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Kamala Harris condena agressão

 

Kamala Harris condena agressão de Trump à Venezuela e denuncia roubo de petróleo. Vice-presidente afirma que ofensiva é “ilegal e imprudente”, acusa motivação ligada ao petróleo e alerta para risco de guerra sem plano de saída

04 de janeiro de 2026, 04:45 h

Kamala Harris discursa  na Howard University em Washington

Kamala Harris discursa na Howard University                                                                   Washington (Foto: Kevin Lamarque / Reuters)

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247 – A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, criticou duramente a atuação do presidente Donald Trump na Venezuela e afirmou que a ofensiva não melhora a vida dos norte-americanos nem fortalece a segurança do país. Em declaração pública, Harris disse que “as ações de Donald Trump na Venezuela não tornam a América mais segura, mais forte ou mais acessível”, apontando que a operação representa um risco militar, político e econômico sem qualquer benefício concreto para a população dos Estados Unidos.

Logo no início de sua manifestação, Kamala reconheceu a gravidade do regime venezuelano, mas rejeitou o argumento usado para justificar a intervenção. “O fato de Maduro ser um ditador brutal e ilegítimo não muda o fato de que essa ação foi ilegal e imprudente”, afirmou, sustentando que o episódio repete padrões históricos de intervenções que terminam em caos e geram custos internos elevados.

“Já vimos esse filme antes”, diz Harris ao comparar com guerras por mudança de regime

Ao enquadrar a operação como um roteiro repetido, Harris fez um alerta direto sobre o histórico de intervenções vendidas como demonstrações de força, mas que produzem instabilidade prolongada. “Nós já vimos esse filme antes. Guerras por mudança de regime ou por petróleo que são vendidas como força, mas se transformam em caos — e as famílias americanas pagam o preço”, declarou.

A vice-presidente também afirmou que a população está exausta de narrativas oficiais que prometem ganhos estratégicos, mas geram frustração. “O povo americano não quer isso, e está cansado de ser enganado”, disse, sugerindo que a insistência em aventuras externas contraria a vontade da maioria e aprofunda a descrença na política externa conduzida pela Casa Branca.

“Não é sobre drogas ou democracia. É sobre petróleo”, afirma a vice-presidente

O ponto mais incisivo do pronunciamento de Harris foi a acusação de que a ofensiva não tem como motivação real o combate às drogas nem a defesa da democracia. “Isso não é sobre drogas ou democracia. É sobre petróleo e o desejo de Donald Trump de se colocar como o homem forte regional”, disparou.

Na sequência, ela apontou contradições do presidente ao questionar a coerência moral do discurso oficial. Harris afirmou que, se Trump realmente se preocupasse com drogas e democracia, “ele não perdoaria um traficante de drogas condenado” nem “colocaria de lado a oposição legítima da Venezuela enquanto busca acordos com os aliados de Maduro”.

Ao mencionar “traficante condenado” e “acordos com aliados de Maduro”, Harris sugeriu que a Casa Branca estaria operando uma política ambígua: ao mesmo tempo em que promove ações agressivas, abriria espaço para negociações que enfraquecem atores democráticos internos e beneficiam interesses específicos.

Risco militar, custo bilionário e ausência de justificativa legal

Kamala Harris também elevou o tom ao afirmar que Trump está expondo militares a perigo e comprometendo recursos públicos sem base jurídica clara ou estratégia de encerramento. “O presidente está colocando tropas em risco, gastando bilhões, desestabilizando uma região e oferecendo nenhuma autoridade legal, nenhum plano de saída e nenhum benefício em casa”, afirmou.

A crítica atinge três pilares essenciais: legitimidade, viabilidade e impacto doméstico. Ao dizer que não há “autoridade legal” nem “plano de saída”, Harris atribui à operação um caráter improvisado e potencialmente inconstitucional. Ao afirmar que não há “benefício em casa”, ela reforça a ideia de que a política externa estaria sendo conduzida em detrimento das urgências econômicas enfrentadas pelos trabalhadores norte-americanos.

“A América precisa de liderança que coloque o povo em primeiro lugar”

Em sua conclusão, Harris deslocou o debate para as prioridades internas e afirmou que os Estados Unidos precisam de um governo concentrado em reduzir custos, fortalecer alianças e respeitar o Estado de Direito. “A América precisa de uma liderança cujas prioridades sejam reduzir custos para as famílias trabalhadoras, fazer cumprir o Estado de Direito, fortalecer alianças e — o mais importante — colocar o povo americano em primeiro lugar”, disse.

O pronunciamento amplia a pressão política sobre Trump ao enquadrar a crise na Venezuela como uma escolha que, na visão da vice-presidente, sacrifica estabilidade internacional e segurança militar para atender interesses estratégicos e pessoais. Ao mesmo tempo, Harris tenta posicionar uma alternativa de política externa baseada em alianças, legalidade e foco doméstico — um contraste direto com o que ela classifica como uma intervenção “ilegal e imprudente”.

Com isso, a vice-presidente lança uma das críticas mais severas já feitas a Trump sobre a Venezuela, ao mesmo tempo em que aponta o risco de que uma ação sem transparência e sem objetivo definido produza não apenas instabilidade regional, mas também custos duradouros para o próprio povo norte-americano.

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