Bispos divulgam carta pela soberania e defendem escolha consciente nas eleições
Grupo de
religiosos critica conservadorismo autoritário e pede atenção a causas sociais
e ambientais
Conteúdo postado por:Guilherme LevoratoPublicado em 23 de agosto de 2026 às
08:38♥Apoie o 247
Exemplar da Bíblia SagradaCrédito: Brasil 247/DALL-E
WhatsApp Seguir no
Google Notícias ♥ Apoie o 247
247 – Um grupo de bispos católicos
brasileiros divulgou uma carta pública na qual critica o chamado
“conservadorismo autoritário” presente em setores da Igreja e faz um apelo aos
eleitores por uma escolha consciente e lúcida no pleito eleitoral, informa a CartaCapital. No documento, os religiosos
reforçam que a instituição não possui filiação partidária, mas ressaltam o
dever de se posicionar de forma firme na defesa dos segmentos mais pobres, da
democracia, da soberania nacional e da preservação ambiental.
Intitulada Não
deixemos cair a profecia, a declaração é assinada pelos integrantes do
coletivo “Bispos do Diálogo pelo Reino”. O grupo reúne bispos de diversas
regiões do país e já havia publicado um posicionamento conjunto durante o
processo eleitoral de 2022.
Na nova
manifestação, os religiosos alertam que o período de disputas eleitorais
costuma acirrar tensões dentro do ambiente religioso. Diante desse cenário, os
bispos renovam o compromisso com a vida, a democracia, a soberania e a defesa
do meio ambiente. O texto pondera que, embora não haja vínculo com agremiações
políticas, a posição da Igreja deve estar ao lado dos trabalhadores e das
populações vulneráveis, apoiando aqueles que respeitam o povo e defendem o
país.
O documento
manifesta oposição a posturas fascistas, à manipulação da fé para fins
políticos e à propagação de mentiras e discursos de ódio em plataformas
digitais. Os prelados convidam a população a votar em candidaturas
comprometidas com as pautas populares, o bem comum e a sustentabilidade
ambiental, sem citar nomes de candidatos ou siglas partidárias especificamente.
Críticas
ao clero e às mídias religiosas
O texto traz
duras críticas a setores do catolicismo que usam as redes sociais e veículos de
comunicação de inspiração religiosa para promover ataques contra lideranças
empenhadas na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente. De acordo com a
carta, uma parcela do clero, acompanhada por religiosos e leigos, tem
disseminado discursos superficiais e agressivos, além de promover devocionismos
que rejeitam as diretrizes oficiais do magistério da Igreja Católica.
Para os
bispos, essa conduta gera bolhas alienantes que alimentam um clima de
hostilidade contra a atuação social e comunitária dos católicos. O documento
denuncia os episódios de violência verbal e perseguição sofridos por padres,
bispos, diáconos e leigos, classificando tais atitudes como tentativas diretas
de intimidar e silenciar a atuação profética da Igreja.
Em outro
ponto, a carta faz referência à encíclica Magnifica Humanitas, do Papa
Leão XIV, que adverte sobre os perigos de desumanização associados ao avanço
rápido da inteligência artificial, da robótica e da transformação digital. O
texto papal convoca a comunidade cristã a rejeitar a chamada “síndrome de
Babel”, caracterizada pela busca desenfreada do lucro e pela imposição de uma
uniformidade que anula as diferenças culturais e individuais.
Pauta
social, meio ambiente e soberania
A
manifestação correlaciona a evangelização à transformação social e política,
citando as diretrizes gerais aprovadas pela Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB) para o período de 2026 a 2032. O documento aponta que a pregação
religiosa deve resultar em ações concretas voltadas à superação da desigualdade
social e à proteção de grupos em situação de vulnerabilidade.
Entre os
problemas socioambientais destacados estão os impactos negativos do
extrativismo mineral predatório e do agronegócio desprovido de critérios
socioambientais. A carta também enfatiza a necessidade de combater a violência
contra mulheres, populações negras, povos originários e a comunidade
LGBTQIAPN+, além de abordar as relações de trabalho na sociedade contemporânea.
Por fim, o
documento ressalta a relevância da soberania nacional no contexto de tensões
diplomáticas recentes do Brasil com os Estados Unidos. O grupo de bispos
conclui que a construção do projeto de país exige o combate contínuo às
injustiças sociais e a recusa em aceitar a permanência do fosso da
desigualdade.
0 comentários:
Postar um comentário