15.2.26

Orgias de Vorcaro entram no radar da PF

 Orgias de Vorcaro entram no radar da PF e investigação avalia se encontros se conectam a suspeitas de corrupção. A presença nesses ambientes pode servir, segundo a apuração, como indício de proximidade e intimidade entre o banqueiro e autoridades

15 de fevereiro de 2026, 06:21 h

Orgias de Vorcaro entram no radar da PF e investigação avalia se encontros se conectam a suspeitas de corrupção

Orgias de Vorcaro entram no radar da PF e investigação avalia se encontros se conectam a suspeitas de corrupção (Foto: Divulgação)

Conteúdo postado por: Laís Gouveia

247 - A Polícia Federal passou a adotar um critério técnico — e não moral — para analisar um dos pontos mais sensíveis da investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e o banco Master: a realização de encontros sexuais com a presença de empresários, políticos e outras figuras públicas. As informações foram divulgadas pelo jornalista Guilherme Amado, em reportagem publicada neste domingo (15).

Segundo a apuração, os investigadores deixaram claro que a simples participação em orgias não configura crime e, isoladamente, não é motivo para abertura de inquérito. A conduta, por si só, não é objeto de persecução penal. O foco da PF está na eventual conexão desses encontros com práticas ilícitas sob investigação.

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A existência das orgias já consta em relatório encaminhado ao ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso. No documento, a corporação afirma que as reuniões faziam parte de uma engrenagem mais ampla, classificada como um possível esquema sofisticado de corrupção. De acordo com o entendimento atual da PF, o tema só ganha relevância criminal quando os encontros se relacionam com outros fatos apurados no inquérito, como decisões administrativas suspeitas, favorecimentos indevidos, tráfico de influência ou corrupção. A linha divisória entre a esfera privada e o interesse público estaria justamente na eventual utilização desses eventos como instrumento para criar vínculos estratégicos.

Nos casos em que agentes públicos ou pessoas com poder decisório participaram de eventos custeados por Vorcaro, os investigadores analisam se houve uso de recursos financeiros, bens ou serviços como forma de aproximação e possível facilitação de ilícitos. 

A presença nesses ambientes pode servir, segundo a apuração, como indício de proximidade e intimidade entre o banqueiro e autoridades. Para a PF, os encontros não são tratados como fato isolado, mas como um possível ativo relacional utilizado para ampliar influência. 

Esse elemento é examinado em conjunto com transferências financeiras, contratos, troca de mensagens e demais provas reunidas no inquéritoA estratégia adotada pela corporação busca evitar interpretações de caráter moral sobre a vida privada dos envolvidos, concentrando a investigação em eventuais desvios de recursos ou práticas ilícitas. 

O avanço do caso dependerá da comprovação de vínculos concretos entre os encontros e atos administrativos ou decisões que possam ter beneficiado interesses privadosA apuração segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, enquanto a PF consolida provas e define se pedirá a abertura de novos inquéritos contra agentes públicos citados no relatório

 

8.2.26

Não há nos EUA quem pare Trump

 Miguel Nicolelis: "Não há nos EUA quem pare Trump". Neurocientista Nicolelis diz que mecanismos de freios e contrapesos foram corroídos e relata ausência de oposição efetiva ao presidente dos Estados Unidos

03 de fevereiro de 2026, 18:34 h

Miguel Nicolelis

Miguel Nicolelis (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)

Conteúdo postado por: Dafne Ashton

247 - O médico, neurocientista e pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis afirmou que os Estados Unidos atravessam um processo acelerado de corrosão institucional e que não existe, hoje, uma força política ou institucional capaz de conter Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos. Segundo ele, mecanismos apresentados historicamente como garantias de estabilidade democrática foram ultrapassados em curto espaço de tempo, sem que houvesse uma reação proporcional por parte das instituições ou da oposição.

As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247. 

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Ao analisar o cenário político norte-americano, Nicolelis destacou o que considera o elemento mais alarmante do momento atual: a ausência de resistência efetiva. “O que mais assusta é a falta de qualquer reação concreta, de qualquer oposição real. Os democratas no Congresso, na prática, não fazem diferença”, afirmou. Para ele, essa inação contribui para a consolidação de decisões que, em outros períodos, encontrariam barreiras institucionais mais sólidas.

Nicolelis lembrou que a democracia dos Estados Unidos sempre foi apresentada como um sistema protegido por freios e contrapesos. “Os americanos sempre se orgulharam de dizer que a democracia deles era muito segura porque existia um sistema de checks and balances”, disse. Em seguida, enumerou os pilares desse modelo: “a Suprema Corte, o Congresso como única instância capaz de aprovar despesas e autorizar guerras”. Na avaliação do pesquisador, porém, esse arranjo foi esvaziado: “Tudo isso foi atropelado em um período muito curto, de forma inacreditável, com uma profundidade que corroeu esses mecanismos”.

O neurocientista afirmou que a velocidade das mudanças surpreende inclusive pessoas experientes do meio acadêmico e político. “Quando converso com professores universitários e pessoas do mundo privado, ninguém consegue acreditar no que está acontecendo”, relatou. Segundo ele, há um sentimento generalizado de perplexidade diante do enfraquecimento das estruturas institucionais que, até recentemente, eram vistas como sólidas.

Em relatos pessoais, Nicolelis disse alertar amigos nos Estados Unidos sobre a gravidade da situação. “Eu digo: ‘Você está sendo ingênuo. Eu já vi esse filme e sei como ele termina. Isso está acontecendo agora’”, contou. Para o pesquisador, a dificuldade de reconhecer o processo em curso contribui para a ausência de uma resposta organizada e eficaz.

Ao sintetizar sua análise, Nicolelis foi categórico ao avaliar as possibilidades de contenção do atual governo. “Não há nos Estados Unidos quem pare Trump”, afirmou. Segundo ele, a combinação entre a fragilização dos freios institucionais e a falta de uma oposição atuante criou um ambiente em que decisões são tomadas sem o controle que, no passado, caracterizava o sistema político norte-americano.

Para o cientista, o problema central não se resume a episódios isolados, mas a um movimento estrutural que avança rapidamente. A seu ver, a erosão dos mecanismos de equilíbrio institucional, somada à ausência de resistência efetiva, define um cenário que marca uma inflexão profunda no funcionamento da democracia dos Estados Unidos.