na proteção do então candidato.

Ainda assim, integrantes da equipe foram posteriormente promovidos, e três deles passaram a integrar o grupo que auxiliou na estruturação de um núcleo de inteligência conhecido como “Abin Paralela”, investigado pela Polícia Federal por monitoramento ilegal de adversários políticos da família Bolsonaro.

Também chama atenção o fato de que a porta-voz do Clube .38 à época era Júlia Zanatta, que posteriormente assumiu cargo na Embratur durante a gestão do ministro Marcelo Álvaro Antônio e, mais tarde, foi eleita deputada federal por Santa Catarina com apoio da família Bolsonaro.

Esses elementos, embora documentados, não constituem por si só provas de irregularidades ou articulações coordenadas. Ainda assim, são fatos que desafiam explicações claras.

Na visita mais recente, a irmã descreveu Adélio como mais tranquilo e disposto ao diálogo. Segundo ela, ele respondeu perguntas com mais clareza do que em contatos anteriores. Relatou sentir dores na mão, decorrentes de uma queda — informação confirmada pela administração do presídio.

No entanto, um dado preocupa: Adélio afirmou que não tem tomado medicamentos prescritos, por temer ser envenenado, um comportamento compatível com o quadro psiquiátrico diagnosticado.

Entre o direito e a política

A trajetória de Adélio Bispo, desde 2018, evidencia uma zona cinzenta entre o direito, saúde mental e disputa política. Seu caso permanece sem solução definitiva, transitando entre decisões judiciais, debates técnicos e narrativas públicas.

Há três anos, a irmã aguarda decisão da Justiça estadual de Campo Grande sobre seu pedido para ser curadora de Adélio. Há alguns meses, o Ministério Público do Mato Grosso do Sul se manifestou no sentido de que a Justiça acate o pleito de Maria das Graças, mas a titular da vara onde o processo tramita já deu mostras de que não tem pressa.

Sem acesso à imprensa — proibido judicialmente de conceder entrevistas —, Adélio permanece isolado, enquanto sua situação segue sendo discutida em instâncias nacionais e internacionais.

O episódio de Juiz de Fora, por sua vez, teve impacto direto no cenário político brasileiro. O próprio Jair Bolsonaro já sugeriu em vídeo que o atentado foi um fator decisivo para sua eleição naquele ano.

Ao se aproximar de um churrasqueiro com uma facada grande, Bolsonaro disse que, se o esfaqueasse, o elegeria “presidente” da ONU. Esse reconhecimento reforça a dimensão histórica do caso, ao mesmo tempo em que suscita perguntas. Pode ter sido auto atentado? A Polícia Federal não trabalhou nessa linha.

Hoje, Adélio Bispo pode ser visto por diferentes setores sob perspectivas distintas: para alguns, um paciente que deveria estar em tratamento; para outros, uma figura central em um episódio da política recente que beneficiou a extrema direita.

Entre essas visões, Adélio permanece em um limbo jurídico e político que ainda exige respostas definitivas, o que não impede de um dos filhos de Jair Bolsonaro, Flávio, mostrar disposição de explorar politicamente o caso

Quando houve o tiroteio em Washington, próximo de Donald Trump, Flávio, indicado pelo pai para concorrer à Presidência, declarou:

“Tentar tirar a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia. Que Deus nos proteja desse tipo de violência lá ou aqui no Brasil”.

A fala é apenas um elemento de retórica, porque, além de Flávio abrigar em seu gabinete parentes de um matador no Rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega, o próprio Jair Bolsonaro, dois dias antes do evento de Juiz de Fora, declarou, em um comício em Rio Branco, no Acre:

“Vamos fuzilar a petralhada”.

A violência, portanto, é intrínseca à trajetória da família Bolsonaro.

Joaquim de Carvalho

Colunista do 247, foi subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa). E-mail: joaquim@brasil247.com.br

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2.5.26

AMBULÂCIAS DE ARAÇATUB

Nesta última segunda-feira (27), a cidade de Presidente Prudente foi palco de um evento de extrema relevância para a saúde pública da região. O Governo Federal realizou uma visita oficial para a entrega de novos equipamentos e veículos que prometem fortalecer o atendimento de urgência e emergência em dezenas de municípios paulistas.

O presidente Lula não esteve presente e foi representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que liderou a cerimônia de distribuição de ambulâncias do SAMU e ônibus para diversas prefeituras.

Entre as cidades beneficiadas, Araçatuba foi contemplada com duas novas ambulâncias para reforçar o socorro imediato à sua população. O recebimento desses veículos representa não apenas um incremento patrimonial, mas a garantia de vidas salvas e um atendimento mais digno aos cidadãos que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

No entanto, um fato gerou estranheza e desconforto entre as autoridades e o público presente: o prefeito de Araçatuba não compareceu ao evento. Mais do que a ausência dele, chamou a atenção o fato de que a administração muicipal não enviou nenhum representante oficial para receber as chaves das ambulâncias destinadas ao município.

Enquanto outros prefeitos da região celebraram a conquista e a parceria com a União, o espaço reservado a Araçatuba permaneceu vazio.

Este cenário levanta uma reflexão necessária sobre as prioridades da gestão pública. A ausência em um ato de entrega de benefícios diretos à população sugere que, em determinados contextos, as divergências políticas ou interesses particulares do prefeito são colocados acima dos interesses sociais.

Quando um gestor abdica de participar de um momento institucional de conquista para sua cidade, ele demonstra que o orgulho político pesa mais do que a necessidade de quem aguarda por uma ambulância na porta de casa.

"A política deve ser um instrumento de servir ao povo, e não um palco para vaidades ou boicotes que prejudicam o interesse coletivo."

 É lamentável observar que o interesse do município e a urgência da população em ter uma saúde mais eficiente acabam ficando em segundo plano. 

30.4.26

A derrota é de Alcolumbre

 Attuch: a derrota é de Alcolumbre, não de Messias

Jornalista afirma que governo Lula sofreu revés no Senado, mas destaca capacidade de reação e rejeita tese de colapso político

30 de abril de 2026, 06:38 h

Leonardo Attuch, em entrevista ao jornalista Breno Altman

Leonardo Attuch, em entrevista ao jornalista Breno Altman (Foto: Reprodução Youtube)

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 – A derrota de Jorge Messias no Senado, após sua indicação ao Supremo Tribunal Federal pelo presidente Lula, abriu uma nova fase de tensão política em Brasília. Em análise publicada na TV 247 nesta quinta-feira (30), o jornalista Leonardo Attuch afirma que, embora o episódio represente um revés para o governo, não significa nem o fim da gestão Lula nem o colapso de um projeto de reeleição.

Segundo Attuch, a leitura predominante na imprensa exagera as consequências da votação no Senado. Ele reconhece que houve fragilidade momentânea, mas ressalta que o governo dispõe de instrumentos políticos para reagir.

"Eu acho que o Messias sai de cabeça erguida desse processo. Não foi derrotado por nenhuma falta de qualidade jurídica, pelo contrário, foi derrotado pelos seus méritos", afirmou.

Para o jornalista, a derrota não deve ser interpretada como um sinal definitivo de enfraquecimento estrutural do governo. Ao contrário, ele sustenta que o episódio expõe mais diretamente o papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e suas articulações políticas.

"A sociedade brasileira ontem descobriu que o Senado Federal é presidido por um gangster", disse, em crítica à condução do processo.

Attuch avalia que a movimentação liderada por Alcolumbre teria sido motivada por interesses políticos ligados ao caso Banco Master, sugerindo que o senador estaria sob pressão.

"Qual é o medo do Alcolumbre? O Alcolumbre está completamente enrolado, na minha opinião, no caso Master", declarou.

A análise também aponta a participação de Flávio Bolsonaro nas articulações de bastidores. Segundo Attuch, haveria um esforço político mais amplo para proteger aliados envolvidos no caso.

"Nos bastidores ele é o político que está prometendo uma espécie de proteção a todos os indicados no caso Master", afirmou.

De acordo com o jornalista, Alcolumbre teria sinalizado que não aceitará novas indicações do governo Lula ao Supremo antes das eleições, apostando em uma eventual mudança no cenário político em 2026. Ainda assim, Attuch reforça que o governo não ficará passivo diante desse movimento.

"O governo Lula vai dizer que faz parte da democracia, que tudo isso é natural, que o Senado é soberano, como disse o próprio Messias, mas tem muitos instrumentos para agir", afirmou.

Ele destaca que o cenário tende a combinar uma aparência pública de conciliação com disputas intensas nos bastidores.

"Na aparência vai haver uma certa aparência de conciliação, mas vai ter muita puxada de faca nos bastidores", disse.

Na avaliação final, Attuch sustenta que o episódio não representa uma derrota estratégica do governo Lula, mas sim um ponto de inflexão no jogo político, com possíveis consequências para o próprio Alcolumbre e para setores da direita nas próximas eleições.

 

19.4.26

Bolsomaster: o escândalo atinge o coração da direita Editoriais

                  Ibaneis Rocha e Paulo Henrique Costa

                 Ibaneis Rocha e Paulo Henrique Costa

Bolsomaster: o escândalo atinge o coração da direita

A prisão de Paulo Henrique Costa leva a Ibaneis Rocha e pode atingir também Flávio Bolsonaro

19 de abril de 2026, 05:04 h

A prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, abre um novo episódio na crônica de falcatruas encenada em torno do Banco Master.

PH, como é conhecido, está agora no complexo penitenciário da Papuda. Antes do comandante supremo da organização, ele é o último elo da cadeia de interesses responsável pelo rombo no banco, estimado em mais de 60 bilhões de reais, o maior da história do país.

Partiu da Globo a manobra do PowerPoint que buscava implicar Lula e o PT. Ela naufragou, explicitando que mais uma vez há interesses dispostos a tudo para impedir nova vitória de Lula e do PT nas eleições.

O caminho das responsabilidades que vêm sendo apuradas pelo Supremo Tribunal Federal e pela Polícia Federal conduz ao sentido oposto.

As investigações indicam na direção do chefe de PH, o ex-governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, apoiador de Jair Bolsonaro. Apontam ainda para o ex-presidente golpista Michel Temer, que indicou PH ao cargo. Relacionam na lista dos beneficiários da farra o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República.

Para entender a gravidade do que está em jogo, é preciso seguir o rastro do empréstimo do BRB a Flávio — e, neste caso, ele leva à mansão de 6 milhões de reais (há avaliações de que, na verdade, o imóvel vale 14 milhões) no Lago Sul, em Brasília.

Foi para adquirir esse imóvel de luxo que Flávio Bolsonaro obteve crédito com taxas e volume sem garantias. O senador, que construiu sua carreira política na esteira do discurso antipetista e de combate à corrupção, recebeu um tratamento diferenciado de um banco público cujo presidente havia sido indicado justamente por Michel Temer.

E onde entra Ibaneis Rocha nessa engrenagem? Como governador do Distrito Federal à época, ele dificilmente não tinha conhecimento da compra de carteiras de crédito fraudulentas, estimadas em R$ 12 bilhões, originadas pelo banco de Daniel Vorcaro. O investimento simplesmente virou fumaça na teia de fraudes que agora começa a ser desmontada pela Justiça. Ibaneis chancelou a nomeação do indicado de Temer. As fraudes e favorecimentos se deram à custa do roubo das pensões de funcionários que trabalharam durante décadas para o Distrito Federal.

É preciso chegar ao cabeça da organização existente na conexão entre o Banco Master e o BRB. Para isso, os investigadores contam com uma provável delação premiada de PH.

Há, porém, um contraponto necessário. O Banco Central, sob a presidência de Gabriel Galípolo — nomeado pelo presidente Lula —, e o Ministério da Fazenda de Fernando Haddad agiram com lisura exemplar. Foi Galípolo quem barrou a operação de compra do Master pelo BRB, uma manobra que teria transferido ao contribuinte um ativo falido, criando um prejuízo bilionário ao país.

O mesmo Banco Central, alinhado ao comando ético de Lula, decretou a intervenção extrajudicial no Banco Master, evitando um colapso financeiro sistêmico. Sem essa atitude firme, o estrago seria incomensuravelmente maior.

Sob o governo de Ibaneis, o BRB transformou-se em balcão de negócios privados da elite política. As investigações apontam para ramificações do escândalo em vários estados, atingindo parlamentares ligados ao Centrão e governadores bolsonaristas.

Ibaneis vem oscilando entre o silêncio e a defesa de Vorcaro. Não há explicação para o fato de ele ainda seguir solto diante das evidências de sua ascendência sobre o esquema. É questão de tempo.

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

 

 

18.4.26

O Povo Brasileiro bomba na China

 Livro de Darcy Ribeiro bomba na China. Versão chinesa de ‘O Povo Brasileiro’ entra para os mais vendidos poucos dias após lançamento

18 de abril de 2026, 10:59 h

     Versão chinesa de 'O Povo Brasileiro', de Darcy Ribeiro

Versão chinesa de 'O Povo Brasileiro', de Darcy Ribeiro (Foto: Reprodução/X/@ShiIsabela)

Conteúdo postado por: Guilherme Levorato

247 - A versão chinesa de O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, entrou na lista de novidades mais vendidas em um dos principais sites de livrarias online da China poucos dias após o lançamento. O desempenho da obra evidencia o interesse do público chinês pela diversidade cultural, social e histórica do Brasil, tema central do livro.

A reportagem é da jornalista Isabela Chi, que destaca o impacto da publicação no mercado editorial chinês e seu papel no fortalecimento das relações culturais entre os dois países. O lançamento oficial ocorreu em 9 de abril, em Pequim, com a presença de autoridades e representantes do setor cultural.

Durante a cerimônia, o embaixador do Brasil na China, Marcos Galvão, ressaltou a relevância da obra para compreender o país. Segundo ele, o livro ajuda a explicar como o Brasil, apesar de sua diversidade racial, cultural e geográfica, mantém uma identidade nacional coesa.

Em mensagem em vídeo, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a importância da publicação no contexto do Ano Cultural China-Brasil 2026. Ela manifestou a expectativa de que a obra estimule novas reflexões e conexões entre os dois países.

O presidente da Fundação Darcy Ribeiro, José da Cunha, afirmou ter se emocionado com o lançamento, resultado de cerca de dois a três anos de trabalho. A iniciativa envolveu esforços conjuntos de diferentes setores da sociedade brasileira e chinesa.

A edição chinesa foi publicada pela Blossom Press, que tem como objetivo apresentar de forma sistemática o pensamento latino-americano ao público local. A proposta editorial busca ampliar o acesso a conteúdos que ajudem a compreender melhor a região.

Responsável pela tradução, Yan Qiaorong, professora de português com duas décadas de experiência, explicou que adaptou o texto com base no retorno de seus alunos. O objetivo foi tornar a leitura mais fluida e acessível, especialmente para jovens chineses interessados no Brasil.

Ela destacou ainda a importância do intercâmbio cultural no cenário atual. “Agora a China tem essa iniciativa de diálogo de civilizações, e para estabelecer esse diálogo, a primeira fase é quebrar a barreira de entendimento”, afirmou. Segundo a tradutora, o aprofundamento do conhecimento mútuo é essencial para fortalecer a relação entre os países.

A antropóloga brasileira Gisele Moreira, colaboradora de Darcy Ribeiro e participante do processo de elaboração da obra, também tem contribuído para a difusão do livro. Ela vem realizando palestras em universidades de Pequim e Xangai, apresentando a estudantes chineses os conceitos centrais do trabalho.

Considerado um dos principais estudos sobre a formação da sociedade brasileira, O Povo Brasileiro foi desenvolvido ao longo de cerca de 30 anos por Darcy Ribeiro. O interesse recente do público chinês reforça a relevância contemporânea da obra e amplia sua projeção internacional.

 

17.4.26

Dilma dez anos depois

 Dez anos depois, Dilma está firme e de pé – e os golpistas desmoralizados. Golpeada pelos políticos mais inescrupulosos do País, ela hoje escreve um capítulo importante da construção do mundo multipolar

17 de abril de 2026, 05:52 hAtualizado em 17 de abril de 2026, 05:54 h

             A presidenta do NDB, Dilma Rousseff, durante a plenária da COP

A presidenta do NDB, Dilma Rousseff, durante a plenária da COP (Foto: Paulo Mumia/COP30)

Dez anos depois da sessão que marcou o golpe de Estado contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, a história começa já foi reescrita não apenas pelos fatos, mas pela força incontornável da realidade. O tempo, juiz implacável, tratou de reposicionar personagens, desmontar farsas e expor as motivações que estavam por trás de um dos episódios mais sombrios da democracia brasileira.

Dilma Rousseff, a vítima central daquele processo, não apenas resistiu ao julgamento distorcido da história imediata, como se reergueu em uma dimensão ainda maior. Hoje, à frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco dos BRICS, em Xangai, ela ocupa uma posição estratégica no momento mais decisivo da geopolítica contemporânea: a transição para um mundo multipolar.

Em um cenário de declínio relativo do poder unipolar dos Estados Unidos e de fortalecimento de novos polos econômicos e políticos, o NDB surge como instrumento concreto de financiamento ao desenvolvimento fora das amarras tradicionais impostas por instituições como o FMI e o Banco Mundial. Dilma, nesse contexto, tornou-se uma das vozes mais relevantes na defesa de um novo paradigma global, baseado em soberania, cooperação e desenvolvimento compartilhado.

Enquanto isso, os arquitetos do golpe seguem uma trajetória inversa — a da desmoralização pública e histórica.

O PSDB, que durante décadas se apresentou como uma alternativa de poder no Brasil, foi praticamente destruído a partir da aventura política liderada por Aécio Neves. Incapaz de aceitar o resultado das urnas em 2014, Aécio abriu as portas para uma escalada de radicalização que culminaria no impeachment sem crime de responsabilidade. O partido que no passado foi protagonista da política nacional transformou-se em uma legenda residual, sem identidade e sem relevância.

Eduardo Cunha foi o símbolo mais acabado do submundo da política que tomou o centro do palco naquele período. Foi ele quem conduziu a sessão infame de 17 de abril de 2016, operando o processo com motivações pessoais e interesses nada republicanos. Sua posterior prisão e condenação por corrupção apenas confirmaram o que já era evidente: o golpe foi articulado sob a liderança de personagens comprometidos com o crime.

Michel Temer, que assumiu a presidência após a queda de Dilma, também não escapou do desgaste histórico. Seu governo, marcado por medidas impopulares e pela implementação de uma agenda regressiva, o transformou num dos políticos mais impopulares da história do País, ainda que apreciado pela Faria Lima. Sua trajetória agora pode ganhar novos contornos à luz de investigações recentes envolvendo o banco Master, que começa a revelar conexões perigosas entre o sistema financeiro e figuras do poder político.

O contraste não poderia ser mais eloquente. De um lado, uma líder política que foi afastada sem crime comprovado, mas que retorna ao centro do cenário global como protagonista de uma nova ordem internacional. De outro, os responsáveis por sua queda, cada vez mais associados a práticas condenáveis, derrotas políticas e irrelevância histórica.

A história, afinal, não absolve arbitrariedades. Ela as expõe.

Dilma Rousseff está de pé. E mais do que isso: está no lugar certo, na hora certa, contribuindo para a construção de um mundo mais equilibrado, onde países em desenvolvimento possam trilhar seus próprios caminhos sem tutelas externas.

Já os golpistas, dez anos depois, enfrentam o destino que costuma ser reservado àqueles que conspiram contra a democracia: o da desmoralização e da lata de lixo da História.

Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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13.4.26

Não tenho medo do governo Trump

 "Não tenho medo do governo Trump", rebate Papa Leão XIV. Papa Leão XIV afirma que seguirá defendendo a paz e o diálogo internacional após críticas do presidente dos Estados Unidos

13 de abril de 2026, 07:01 h

               Papa Leão 14 fala com jornalistas sobre guerra contra Irã -  7 de abril de 2026

Papa Leão 14 fala com jornalistas sobre guerra contra Irã - 7 de abril de 2026 (Foto: Guglielmo Mangiapane)

Conteúdo postado por: Guilherme Levorato

247 - O Papa Leão XIV respondeu às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que não teme o governo norte-americano e que seguirá defendendo a paz e o diálogo internacional, destacando que sua missão está centrada nos valores do Evangelho e não em disputas políticas. A declaração foi feita durante voo para a Argélia.

O pontífice falou a jornalistas enquanto se deslocava de Roma para a África e reagiu diretamente às críticas feitas por Trump em uma publicação nas redes sociais. O presidente norte-americano havia classificado o Papa como “liberal demais” e questionado sua atuação.

Durante a conversa com a imprensa, Leão XIV foi enfático ao afirmar: “Não tenho medo do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, que acredito ser o que estou aqui para fazer, o que a Igreja está aqui para fazer”. Ele também ressaltou a diferença entre o papel da Igreja e o da política institucional: “Não somos políticos, não lidamos com assuntos externos sob a mesma perspectiva que ele pode compreender, mas acredito na mensagem do Evangelho como promotor da paz”.

O Papa também evitou ampliar o confronto direto com o líder americano. Em declaração à agência Reuters, afirmou: “Não quero entrar em um debate com ele”. Na mesma linha, criticou o uso indevido da mensagem cristã: “Não acredito que a mensagem do Evangelho deva ser usada de forma indevida como algumas pessoas estão fazendo”.

Reforçando seu posicionamento, Leão XIV destacou que continuará atuando contra conflitos armados e em defesa da cooperação internacional. “Vou continuar me posicionando de forma firme contra a guerra, buscando promover a paz, incentivando o diálogo e relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”, disse.

Ao abordar o cenário global, o pontífice chamou atenção para o sofrimento causado por guerras: “Muitas pessoas estão sofrendo no mundo hoje. Muitas pessoas inocentes estão sendo mortas. E acredito que alguém precisa se levantar e dizer que há um caminho melhor”

Ele concluiu reafirmando a essência de sua atuação religiosa: “A mensagem da Igreja, a minha mensagem, a mensagem do Evangelho: bem-aventurados os pacificadores. Não vejo meu papel como político, como um homem político”.

As declarações do Papa ocorrem após críticas públicas de Donald Trump. Em postagem na rede Truth Social, o presidente afirmou que Leão XIV deveria ser “grato” por sua eleição e sugeriu que sua escolha teria sido influenciada pela nacionalidade americana. Trump também declarou a jornalistas que “não é um grande fã” do pontífice, classificando-o como “muito liberal” e questionando suas posições sobre segurança e política internacional.

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