Irã
rejeita proposta de cessar-fogo e diz que Estados Unidos não merecem confiança.
Chancelaria iraniana diz que “nenhuma pessoa racional” aceitaria esse tipo de
acordo e critica negociações sob ameaça
06 de abril
de 2026, 06:57 h
Imagem
ilustrativa de bandeiras dos EUA e do Irã - 18/06/2025 (Foto: REUTERS/Dado
Ruvic)
Conteúdo
postado por: Guilherme
Levorato
247 - O governo do Irã rejeitou uma
proposta de cessar-fogo relacionada à campanha militar conduzida por Estados
Unidos e Israel, afirmando que a iniciativa não oferece garantias reais de
segurança e pode servir apenas como pausa estratégica para novas ofensivas. A
posição foi apresentada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores,
Esmaeil Baqaei, em coletiva realizada nesta segunda-feira (6), conforme
informou a agência Tasnim News.
Baqaei
destacou que prazos ou pressões não devem comprometer as ações de defesa do
país. Ele argumentou que experiências anteriores demonstram que cessar-fogos
muitas vezes funcionam como intervalos para reorganização militar antes de
novos ataques, e afirmou que “nenhuma pessoa racional” aceitaria esse tipo de
dinâmica. Segundo ele, o Irã exige que suas demandas sejam respeitadas, ao
mesmo tempo em que busca evitar ciclos repetitivos de guerra e trégua.
O porta-voz
também criticou o papel das Nações Unidas, afirmando que a organização
frequentemente atua como instrumento de potências globais. Diante disso,
ressaltou que, em questões de segurança nacional, o Irã precisa garantir
medidas que impeçam a continuidade de agressões externas.
Sobre a
proposta de cessar-fogo em discussão, Baqaei declarou que a posição iraniana já
foi expressa anteriormente. Ele mencionou que, dias antes, um plano com 15
pontos foi apresentado por intermediários, mas considerado “excessivo e
irracional” pelo governo iraniano. Ainda assim, afirmou que o país elaborou
suas próprias condições, alinhadas aos interesses nacionais.
O
representante enfatizou que o Irã não evita apresentar suas demandas legítimas
e esclareceu que expressar posições não deve ser interpretado como sinal de
recuo. Ele destacou ainda que, enquanto as Forças Armadas iranianas seguem
atuando, a diplomacia também desempenha papel essencial.
Baqaei
afirmou que os critérios do país são baseados em seus interesses nacionais, na
segurança e nas decisões do povo iraniano. Segundo ele, a posição do governo
permanece clara e pronta para ser comunicada quando necessário.
Ao comentar
a atuação de mediadores, o porta-voz afirmou que a troca de posições não é
incomum, mas criticou negociações realizadas sob ameaça. Ele declarou que
dialogar diante de ultimatos e crimes de guerra é inadequado, especialmente
quando há intensificação das ações militares por parte do adversário.
O porta-voz
classificou como crime de guerra as ameaças feitas pelos Estados Unidos contra
a infraestrutura iraniana, além de acusar Washington de permitir ataques a
alvos civis. Ele afirmou que qualquer país envolvido em tais ações deve ser
responsabilizado e alertou que a colaboração com os Estados Unidos, nesse
contexto, deve ser considerada passível de investigação.
Em resposta
a declarações de autoridades norte-americanas sobre a intensificação de ataques
simultaneamente à abertura de negociações, Baqaei afirmou que as ações dos EUA
no último ano comprometeram sua credibilidade diplomática. Ele citou, como
exemplo, a saída do país de cerca de 70 acordos e documentos internacionais nos
últimos meses, classificando isso como quebra de confiança e desrespeito às
normas internacionais.