Jandira dá lição a Tabata: antissionismo não é crime.
Deputada
condenou o projeto de Tabata que pode censurar quem critica o estado de Israel
04 de abril
de 2026, 20:20 hAtualizado em 04 de abril de
Jandira Feghali e Tabata Amaral (Foto:
Câmara dos Deputados)
Conteúdo postado por: Redação Brasil 247
247 - A deputada federal Jandira Feghali
(PCdoB-RJ) entrou no debate sobre antissemitismo e antissionismo neste sábado
para fazer uma distinção que considera fundamental ao debate público
brasileiro. Segundo a parlamentar, confundir os dois conceitos representa uma
tentativa de censura e de criminalização de posições políticas legítimas — uma
crítica direta ao Projeto de Lei nº 1.424, de 2026, apresentado pela deputada
Tabata Amaral (PSB-SP), que define antissemitismo com base nos critérios da
Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) - na prática, a
proposta criminaliza críticas ao estado de Israel, denunciado na Corte
Internacional de Justiça pelo crime de genocídio contra palestinos na Faixa de
Gaza.
Segundo Jandira,
a distinção entre os dois conceitos é inegociável. "Não aceitamos
distorções: antissemitismo é crime, é ódio contra o povo judeu — e deve ser
combatido sem hesitação. Já o antissionismo é uma posição política, uma crítica
legítima a um projeto de Estado", escreveu Jandira, estabelecendo uma
linha clara entre o preconceito étnico e a discordância política em relação ao
Estado de Israel.
A deputada
do PCdoB foi além e apontou o que classifica como um movimento deliberado para
embaralhar os dois conceitos com o objetivo de restringir o debate político.
"Confundir essas duas coisas é tentar impor censura, calar o debate e
criminalizar quem denuncia injustiças", declarou. Para ela, a estratégia
busca transformar críticas a governos em acusações de preconceito para blindar
determinadas políticas de Estado de qualquer questionamento público.
Jandira
também alertou para os riscos dessa confusão conceitual para a liberdade de
expressão. "Não vamos permitir que transformem crítica política em
preconceito para proteger governos e silenciar vozes", afirmou a
parlamentar, que encerrou a publicação reforçando sua posição com uma frase de
síntese: "Clareza é fundamental: combater o antissemitismo sempre,
defender o direito à crítica política também."
A
manifestação de Jandira Feghali ocorre em um momento de acirramento do debate
sobre os limites entre crítica política e discurso de ódio no Brasil,
especialmente diante das discussões em torno do projeto de Tabata Amaral. A
proposta gerou reações de parlamentares de diferentes espectros políticos, com
parte da esquerda argumentando que a definição adotada pela IHRA pode ser usada
para criminalizar posicionamentos contrários às ações do governo israelense,
sobretudo no contexto da guerra em Gaza.