Governo Lula inclui trens para passageiros em nova carteira de projetos ferroviários
Estão
previstos sete novos trechos ferroviários para cargas, integração urbana,
turismo e transporte regional, com pelo menos dois projetos podendo ir a leilão
ainda em 2026
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postado por:Aquiles
LinsPublicado em 20 de setembro de 2026 às 07:53♥Apoie o 247
Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia de entrega dos Lotes 4 e 5 da
Ferrovia Transnordestina, em Quixeramobim – CE, 02.07.2026.Crédito: Ricardo
Stuckert/PR
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247 – O governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva apresentou ao mercado sete novos projetos ferroviários de curta
extensão, incluindo trechos com potencial para o transporte de passageiros. A
carteira abrange seis estados e o Distrito Federal, e a expectativa do
Ministério dos Transportes é levar pelo menos dois projetos a leilão até o fim
deste ano.
Segundo
informações da Folha
de S.Paulo, os projetos foram apresentados a empresas e bancos durante
evento realizado em São Paulo. As ferrovias atravessam áreas das regiões Sul,
Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste e poderão atender desde o escoamento de
produtos agrícolas e minerais até deslocamentos regionais de passageiros.
Entre as
propostas, ganha destaque a ligação entre Brasília e Luziânia (GO), com
60,5 quilômetros, projetada para o transporte regional de passageiros. Em Minas
Gerais, o trecho General Carneiro-Miguel Burnier, de 92 quilômetros, combina
potencial para minério e siderurgia com vocação turística.
Na Paraíba,
a ligação ferroviária entre Campina Grande e Cabedelo, com 163,2
quilômetros, é apresentada como corredor logístico multimodal com possibilidade
de integração urbana.
Sete
trechos entram na carteira
A lista
apresentada pelo Ministério dos Transportes também contempla importantes
corredores de cargas. No Rio Grande do Sul, o trecho de 108 quilômetros entre
Cruz Alta e Santo Ângelo tem potencial para transportar soja, milho e
fertilizantes. A ligação Santo Ângelo-Santa Rosa, de 65 quilômetros, busca
integrar cooperativas e volumes transportados na região.
Em Goiás, a
ferrovia entre Roncador Novo e Jardim Ingá terá 245 quilômetros e potencial de
conexão com porto seco. Já o trecho Aguaí-Bauxita, entre São Paulo e Minas
Gerais, terá 75,4 quilômetros e poderá integrar-se à rede ferroviária paulista.
O governo
ainda não definiu quais dos sete projetos serão os primeiros a avançar para os
leilões previstos para este ano.
Empresas
terão dois anos para apresentar projetos
A estratégia
adotada pelo Ministério dos Transportes utiliza o modelo de autorização
ferroviária, instituído pelo Marco Legal das Ferrovias, de 2021. O mecanismo
permite que empresas privadas construam e explorem ferrovias por sua conta,
obedecendo às condições previstas na legislação.
Os
vencedores dos processos terão até dois anos para elaborar e apresentar os
projetos das novas ferrovias. A partir desses estudos será possível determinar
a viabilidade dos empreendimentos e eventual necessidade de recursos públicos.
“São dois
anos que ele [o proponente vencedor] vai me dar um projeto que pode ser viável
ou não viável. Se ele precisar de dinheiro público, eu reabro, como na
otimização, e levo a mercado”, afirmou o ministro dos Transportes, George
Santoro.
Minas-Rio
terá leilão em dezembro
Além da nova
carteira, o governo Lula já marcou para 17 de dezembro o leilão do
corredor Minas-Rio, também estruturado pelo modelo de autorização. O certame
será o primeiro do setor ferroviário em cinco anos.
O corredor
possui 733 quilômetros e atualmente é operado pela Ferrovia Centro-Atlântica
(FCA). A estrutura será dividida em dois lotes. O primeiro compreenderá o
percurso entre Iguatema (MG) e Barra Mansa (RJ), além do ramal entre Varginha e
Lavras, em Minas Gerais. O segundo seguirá de Barra Mansa até Angra dos Reis
(RJ).
A futura
concessionária ficará encarregada da manutenção, recuperação e modernização da
infraestrutura. Também terá até dois anos para apresentar um plano de
recapacitação da ferrovia.
De acordo
com Santoro, CSN e MRS estudam conjuntamente o projeto Minas-Rio.
Governo
prepara novos editais
Apesar da
ampliação da carteira, o cronograma ferroviário enfrentou atrasos ao longo de
2026. Dos oito projetos inicialmente previstos para este ano, somente o
corredor Minas-Rio tem leilão marcado. Os sete projetos apresentados agora não
integravam originalmente essa programação.
O Ministério
dos Transportes pretende publicar ainda neste ano os editais do Anel
Ferroviário Sudeste (EF-118) e da Malha Oeste, mas os leilões deverão ficar
para 2027.
“A gente,
acredito, vai publicar os editais neste ano, mas o leilão será no ano que vem.
Acho que, dado o prazo, não dá mais tempo para a concessão”, afirmou Santoro.
O ministro
atribuiu parte da demora ao tempo necessário para as discussões dos projetos no
Tribunal de Contas da União (TCU).
“O próximo
governo vai ter um monte de leilões já [com editais] publicados ou em fase
final de marcação. Demoraram muito essas discussões no tribunal [TCU], muito
mais do que a gente achava que ia demorar. Demoraram mais de oito meses as
discussões. Eu acho que agora está muito maduro”, completou.
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