9.4.26

Lindbergh detona Galípolo

 Lindbergh detona Galípolo: tentou blindar Campos Neto

De acordo com o deputado, o controle interno do Banco Central falhou e diz que investigação externa rompeu suposta blindagem

08 de abril de 2026, 18:49 h

Lindbergh Farias, Gabriel Galípolo e Roberto Campos Neto

Lindbergh Farias, Gabriel Galípolo e Roberto Campos Neto (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados I Adriano Machado / Reuters)

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, de atuar para proteger Roberto Campos Neto em meio às investigações relacionadas ao caso do Banco Master. A declaração foi feita nesta quarta-feira (8) em publicação nas redes sociais.

As críticas foram divulgadas publicamente pelo parlamentar, que reagiu a declarações de Galípolo sobre a ausência de responsabilização interna do ex-presidente do Banco Central. O posicionamento reforça o debate político sobre a condução das apurações envolvendo a instituição financeira.

Na avaliação de Lindbergh, a postura de Galípolo indica fragilidade nos mecanismos internos de controle. “Ao afirmar que não existe auditoria, sindicância ou conclusão interna que aponte responsabilidade do ex-presidente do Banco Central, ele (Galípolo) demonstra que o controle interno é insuficiente e pode servir de escudo para proteger quem comandava a instituição quando decisões e omissões favoreceram o ambiente em que o caso Master prosperou”, escreveu.

O deputado também questionou a eficácia das investigações internas do Banco Central. Segundo ele, apenas essas apurações não seriam suficientes para responsabilizar envolvidos. “se dependesse apenas das auditorias e sindicâncias internas do Banco Central, Paulo Sérgio e Beline Santana, servidores do BC com chefia na área de supervisão bancária, indicados por Roberto Campos Neto e que colaboraram com as fraudes no Master, não estariam de tornozeleira eletrônica”.

Lindbergh afirmou ainda que Campos Neto recebeu alertas de diferentes instituições e não adotou medidas efetivas. “Roberto Campos Neto recebeu inúmeros alertas do Fundo Garantidor de Créditos, da Febraban e até questionamentos formais da Polícia Federal, e a resposta institucional foi sempre a mesma: apuração preliminar, nenhuma ilegalidade e preservação da cúpula. Foi na gestão de Roberto Campos Neto, em outubro de 2023, que foi editada norma sobre precatórios, permitindo que o Banco Master não ajustasse seu balanço e que evitou a intervenção, apesar de alertas sobre riscos de liquidez”, declarou.

O parlamentar destacou que o avanço das investigações ocorreu fora do âmbito do Banco Central. “A investigação que realmente rompeu essa blindagem veio de fora. É a investigação externa, com independência, poder de polícia e capacidade de responsabilização, que consegue enfrentar o corporativismo e seguir a trilha dos fatos”.

Por fim, Lindbergh informou que tomou medidas para ampliar as apurações. “Por isso, ingressei com várias representações na Polícia Federal para avançar na apuração sobre a blindagem de Roberto Campos Neto, sobre os atos que favoreceram o Banco Master e sobre a rede de decisões, omissões e proteções que operou dentro do Banco Central”.

 

 

6.4.26

Irã rejeita proposta de cessar-fogo

 

Irã rejeita proposta de cessar-fogo e diz que Estados Unidos não merecem confiança. Chancelaria iraniana diz que “nenhuma pessoa racional” aceitaria esse tipo de acordo e critica negociações sob ameaça

06 de abril de 2026, 06:57 h

      Imagem ilustrativa de bandeiras dos EUA e do Irã - 18/06/2025

Imagem ilustrativa de bandeiras dos EUA e do Irã - 18/06/2025 (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

Conteúdo postado por: Guilherme Levorato

247 - O governo do Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo relacionada à campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel, afirmando que a iniciativa não oferece garantias reais de segurança e pode servir apenas como pausa estratégica para novas ofensivas. A posição foi apresentada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, em coletiva realizada nesta segunda-feira (6), conforme informou a agência Tasnim News.

Baqaei destacou que prazos ou pressões não devem comprometer as ações de defesa do país. Ele argumentou que experiências anteriores demonstram que cessar-fogos muitas vezes funcionam como intervalos para reorganização militar antes de novos ataques, e afirmou que “nenhuma pessoa racional” aceitaria esse tipo de dinâmica. Segundo ele, o Irã exige que suas demandas sejam respeitadas, ao mesmo tempo em que busca evitar ciclos repetitivos de guerra e trégua.

O porta-voz também criticou o papel das Nações Unidas, afirmando que a organização frequentemente atua como instrumento de potências globais. Diante disso, ressaltou que, em questões de segurança nacional, o Irã precisa garantir medidas que impeçam a continuidade de agressões externas.

Sobre a proposta de cessar-fogo em discussão, Baqaei declarou que a posição iraniana já foi expressa anteriormente. Ele mencionou que, dias antes, um plano com 15 pontos foi apresentado por intermediários, mas considerado “excessivo e irracional” pelo governo iraniano. Ainda assim, afirmou que o país elaborou suas próprias condições, alinhadas aos interesses nacionais.

O representante enfatizou que o Irã não evita apresentar suas demandas legítimas e esclareceu que expressar posições não deve ser interpretado como sinal de recuo. Ele destacou ainda que, enquanto as Forças Armadas iranianas seguem atuando, a diplomacia também desempenha papel essencial.

Baqaei afirmou que os critérios do país são baseados em seus interesses nacionais, na segurança e nas decisões do povo iraniano. Segundo ele, a posição do governo permanece clara e pronta para ser comunicada quando necessário.

Ao comentar a atuação de mediadores, o porta-voz afirmou que a troca de posições não é incomum, mas criticou negociações realizadas sob ameaça. Ele declarou que dialogar diante de ultimatos e crimes de guerra é inadequado, especialmente quando há intensificação das ações militares por parte do adversário.

O porta-voz classificou como crime de guerra as ameaças feitas pelos Estados Unidos contra a infraestrutura iraniana, além de acusar Washington de permitir ataques a alvos civis. Ele afirmou que qualquer país envolvido em tais ações deve ser responsabilizado e alertou que a colaboração com os Estados Unidos, nesse contexto, deve ser considerada passível de investigação.

Em resposta a declarações de autoridades norte-americanas sobre a intensificação de ataques simultaneamente à abertura de negociações, Baqaei afirmou que as ações dos EUA no último ano comprometeram sua credibilidade diplomática. Ele citou, como exemplo, a saída do país de cerca de 70 acordos e documentos internacionais nos últimos meses, classificando isso como quebra de confiança e desrespeito às normas internacionais.

 

5.4.26

Jandira: antissionismo não é crime

 Jandira dá lição a Tabata: antissionismo não é crime.

Deputada condenou o projeto de Tabata que pode censurar quem critica o estado de Israel

04 de abril de 2026, 20:20 hAtualizado em 04 de abril de

   Jandira Feghali e Tabata Amaral

   Jandira Feghali e Tabata Amaral (Foto: Câmara dos Deputados)

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 - A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) entrou no debate sobre antissemitismo e antissionismo neste sábado para fazer uma distinção que considera fundamental ao debate público brasileiro. Segundo a parlamentar, confundir os dois conceitos representa uma tentativa de censura e de criminalização de posições políticas legítimas — uma crítica direta ao Projeto de Lei nº 1.424, de 2026, apresentado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que define antissemitismo com base nos critérios da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) - na prática, a proposta criminaliza críticas ao estado de Israel, denunciado na Corte Internacional de Justiça pelo crime de genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza.

Segundo Jandira, a distinção entre os dois conceitos é inegociável. "Não aceitamos distorções: antissemitismo é crime, é ódio contra o povo judeu — e deve ser combatido sem hesitação. Já o antissionismo é uma posição política, uma crítica legítima a um projeto de Estado", escreveu Jandira, estabelecendo uma linha clara entre o preconceito étnico e a discordância política em relação ao Estado de Israel.

A deputada do PCdoB foi além e apontou o que classifica como um movimento deliberado para embaralhar os dois conceitos com o objetivo de restringir o debate político. "Confundir essas duas coisas é tentar impor censura, calar o debate e criminalizar quem denuncia injustiças", declarou. Para ela, a estratégia busca transformar críticas a governos em acusações de preconceito para blindar determinadas políticas de Estado de qualquer questionamento público.

Jandira também alertou para os riscos dessa confusão conceitual para a liberdade de expressão. "Não vamos permitir que transformem crítica política em preconceito para proteger governos e silenciar vozes", afirmou a parlamentar, que encerrou a publicação reforçando sua posição com uma frase de síntese: "Clareza é fundamental: combater o antissemitismo sempre, defender o direito à crítica política também."

A manifestação de Jandira Feghali ocorre em um momento de acirramento do debate sobre os limites entre crítica política e discurso de ódio no Brasil, especialmente diante das discussões em torno do projeto de Tabata Amaral. A proposta gerou reações de parlamentares de diferentes espectros políticos, com parte da esquerda argumentando que a definição adotada pela IHRA pode ser usada para criminalizar posicionamentos contrários às ações do governo israelense, sobretudo no contexto da guerra em Gaza.

 

31.3.26

Milhares de vagas para professores

 Lula sanciona projeto de lei que reestrutura carreiras federais e amplia vagas na educação. Medida cria milhares de vagas para professores e amplia estrutura do serviço público federal

30 de março de 2026, 18:17 h

               Lula e Esther Dweck

Lula e Esther Dweck (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Conteúdo postado por: Paulo Emilio

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou um projeto de lei que cria milhares de vagas para professores e amplia a estrutura do serviço público federal, ao mesmo tempo em que promove mudanças nas carreiras do funcionalismo. A iniciativa tem como foco principal a expansão da educação pública e a reorganização administrativa do Estado.

Segundo o G1, a nova legislação prevê a criação de cerca de 3,8 mil vagas para docentes do ensino superior e mais de 9,5 mil para os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. A medida integra um pacote mais amplo de reestruturação das carreiras federais conduzido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviço Público.

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Ampliação de vagas e impacto financeiro

O texto sancionado também autoriza a abertura de vagas em diferentes órgãos federais. Estão previstas 225 posições na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cerca de 6 mil vagas em universidades federais — entre professores e analistas — e mais de 16 mil para a rede federal de educação profissional e tecnológica. Além disso, foram criados 1,5 mil cargos técnicos no Ministério da Gestão e da Inovação.

O governo estima que o impacto financeiro da medida pode chegar a R$ 5,3 bilhões em 2026. No entanto, o Ministério da Gestão esclareceu que os valores, embora previstos no orçamento, não necessariamente serão executados integralmente no próximo ano. A execução dependerá da implantação das unidades educacionais e da realização ou conclusão dos concursos públicos necessários. O valor representa cerca de 1,5% das despesas com pessoal do Executivo federal já previstas para 2026.

Incentivo à qualificação e novas carreiras

A legislação também altera regras para incentivar a qualificação dos servidores públicos, especialmente na área da educação. O texto estabelece que profissionais poderão receber aumentos salariais conforme avancem em sua formação acadêmica, além do exigido no momento do ingresso no serviço público.

Outra mudança relevante é a criação da carreira de analista técnico do Poder Executivo Federal (ATE), formada a partir da reorganização de cargos administrativos já existentes. A iniciativa busca modernizar a estrutura do funcionalismo e aprimorar a gestão pública.

Criação de instituto e novos benefícios

O projeto ainda prevê a criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano, a partir do desmembramento do Instituto Federal da Paraíba (IFPB). A proposta foi patrocinada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que acompanhou a sanção ao lado de Lula.

Entre outras medidas, a lei institui gratificações para servidores, permite jornadas em regime de plantão, autoriza a realização de perícias médicas por telemedicina e prevê reajustes salariais para algumas carreiras, como auditores-fiscais. Também há ampliação de benefícios para servidores que atuam em regiões de fronteira.

A sanção faz parte da proposta apresentada pela ministra Esther Dweck, com o objetivo de reorganizar as carreiras públicas federais e ampliar a capacidade de atuação do Estado em áreas estratégicas, com destaque para a educação.

 

26.3.26

Bolsonaro e o privilégio dos poderosos

 Bolsonaro e o privilégio dos poderosos: Kakay propõe mutirão nacional por prisões domiciliares

“Talvez seja, ainda que indiretamente, a única ação humanitária deste fascista”, diz o jurista

25 de março de 2026, 17:02 h

Bolsonaro e outros presos da Papuda: eles também estõa doentes, mas não tiveram direito de prisão domiciliar humanitária

Bolsonaro e outros presos da Papuda: eles também estõa doentes, mas não tiveram direito de prisão domiciliar humanitária (Foto: Divulgação)

A discussão sobre a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro abriu mais do que um debate jurídico pontual — ela escancarou, mais uma vez, a lógica seletiva que historicamente marca o sistema penal brasileiro. É nesse contexto que a posição do jurista Antônio Carlos de Almeida Castro ganha relevância ao deslocar o foco do indivíduo para a estrutura.

Ao classificar como “escândalo” a ideia de pleitear prisão domiciliar apenas para Bolsonaro, Kakay é direto: “Pleitear prisão domiciliar só para o fascista que sempre apoiou a miserabilidade das prisões é um escândalo”. A contundência da frase não é mero recurso retórico; ela sintetiza uma crítica estrutural ao funcionamento desigual da Justiça.

Sua proposta vai além da crítica. “Vamos fazer um mutirão e ter uma ideia exata de quantos brasileiros presos têm direito à domiciliar”, afirmou, sugerindo que o caso concreto pode — e deve — servir como gatilho para uma revisão mais ampla. Em outra declaração, reforça o caráter coletivo da medida: “Vamos ver a realidade brasileira dos presidiários”.

O argumento central do jurista é difícil de refutar sob a ótica do Estado de Direito. “Se tem direito ele deve ir para a domiciliar. Óbvio. Mas não pode ser um privilégio. Apenas ele”, disse Kakay, deixando claro que sua posição não é contra a concessão do benefício em si, mas contra sua aplicação seletiva.

Essa crítica ganha ainda mais peso quando se considera que o próprio Supremo Tribunal Federal já reconheceu o “estado inconstitucional de coisas” no sistema prisional brasileiro. Para Kakay, esse reconhecimento institucional exige respostas concretas: “Sou favorável à decisão que autoriza a domiciliar — se esta for a determinação médica —, mas determinar um grande mutirão”.

Há também uma dimensão política incontornável. Kakay relembra o histórico do ex-presidente: “O Bolsonaro sempre foi contrário a qualquer direito dos presos. Não vamos na linha dele”. Ainda assim, ele insiste na coerência jurídica: “Se tem direito deve ir para a domiciliar. Mas, claro, TODOS os demais que têm direito devem também ter o reconhecimento. Sem privilégios”.

A ironia final do jurista sintetiza o tom crítico de sua análise: “Talvez seja, ainda que indiretamente, a única ação humanitária deste fascista”. A frase, dura, aponta para uma contradição maior — a de um sistema que pode acabar promovendo um efeito coletivo positivo a partir de um caso individual altamente politizado.

No fim, o debate proposto por Kakay desloca a pergunta central. Não se trata apenas de saber se Jair Bolsonaro tem direito à prisão domiciliar. “Se tem direito, deve ir”, como ele próprio afirma. A questão mais incômoda — e mais relevante — é outra: por que tantos outros, nas mesmas condições, continuam sem esse mesmo direito reconhecido?

Joaquim de Carvalho

Colunista do 247, foi subeditor de Veja e repórter do Jornal Nacional, entre outros veículos. Ganhou os prêmios Esso (equipe, 1992), Vladimir Herzog e Jornalismo Social (revista Imprensa). E-mail: joaquim@brasil247.com.br

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21.3.26

Trump admite derrota

 Trump admite derrota e diz que "ninguém esperava" a reação do Irã. Humilhado por Teerã, presidente dos Estados Unidos afirmou que era impossível prever a força do governo iraniano

16 de março de 2026, 18:33 h

Donald Trump

Donald Trump (Foto: Daniel Torok/Casa Branca)

Conteúdo postado por: Leonardo Lucena

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu nesta segunda-feira (16) que a resposta iraniana, atingindo aliados estratégicos de Washington no Golfo Pérsico, surpreendeu o governo estadunidense e expôs os limites do cálculo militar adotado desde o início das operações.

O teor das declarações, divulgadas e repercutidas pela imprensa internacional, revela um presidente na defensiva. Longe da retórica triunfalista que marcou o início da ofensiva americana contra o Irã, em 28 de fevereiro, Trump reconheceu publicamente que a reação de Teerã foi além do que Washington havia antecipado — um recuo que muitos analistas já interpretam como uma admissão tácita de derrota estratégica.

"Eles não deveriam ter atacado todos esses outros países do Oriente Médio. Então atacaram o Catar, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Kuwait. Ninguém esperava por isso. Ficamos chocados", declarou Trump.

A fala é reveladora em mais de um sentido. Trump expôs a dimensão do constrangimento geopolítico em que se encontra, ao listar nominalmente os cinco países atingidos — todos parceiros formais dos Estados Unidos na região, com bases militares americanas instaladas em seus territórios e laços econômicos e diplomáticos consolidados com Washington. O Irã, ao ampliar o alcance de sua ofensiva para além do confronto bilateral com os EUA e Israel, transformou um conflito já complexo em uma crise de proporções regionais.

Contexto

O choque admitido por Trump contrasta diretamente com a narrativa que seu governo vinha sustentando desde o início das operações. A justificativa oficial de Washington para os ataques ao Irã sempre foi a suposta ameaça nuclear representada por Teerã — argumento que, por si só, já enfrentava resistência no plano multilateral.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) declarou não ter identificado evidências concretas de que o Irã conduzisse um programa estruturado para o desenvolvimento de armamento nuclear, contradizendo diretamente a tese americana.

Agora, com aliados do Golfo Pérsico sob fogo iraniano, o dilema de Trump se aprofunda. O presidente americano se vê pressionado a responder militarmente não apenas para defender interesses diretos dos Estados Unidos, mas também para honrar compromissos com nações que depositaram confiança na capacidade de Washington de conter a escalada. A falha em antecipar a reação iraniana coloca em xeque a credibilidade americana como potência protetora na região.

O custo humano do conflito segue crescendo. O saldo de mortes já ultrapassou três mil vítimas, somando os óbitos registrados no Irã e no Líbano — país que também foi alvo de ataques israelenses no curso das operações conjuntas conduzidas por Tel Aviv e Washington. A comunidade internacional observa os desdobramentos com apreensão crescente, e líderes de diferentes países têm intensificado os apelos por contenção e abertura de canais diplomáticos para evitar que a crise se aprofunde ainda mais.

Mortos

Os ataques mataram Ali Khamenei, que era o líder Supremo do Irã. Seu filho - Mojtaba Khamenei - assumiu o lugar do pai.

Os números da guerra pintam um quadro sombrio. De acordo com o representante iraniano nas Nações Unidas, o conflito já ceifou mais de 1.300 vidas em território iraniano desde que as operações militares tiveram início.

A Human Rights Activists News Agency, entidade sediada em solo americano, foi além e discriminou as cifras: 1.319 mortos entre a população civil, dos quais no mínimo 206 eram crianças, somados a 1.122 baixas nas fileiras das forças armadas. Existem ainda 599 mortes cujas circunstâncias seguem sob apuração. Incluídas as vítimas de nações fronteiriças — entre elas o Líbano —, o número global de mortos já supera três mil pessoas.

 

13.3.26

Trump - Assassino de 175 meninas

 Assassino de 175 meninas, Trump diz que "é uma grande honra" matar iranianos. Postagem do presidente dos Estados Unidos ocorre após ataque que matou 175 estudantes em escola no Irã e amplia a pressão internacional sobre Washington

13 de março de 2026, 06:09 h

        Donald Trump

Donald Trump (Foto: Daniel Torok/Casa Branca)

Conteúdo postado por: Guilherme Levorato

247 - Uma postagem publicada nesta sexta-feira (13) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou forte repercussão internacional ao celebrar ações militares contra o Irã. Em mensagem divulgada publicamente, Trump afirmou que considera uma “grande honra” matar iranianos, em meio à escalada do conflito e após um bombardeio que matou 175 meninas em uma escola na cidade iraniana de Minab.

A declaração ocorreu dias depois de a agência Reuters revelar detalhes sobre o ataque que atingiu a escola. Segundo a reportagem, divulgada na quarta-feira (11), duas fontes familiarizadas com a investigação indicaram que o bombardeio pode ter sido resultado do uso de dados de mira desatualizados por forças norte-americanas durante uma ofensiva conjunta lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Na postagem desta sexta-feira, Trump afirmou que seu governo estaria “destruindo totalmente o regime terrorista do Irã, militarmente, economicamente e de todas as outras formas”. O presidente dos Estados Unidos também atacou a cobertura do jornal The New York Times e declarou: “Eles [Irã] vêm matando pessoas inocentes em todo o mundo há 47 anos, e agora eu, como o 47º presidente dos Estados Unidos da América, estou matando-os. Que grande honra é fazer isso!”.

O ataque à escola em Minab, que matou 175 crianças, passou a ser investigado internamente pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. De acordo com a Reuters, avaliações preliminares já haviam indicado anteriormente que militares norte-americanos provavelmente foram responsáveis pelo bombardeio. As novas informações divulgadas pela agência apontam para uma possível falha de inteligência na preparação do alvo.

Segundo uma das fontes ouvidas pela Reuters, sob condição de anonimato, autoridades encarregadas de preparar os pacotes de ataque teriam utilizado informações antigas para definir o alvo da operação. A segunda fonte afirmou que “parece ter sido usada inteligência desatualizada”, reforçando a hipótese de erro operacional. Ainda não está claro há quanto tempo os dados utilizados estavam desatualizados, como acabaram sendo empregados na operação ou se outros fatores também contribuíram para o ataque.

O Pentágono limitou-se a afirmar que “o incidente está sob investigação”, sem comentar detalhes adicionais. A apuração, de acordo com a Reuters, continua em andamento e ainda não há prazo definido para a conclusão.

Registros arquivados do site oficial da escola indicam que o estabelecimento educacional ficava próximo a um complexo operado pela Guarda Revolucionária Islâmica, força militar ligada ao líder supremo do Irã. Esse elemento aparece como um fator relevante para compreender a possível confusão que levou ao bombardeio do local.

Especialistas consultados pela Reuters também analisaram um vídeo que, segundo a agência, parece mostrar um míssil Tomahawk dos Estados Unidos atingindo a área. Apesar disso, as circunstâncias exatas do ataque ainda não foram totalmente esclarecidas pelas autoridades norte-americanas.

Após a divulgação da reportagem indicando que os Estados Unidos provavelmente foram responsáveis pelo bombardeio, Trump passou a ser questionado publicamente sobre o episódio. Em um primeiro momento, o presidente dos Estados Unidos afirmou, sem apresentar provas, que o Irã teria sido responsável pela explosão. Posteriormente, recuou parcialmente dessa afirmação.

As imagens do funeral das estudantes, exibidas pela televisão estatal iraniana na semana passada, ampliaram a comoção no país. Pequenos caixões cobertos com bandeiras iranianas foram transportados em um caminhão e depois levados por uma multidão até o local do enterro.

As cenas tiveram forte impacto simbólico e aumentaram a pressão internacional para que o episódio seja esclarecido de forma completa. A morte de crianças em uma escola, especialmente em um contexto de guerra aberta, tende a se tornar um dos pontos mais sensíveis de qualquer conflito, tanto no campo jurídico quanto no político.

4.3.26

Corrupção de Bolsonaro e Campos Neto

 

Gleisi: operação da PF contra Vorcaro expõe corrupção de Bolsonaro e Campos Neto. Ministra aponta envolvimento de ex-dirigentes do Banco Central nomeados nas gestões de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto

04 de março de 2026, 13:51 h

         Roberto Campos Neto e Gleisi Hoffmann

Roberto Campos Neto e Gleisi Hoffmann (Foto: José Cruz/Agência Brasil | Antonio Cruz/Agência Brasil)

Conteúdo postado por: Guilherme Levorato

247 - A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), destacou nesta quarta-feira (4) que a operação da Polícia Federal relacionada à chamada Operação Compliance Zero expõe um esquema de corrupção envolvendo integrantes do Banco Central durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e a gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária.

A declaração foi publicada nas redes sociais da ministra após a operação policial autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça contra a organização criminosa que orbitava o Banco Master. A ação teve como alvos centrais os servidores do Banco Central e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, além de seu cunhado, Fabiano Zettel.

Acusação

Na publicação, Gleisi Hoffmann afirmou que a operação revela corrupção dentro do Banco Central durante o governo Bolsonaro. “A operação de hoje da Polícia Federal expôs definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master”, escreveu a ministra.

Ela ressaltou que dois servidores que ocuparam cargos relevantes na autarquia durante esse período teriam atuado em favor do banqueiro investigado. “O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por Campos Neto, Belini Santana, recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do Master, de acordo com a investigação”, afirmou.

A ministra também questionou a atuação do então presidente do Banco Central diante das irregularidades apontadas pela investigação. “Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”, escreveu.

Servidores do Banco Central citados na investigação

A decisão judicial do STF descreve a atuação de dois servidores do Banco Central que teriam mantido interlocução direta com o controlador do Banco Master.

Segundo o documento, Paulo Sérgio Neves de Souza, que ocupava o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), prestava consultoria informal ao empresário, oferecendo orientações estratégicas sobre processos administrativos envolvendo a instituição financeira.

De acordo com os autos, o servidor também teria sugerido abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes da autarquia reguladora e revisado previamente documentos que seriam enviados ao próprio Banco Central.

A decisão afirma ainda que Paulo Sérgio atuava como interlocutor interno dos interesses do Banco Master dentro da autarquia, fornecendo informações sobre procedimentos em andamento e indicando estratégias para lidar com questionamentos regulatórios.

Outro servidor citado na investigação é Belini Santana, que exercia a função de chefe do Departamento de Supervisão Bancária.

Segundo a decisão, ele também mantinha contato frequente com Vorcaro e participava de discussões sobre temas relacionados à situação regulatória do banco.

O documento relata que Belini revisava previamente documentos que seriam enviados ao Banco Central e participava de reuniões privadas com o empresário para discutir estratégias institucionais da instituição financeira.

Pagamentos e contratos simulados

De acordo com a decisão judicial, a investigação aponta indícios de que os dois servidores receberam vantagens indevidas associadas às atividades desenvolvidas em favor do Banco Master.

Os pagamentos teriam sido realizados por meio de estruturas destinadas a ocultar a origem dos recursos, incluindo contratos simulados de consultoria intermediados por empresas utilizadas pelo grupo investigado.

A decisão também menciona conversas entre integrantes da organização sobre a realização desses pagamentos e a necessidade de utilizar intermediários para ocultar a origem do dinheiro.

Diante desses elementos, o STF determinou medidas cautelares contra os dois servidores, incluindo suspensão do exercício da função pública, proibição de acesso às dependências do Banco Central e monitoração eletrônica.

Estrutura da organização criminosa

Segundo a investigação da Polícia Federal, o grupo liderado por Daniel Vorcaro atuava com divisão estruturada de tarefas e possuía diferentes núcleos operacionais.

Entre eles estavam um núcleo financeiro responsável pelas operações bancárias investigadas, um núcleo de corrupção institucional voltado à cooptação de servidores públicos, um núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro e um núcleo de intimidação e monitoramento de adversários.

A decisão judicial também descreve a existência de uma estrutura informal conhecida como “A Turma”, que realizaria atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de pessoas consideradas adversárias do grupo.

 

15.2.26

Orgias de Vorcaro entram no radar da PF

 Orgias de Vorcaro entram no radar da PF e investigação avalia se encontros se conectam a suspeitas de corrupção. A presença nesses ambientes pode servir, segundo a apuração, como indício de proximidade e intimidade entre o banqueiro e autoridades

15 de fevereiro de 2026, 06:21 h

Orgias de Vorcaro entram no radar da PF e investigação avalia se encontros se conectam a suspeitas de corrupção

Orgias de Vorcaro entram no radar da PF e investigação avalia se encontros se conectam a suspeitas de corrupção (Foto: Divulgação)

Conteúdo postado por: Laís Gouveia

247 - A Polícia Federal passou a adotar um critério técnico — e não moral — para analisar um dos pontos mais sensíveis da investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e o banco Master: a realização de encontros sexuais com a presença de empresários, políticos e outras figuras públicas. As informações foram divulgadas pelo jornalista Guilherme Amado, em reportagem publicada neste domingo (15).

Segundo a apuração, os investigadores deixaram claro que a simples participação em orgias não configura crime e, isoladamente, não é motivo para abertura de inquérito. A conduta, por si só, não é objeto de persecução penal. O foco da PF está na eventual conexão desses encontros com práticas ilícitas sob investigação.

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A existência das orgias já consta em relatório encaminhado ao ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso. No documento, a corporação afirma que as reuniões faziam parte de uma engrenagem mais ampla, classificada como um possível esquema sofisticado de corrupção. De acordo com o entendimento atual da PF, o tema só ganha relevância criminal quando os encontros se relacionam com outros fatos apurados no inquérito, como decisões administrativas suspeitas, favorecimentos indevidos, tráfico de influência ou corrupção. A linha divisória entre a esfera privada e o interesse público estaria justamente na eventual utilização desses eventos como instrumento para criar vínculos estratégicos.

Nos casos em que agentes públicos ou pessoas com poder decisório participaram de eventos custeados por Vorcaro, os investigadores analisam se houve uso de recursos financeiros, bens ou serviços como forma de aproximação e possível facilitação de ilícitos. 

A presença nesses ambientes pode servir, segundo a apuração, como indício de proximidade e intimidade entre o banqueiro e autoridades. Para a PF, os encontros não são tratados como fato isolado, mas como um possível ativo relacional utilizado para ampliar influência. 

Esse elemento é examinado em conjunto com transferências financeiras, contratos, troca de mensagens e demais provas reunidas no inquéritoA estratégia adotada pela corporação busca evitar interpretações de caráter moral sobre a vida privada dos envolvidos, concentrando a investigação em eventuais desvios de recursos ou práticas ilícitas. 

O avanço do caso dependerá da comprovação de vínculos concretos entre os encontros e atos administrativos ou decisões que possam ter beneficiado interesses privadosA apuração segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, enquanto a PF consolida provas e define se pedirá a abertura de novos inquéritos contra agentes públicos citados no relatório

 

8.2.26

Não há nos EUA quem pare Trump

 Miguel Nicolelis: "Não há nos EUA quem pare Trump". Neurocientista Nicolelis diz que mecanismos de freios e contrapesos foram corroídos e relata ausência de oposição efetiva ao presidente dos Estados Unidos

03 de fevereiro de 2026, 18:34 h

Miguel Nicolelis

Miguel Nicolelis (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)

Conteúdo postado por: Dafne Ashton

247 - O médico, neurocientista e pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis afirmou que os Estados Unidos atravessam um processo acelerado de corrosão institucional e que não existe, hoje, uma força política ou institucional capaz de conter Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos. Segundo ele, mecanismos apresentados historicamente como garantias de estabilidade democrática foram ultrapassados em curto espaço de tempo, sem que houvesse uma reação proporcional por parte das instituições ou da oposição.

As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247. 

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Ao analisar o cenário político norte-americano, Nicolelis destacou o que considera o elemento mais alarmante do momento atual: a ausência de resistência efetiva. “O que mais assusta é a falta de qualquer reação concreta, de qualquer oposição real. Os democratas no Congresso, na prática, não fazem diferença”, afirmou. Para ele, essa inação contribui para a consolidação de decisões que, em outros períodos, encontrariam barreiras institucionais mais sólidas.

Nicolelis lembrou que a democracia dos Estados Unidos sempre foi apresentada como um sistema protegido por freios e contrapesos. “Os americanos sempre se orgulharam de dizer que a democracia deles era muito segura porque existia um sistema de checks and balances”, disse. Em seguida, enumerou os pilares desse modelo: “a Suprema Corte, o Congresso como única instância capaz de aprovar despesas e autorizar guerras”. Na avaliação do pesquisador, porém, esse arranjo foi esvaziado: “Tudo isso foi atropelado em um período muito curto, de forma inacreditável, com uma profundidade que corroeu esses mecanismos”.

O neurocientista afirmou que a velocidade das mudanças surpreende inclusive pessoas experientes do meio acadêmico e político. “Quando converso com professores universitários e pessoas do mundo privado, ninguém consegue acreditar no que está acontecendo”, relatou. Segundo ele, há um sentimento generalizado de perplexidade diante do enfraquecimento das estruturas institucionais que, até recentemente, eram vistas como sólidas.

Em relatos pessoais, Nicolelis disse alertar amigos nos Estados Unidos sobre a gravidade da situação. “Eu digo: ‘Você está sendo ingênuo. Eu já vi esse filme e sei como ele termina. Isso está acontecendo agora’”, contou. Para o pesquisador, a dificuldade de reconhecer o processo em curso contribui para a ausência de uma resposta organizada e eficaz.

Ao sintetizar sua análise, Nicolelis foi categórico ao avaliar as possibilidades de contenção do atual governo. “Não há nos Estados Unidos quem pare Trump”, afirmou. Segundo ele, a combinação entre a fragilização dos freios institucionais e a falta de uma oposição atuante criou um ambiente em que decisões são tomadas sem o controle que, no passado, caracterizava o sistema político norte-americano.

Para o cientista, o problema central não se resume a episódios isolados, mas a um movimento estrutural que avança rapidamente. A seu ver, a erosão dos mecanismos de equilíbrio institucional, somada à ausência de resistência efetiva, define um cenário que marca uma inflexão profunda no funcionamento da democracia dos Estados Unidos.

 

24.1.26

Debate sobre boicote à Copa nos EUA

 

Dirigente alemão defende debate sobre boicote à Copa nos EUA

Vice-presidente da Federação Alemã de Futebol critica ações de Donald Trump e diz que cenário atual pode justificar retirada coletiva do Mundial

24 de janeiro de 2026, 08:22 h

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, em 6 de maio de 2025

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, em 6 de maio de 2025 (Foto: REUTERS/Kent Nishimura)

Conteúdo postado por: Aquiles Lins

247 - A possibilidade de um boicote em massa à Copa do Mundo deste ano, marcada para ser disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, entrou no centro do debate na Alemanha após declarações do vice-presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Oke Gottlich. O dirigente afirmou ser necessário “debater seriamente” uma eventual retirada coletiva do torneio, em reação às ações do presidente americano Donald Trump, especialmente às ameaças de anexação da Groenlândia.

As declarações foram dadas em entrevista ao jornal alemão Hamburger Morgenpost e repercutidas pelo jornal O Globo. Gottlich integra o Comitê Executivo da DFB e também é presidente do St. Pauli, clube que disputa a Bundesliga.

Chegou a altura de considerar e debater seriamente a possibilidade de uma retirada em massa do Campeonato do Mundo”, afirmou o dirigente, ao comentar o impacto político do atual cenário internacional sobre o esporte.

Ao justificar sua posição, Gottlich fez referência aos boicotes históricos aos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou, e de 1984, em Los Angeles, ocorridos em meio às tensões da Guerra Fria. Para ele, a situação atual pode ser ainda mais grave. “Na minha avaliação, a ameaça potencial agora é maior do que era então. Temos de discutir isto”, disse.

O vice-presidente da DFB também criticou o que considera incoerência das entidades esportivas diante de questões políticas, comparando a postura adotada em relação à Copa do Mundo do Catar com o atual contexto envolvendo os Estados Unidos. “O Catar era demasiado político para todos, e agora somos completamente apolíticos? É uma coisa que me incomoda verdadeiramente. Como organizações e como sociedade, esquecemos de como estabelecer tabus e limites e como defender valores”, afirmou.

Em tom mais incisivo, Gottlich questionou onde estariam os limites éticos das lideranças esportivas e políticas. “Um tabu é quebrado quando alguém ameaça? Um tabu é quebrado quando alguém ataca? Quando pessoas morrem? Gostaria de saber, da parte de Donald Trump, quando é que atingiu o seu limite, e gostaria de saber, da parte de Bernd Neuendorf e Gianni Infantino”, completou, citando o presidente da DFB e o presidente da Fifa.

A discussão não se restringe ao meio esportivo. Parlamentares alemães passaram a comentar publicamente a hipótese de boicote, enquanto o governo federal reforçou que a decisão cabe exclusivamente às entidades esportivas. Em resposta a questionamentos da agência AFP, a secretária de Estado do Esporte, Christiane Schenderlein, afirmou que o Executivo respeitará qualquer decisão tomada pela federação.

“Essa avaliação, portanto, cabe às federações envolvidas, neste caso a DFB e a Fifa. O governo federal acatará a decisão delas”, declarou Schenderlein em comentário enviado por e-mail. Em outra manifestação, ela reforçou que “as decisões relativas à participação em grandes eventos esportivos ou a boicotes são de responsabilidade exclusiva das federações esportivas, e não da esfera política”.

O debate ganhou força diante das declarações de Trump sobre a Groenlândia e de ameaças de aumento de tarifas contra países europeus que se oponham a seus planos. Para o deputado conservador Roderich Kiesewetter, da CDU, o impacto poderia ser direto sobre o torneio. “Se Donald Trump cumprir suas ameaças em relação à Groenlândia e desencadear uma guerra comercial com a União Europeia, acho difícil imaginar os países europeus participando da Copa do Mundo”, afirmou ao jornal Augsburger Allgemeine.

Outro parlamentar da CDU, Jürgen Hardt, disse ao jornal Bild que o “cancelamento do torneio” seria um “último recurso para fazer o presidente Trump cair em si”. Já o deputado social-democrata Sebastian Roloff defendeu, em entrevista ao Handelsblatt, uma “resposta unificada” da Europa e a possibilidade de “considerar a retirada da Copa do Mundo”.

A discussão também encontra eco na opinião pública. Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Estatística realizada para o Bild com mil entrevistados, 47% dos alemães apoiariam um boicote à Copa do Mundo caso os Estados Unidos anexassem a Groenlândia, enquanto 35% se declararam contrários à medida.

Tetracampeã mundial, a seleção da Alemanha não ficou fora de nenhuma edição da Copa do Mundo desde o retorno às competições internacionais após a Segunda Guerra Mundial, em 1950. O contexto político atual, porém, abre um debate inédito às vésperas do torneio, em um cenário marcado também pela proximidade entre Donald Trump e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que recentemente entregou ao presidente americano o recém-criado Prêmio da Paz da entidade durante o sorteio da Copa.

 

 

4.1.26

Kamala Harris condena agressão

 

Kamala Harris condena agressão de Trump à Venezuela e denuncia roubo de petróleo. Vice-presidente afirma que ofensiva é “ilegal e imprudente”, acusa motivação ligada ao petróleo e alerta para risco de guerra sem plano de saída

04 de janeiro de 2026, 04:45 h

Kamala Harris discursa  na Howard University em Washington

Kamala Harris discursa na Howard University                                                                   Washington (Foto: Kevin Lamarque / Reuters)

Redação Brasil 247 avatarConteúdo postado por: Redação Brasil 247

247 – A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, criticou duramente a atuação do presidente Donald Trump na Venezuela e afirmou que a ofensiva não melhora a vida dos norte-americanos nem fortalece a segurança do país. Em declaração pública, Harris disse que “as ações de Donald Trump na Venezuela não tornam a América mais segura, mais forte ou mais acessível”, apontando que a operação representa um risco militar, político e econômico sem qualquer benefício concreto para a população dos Estados Unidos.

Logo no início de sua manifestação, Kamala reconheceu a gravidade do regime venezuelano, mas rejeitou o argumento usado para justificar a intervenção. “O fato de Maduro ser um ditador brutal e ilegítimo não muda o fato de que essa ação foi ilegal e imprudente”, afirmou, sustentando que o episódio repete padrões históricos de intervenções que terminam em caos e geram custos internos elevados.

“Já vimos esse filme antes”, diz Harris ao comparar com guerras por mudança de regime

Ao enquadrar a operação como um roteiro repetido, Harris fez um alerta direto sobre o histórico de intervenções vendidas como demonstrações de força, mas que produzem instabilidade prolongada. “Nós já vimos esse filme antes. Guerras por mudança de regime ou por petróleo que são vendidas como força, mas se transformam em caos — e as famílias americanas pagam o preço”, declarou.

A vice-presidente também afirmou que a população está exausta de narrativas oficiais que prometem ganhos estratégicos, mas geram frustração. “O povo americano não quer isso, e está cansado de ser enganado”, disse, sugerindo que a insistência em aventuras externas contraria a vontade da maioria e aprofunda a descrença na política externa conduzida pela Casa Branca.

“Não é sobre drogas ou democracia. É sobre petróleo”, afirma a vice-presidente

O ponto mais incisivo do pronunciamento de Harris foi a acusação de que a ofensiva não tem como motivação real o combate às drogas nem a defesa da democracia. “Isso não é sobre drogas ou democracia. É sobre petróleo e o desejo de Donald Trump de se colocar como o homem forte regional”, disparou.

Na sequência, ela apontou contradições do presidente ao questionar a coerência moral do discurso oficial. Harris afirmou que, se Trump realmente se preocupasse com drogas e democracia, “ele não perdoaria um traficante de drogas condenado” nem “colocaria de lado a oposição legítima da Venezuela enquanto busca acordos com os aliados de Maduro”.

Ao mencionar “traficante condenado” e “acordos com aliados de Maduro”, Harris sugeriu que a Casa Branca estaria operando uma política ambígua: ao mesmo tempo em que promove ações agressivas, abriria espaço para negociações que enfraquecem atores democráticos internos e beneficiam interesses específicos.

Risco militar, custo bilionário e ausência de justificativa legal

Kamala Harris também elevou o tom ao afirmar que Trump está expondo militares a perigo e comprometendo recursos públicos sem base jurídica clara ou estratégia de encerramento. “O presidente está colocando tropas em risco, gastando bilhões, desestabilizando uma região e oferecendo nenhuma autoridade legal, nenhum plano de saída e nenhum benefício em casa”, afirmou.

A crítica atinge três pilares essenciais: legitimidade, viabilidade e impacto doméstico. Ao dizer que não há “autoridade legal” nem “plano de saída”, Harris atribui à operação um caráter improvisado e potencialmente inconstitucional. Ao afirmar que não há “benefício em casa”, ela reforça a ideia de que a política externa estaria sendo conduzida em detrimento das urgências econômicas enfrentadas pelos trabalhadores norte-americanos.

“A América precisa de liderança que coloque o povo em primeiro lugar”

Em sua conclusão, Harris deslocou o debate para as prioridades internas e afirmou que os Estados Unidos precisam de um governo concentrado em reduzir custos, fortalecer alianças e respeitar o Estado de Direito. “A América precisa de uma liderança cujas prioridades sejam reduzir custos para as famílias trabalhadoras, fazer cumprir o Estado de Direito, fortalecer alianças e — o mais importante — colocar o povo americano em primeiro lugar”, disse.

O pronunciamento amplia a pressão política sobre Trump ao enquadrar a crise na Venezuela como uma escolha que, na visão da vice-presidente, sacrifica estabilidade internacional e segurança militar para atender interesses estratégicos e pessoais. Ao mesmo tempo, Harris tenta posicionar uma alternativa de política externa baseada em alianças, legalidade e foco doméstico — um contraste direto com o que ela classifica como uma intervenção “ilegal e imprudente”.

Com isso, a vice-presidente lança uma das críticas mais severas já feitas a Trump sobre a Venezuela, ao mesmo tempo em que aponta o risco de que uma ação sem transparência e sem objetivo definido produza não apenas instabilidade regional, mas também custos duradouros para o próprio povo norte-americano.