Gleisi chama família Bolsonaro de "traidora da pátria" por apoiar ação dos EUA contra o Brasil. Deputada federal afirma que medida de Washington ameaça a soberania nacional e acusa bolsonaristas de incentivar ingerência estrangeira
29 de maio
de 2026, 04:10 h
Gleisi Hoffmann e Donald Trump (Foto:
Joédson Alves/Agência Brasil |
Reuters/Evan Vucci)
Conteúdo postado por: Redação Brasil 247
247 – A deputada federal Gleisi Hoffmann
(PT-PR) acusou a família Bolsonaro de agir contra os interesses nacionais ao
apoiar a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da
Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em
publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (28), Gleisi afirmou que os
Bolsonaro estariam incentivando uma ingerência estrangeira sobre o Brasil e
classificou a postura do grupo político como uma ameaça à soberania nacional.
A
manifestação ocorreu após o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, anunciar o enquadramento das duas facções brasileiras como “organizações
terroristas estrangeiras” e “terroristas globais especialmente designados”.
Para a parlamentar petista, o combate ao crime organizado deve ser conduzido
pelas instituições brasileiras, sem interferência externa e com respeito à
autonomia do país.
"Mais
uma vez a família Bolsonaro mostra que são traidores da pátria, festejando uma
ingerência dos EUA no Brasil. Não respeitam nem querem que seja respeitada a
soberania nacional", escreveu Gleisi.
Mais uma vez
a família Bolsonaro mostra que são traidores da pátria, festejando uma
ingerência dos EUA no Brasil. Não respeitam nem querem que seja respeitada a
soberania nacional. Podem dar o nome que quiserem – terrorismo, máfia, facção –
crime é crime, tem de ser combatido. E…
— Gleisi
Hoffmann (@gleisi) May 29, 2026
Deputada
destaca ações do governo Lula contra as facções
Ao comentar
a decisão anunciada por Washington, Gleisi argumentou que o governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem promovendo uma ofensiva consistente
contra o crime organizado, com foco especialmente nas estruturas financeiras
que sustentam as organizações criminosas.
Segundo a
deputada, a estratégia adotada pelo governo federal busca atingir os mecanismos
de lavagem de dinheiro e as conexões empresariais utilizadas por facções para
movimentar recursos ilícitos.
"Podem
dar o nome que quiserem – terrorismo, máfia, facção – crime é crime, tem de ser
combatido. E quem mais está se esforçando no combate ao crime organizado no
Brasil é o governo do presidente Lula", afirmou.
A
parlamentar citou como exemplo a Operação Carbono Oculto II, realizada pelas
autoridades brasileiras para desarticular esquemas financeiros ligados ao PCC.
"Com
operações que atacam a organização financeira da bandidagem, o andar de cima,
que sustenta a criminalidade nos territórios. Foi o que vimos hoje na Operação
Carbono Oculto II, que pegou os esquemas do PCC com o sistema financeiro e
empresarial para lavagem de dinheiro", destacou.
Na avaliação
de Gleisi, o enfrentamento ao crime organizado exige ações estruturais e
permanentes, e não iniciativas que possam abrir brechas para interferências
externas em assuntos internos do país.
Críticas
à postura bolsonarista
A deputada
também associou o apoio à medida norte-americana a uma postura de alinhamento
automático aos interesses dos Estados Unidos. Sem citar nomes específicos, ela
dirigiu suas críticas à família Bolsonaro e aos setores políticos que
celebraram a decisão anunciada por Washington.
"Sem
demagogia, sem mentiras e sem bater continência para a bandeira dos
outros",
escreveu.
A declaração
reforça uma crítica recorrente feita por lideranças do campo progressista ao
bolsonarismo, acusado de buscar apoio internacional para pressionar
instituições brasileiras e interferir em questões internas do país.
PEC da
Segurança e defesa da soberania
Além de
defender as ações já realizadas pelo governo federal, Gleisi aproveitou a
discussão para defender a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição da
Segurança Pública, considerada estratégica pelo governo Lula para fortalecer o
combate ao crime organizado.
"Já
temos a Lei Antifacção, precisamos agora terminar de aprovar a PEC da
segurança, que fortalece o sistema de segurança pública no Brasil e o
enfrentamento dessas facções", afirmou.
Segundo a
parlamentar, o fortalecimento das instituições nacionais é fundamental para
combater organizações criminosas sem comprometer a soberania brasileira e a
capacidade do Estado de decidir sobre seus próprios recursos estratégicos.
"Sem
deixar vulneráveis aos interesses estrangeiros nossas riquezas, o petróleo,
terras raras, a Amazônia, nossa água", acrescentou.
"Essa
investida não é contra o crime, é contra nossa soberania"
Na parte
final da publicação, Gleisi elevou o tom das críticas e afirmou que a
iniciativa anunciada pelo governo Trump vai além do combate às facções
criminosas.
Para ela, a
decisão dos Estados Unidos possui implicações geopolíticas que exigem atenção
do Brasil.
"Essa
investida dos EUA hoje não é contra o crime, é contra nossa soberania, o que
está sendo incentivado pelos interesses da família Bolsonaro. Vendilhões. O
Brasil não pode se curvar a isso", declarou.
A fala da
deputada ocorre em meio ao debate sobre os limites da atuação internacional no
enfrentamento ao crime organizado e sobre os impactos políticos da decisão
norte-americana. Para Gleisi, o combate às facções deve continuar sendo
conduzido pelas autoridades brasileiras, dentro dos marcos da legislação
nacional e com preservação da soberania do país.