9.1.12

Será o Bonifácio (1/3

Marqueteiro tem a obrigação de ser otimista. O contrario dos economistas, que só prevê merda, desgraças, crises e não embocam uma. O marketing nos mostra, sem dores e rancores a felicidade, um céu de brigadeiro. A Daspu que já é uma ‘puta parada’, grife da ONG carioca Davida, que zela pelos direitos das prostitutas, inagurou a ‘Putique’. "Hoje em dia vestir Daspu virou 'Cult'. Vendemos para mulheres de classe média, profissionais liberais, que têm entre 26 e 45 anos", explica Flávio Lenz.

Isso sim é marketing. Quem quiser sair do cabaré, sai pela porta do “Beija na Rua”. A rádio Daspu deixa todo mundo bem informado, e nas pesquisas de opinião, está no cume da escala. Quem diria; isso tudo, na revista Rolling Stone, um luxo.

Na virada de ano, 2011/2012, recebi uma correspondência que me surpreendeu. Um envelope M5-23X16, na cor cerâmica ou telha, sei lá, mais caro que bonito. Antes de abrir imaginei uma mensagem natalina. Não foi entregue pelos meus amigos carteiros. Não havia estampilha postal, certamente, alguém da confiança, um comissionado cumprindo a ordem de entrega.

Tocando a campainha, chegou o alegre estafeta, batendo e cantando o funk da Daspu: “Uau! Uau! Oral, vaginal, anal!...”. A carta endereçada à minha pessoa; o remetente importantíssimo: Cido Sério – Prefeito de Araçatuba.
−Pra mim??
−Sim senhor, assina aqui.

O conteúdo muito fraco. Não era uma mensagem de Natal e Ano Novo, mas uma publicidade pobre, ruim. No cartão quando o publicitário, coitado, cita o nome de Deus, falando em sua ‘bondade infinita’, lembrei-me da piada pronta do Zé Simão; lembrei-me do Deus de João Alves o anão do orçamento. Tem hora pra tudo, não é mesmo? “Nada ocorre por acaso”, o “tudo de bom em 2012” na arvore de Natal embaçou a foto do prefeito, deixando-o mais ou menos, com cara de cipreste...

E ele por seu lado, não achou a chave pra fechar 2011. Tropeçou num problemão ao abrir 2012. Está sob uma suposta bronca do MP - Ministério Público, apresentada por um ‘cidadão’, contra a contratação de um ‘individuo’ suspeito de fraudar concurso público, conforme notícia da Folha da Região: “Aprovado em segundo lugar, servidor dirigia departamento que conduziu processo”; que barbada. Se a denuncia for verdadeira, o melhor caminho para nós eleitores é mudar de cidade para outro município moralmente mais arejado, com isso, nossa esperança média de vida, aumentaria.

Esse possível escândalo, o do concurso, recem inaugurado, havia sofrido no percurso um ajustamento com o MP por uma TAC – Termo de Ajustamento de Conduta. Na verdade para não deixar mais de oito mil ‘eleitores’, candidatos que disputaram as 262 vagas prometidas, na mão, a justiça deu uma mãozinha técnica para salvar os concursados. E aí, a justiça foi enganada, quem sabe? É mole?

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Foto: CARTAZ_DASPU_CD.jpg – Hyper Text Transfer Protocol - Imagem JPEG – Daspu é uma puta Parada
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Será o Bonifácio (2/3)

Moro numa rua esquentada, lá onde o comissionado cantante entregou a tal missiva, isso mesmo esquentada. Qual não foi a minha surpresa quando apareceu a turma altamente terceirizada do asfalto jogando pixe pra todo lado; Não queria, mas acreditei que o recapeamento seria executado de cabo a rabo. Não foi. Asfaltar é bom negócio, o que tem de construtora nacional espalhando cascalho pelo mundo, é de tirar o turbante. Elas, as construtoras, atacam muito mais que as tropas da OTAN no Oriente Médio.

Por pura falta de sorte, uma dona moradora na minha rua, foi no jornal Folha da Região e deitou falação sobre a incompetência do governo, no trato da buraqueira que há. Os ‘técnicos’ do DAEA esburacaram, estruparam e surubaram a frente da casa da tal. Por coincidência, no dia em que a ‘terceirizada que mela o chão de preto’ chegou ao pé da rua, na esquina da São Paulo com José Bonifácio, o bicho pegou: A bronca da dona que não conheço, estava estampada em Opinião! Na página dois da Folha!

Não sei quem é essa tal. Não conheço, nunca vi, mas sem querer defender o lado feminino e respeitando a marca do perfume, a dona estava cheia de razão. Não sei se é ‘bonita e gostosa’, se jovem ou coroa só sei que queimou o filme. Os caras que lambusam o chão da calçada alheia, quando leram o drops na coluna, deram um tempo, avisaram o secretário aquele que não lê a Folha da Região e pergutaram: “o que fazer”? O japones foi curto: ”Pula essa quadra deixa a buracada que a dona acaba acostumando”.

Os tripulantes daquelas geringonças acharam bom: Uma quadra a menos. O chefe ficou feliz: “Essa já está na conta, o pixe é meu, morreu”. O motorista do basculante melecado, com cara de cifrão pensou: ”Se ela me desse uma grana, comia e asfaltava”.

A minha quadra, entre as ruas Mato Grosso e a Rio de Janeiro, na papelada burocrática, já acompanhava a ordem de serviço um chorão amarelo grampeado: “Prestenção, pula essa quadra”!

O time parou. Formou-se uma barricada!

A moçada mal tratada, um pelotão de trabalhadores perdidos no pixe monta um cenario de batalha perdida. Parados na esquina assombram as dozelas da José Bonifácio. Essa tarefa poderia ser executada de forma mais humana. O homem do pixe, do carrinho de mão, da máquina e dos basculantes todos pixados, um dó à espera da ordem, e do que fazer, pelo celular do chefe. O sol a 35°.

O chefe e diretor de palco, bem vestido, num automóvel Renault com ar condicionado, explica os detalhes do ‘pula pula mais uma’. O secretário, ao tomar conhecimento do fato, aos gritos ordena: ”Saiam já dessa maldita rua, imediatamente, e não voltem lá nunca mais, pô!”. Marchando em fila indiana, marcando o passo ao som da lata de pixe, bateram em retirada, cantando ‘La Cucaracha’.

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Será o Bonifácio (3/3)

É uma rua esquentada. Há poucos dias em cada esquina havia duas placas de pare, uma a trinta centrimetros da outra. Será o Bonifácio? È aquela rua que quando você pensa que vai ela volta. É a rua que mais muda de direção na cidade, o esculacho do planejamento administrativo municipal, no meio de uma rua tri legal! Descendo em direção à Zona Leste, você leva um panetone eleitoral do prof. Cláudio.

No Natal ganhei um vizinho novo, no pacote dos cacarecos, vinha um cão de guarda. O cachorro, um cachorão, é pior que alarme em dia de trovoada, dispara por nada; O canino que não sei o nome começa a latir a meia noite e termina as seis, incluindo sabados, domingos e feriados, bem na hora do meu colírio.
Vou convidar Chen Zhizhao, o chines ‘10’ do Corinthians, pra fazer churrasquinho desse pitbull barulhento.

É claro, caiu nas pesquisas. Queria o quê? Negando ostensivamente as tradições do PT, o prefeito com tiques demista e privatista, está a fim de despachar os comunicadores da prefeitura. A culpa, da queda no rank, é toda deles. O marqueteiro improvisou; sifu! O prefeito é a autoridade máxica do municipio e manda; Manda quem pode e o resto...

Eita nóis heim vó!

“A Daspu é fenômeno cultural”.

Por aqui, o fenômeno cultural, são as emendas parlamentares, encaminhadas por deputados desconhecidos; O turismo social nas madrugadas da Marcilio, as professorinhas de Campinas lecionam nas calçadas, promovendo uma oportunidade igualitária a todos!

A Daspu cresce nas pesquisas a cada dia que passa. Lá o marketing fala a verdade. Coisas de putas e não de políticos. A publicidade garante que a ‘Daspu é uma puta parada!’ E é! As mulheres dos 26 aos 45 podem vestir essa marca que pega bem. As clientes acreditam e o retorno é garantido. O que basta para fazer sucesso? A verdade a cantada e nada mais.

Sawabona Cumprimento usado na África do Sul, quer dizer: "Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim"!Em resposta, as pessoas dizem Shikoba, que significa: "Então eu existo para você"! (http://guebala.blogspot.com/)

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2.1.12

Velhaco

Um dia eu vou dar pra você

Retornando ao flat de uma viagem demorada para sua alegria lá estava ela, como de costume à sua espera, na porta do apartamento que era exatamente em frente ao dele. O encontro ocasional, uma rotina muito aguardada e agradável para ambos, saciando um misto de saudades e de falta, a inocência do sentimento puro que existe entre eles, mesmo não sendo irmãos.

Surpreendida pela chegada do amigo e visivelmente constrangida, ruborizada cumprimentou-o com um simples aceno saindo rapidamente, fechando a porta da saleta atrás de si, dirigindo-se à área de serviço. Desta vez ele ficou sem o beijo na bochecha estalado alegre e costumeiro, levando apenas um selinho básico.

Amanheceu; Ela surge cabisbaixa, muito triste e antes do bom dia, mais uma vez, Margot ameaçou: “Um dia eu vou dar pra você”. Como sempre, disfarçadamente, ela procura os olhos de Henri, e percebe que ele, corado a encara. Trazendo um corte na testa sutilmente encoberto por alguns fios de cabelos descoloridos ou mal tingidos que já foram negros ou ruivos, e nos olhos as marcas de uma noite mal dormida. Mais uma, ela finge que nada aconteceu.

Sempre que era agredida, se por acaso ficassem marcas visíveis pelo corpo ou mesmo no rosto, a vergonha e o ódio ardendo em suas entranhas, não saia de casa e não trabalhava enquanto as marcas estivessem aparentes.

O amor é um sentimento mal explicado. Margot adora o marido. Perdoa-lhe todos os erros ou pecados. “É tudo culpa da bebida; ele, quando sóbrio, é um marido exemplar”, diz ela frequentemente.

Henri pensava: “Quem sou eu para entender os sentimentos femininos”? Ele não decifrava o sentimento entre ambos, marido e mulher de um lado, ele do outro entrando nessa história, como o terceiro elemento, a vértice do triângulo até agora imaginário. O amor passional invadiu a amizade? Estaria ele enganado quanto aos sentimentos de Margot? E se estivesse?

Porém, existem tantos mistérios nesta terra que qualquer palavra ou detalhe pode modificar a história dessas vidas. Somos imperfeitos. Lá pelas tantas, a força de uma personalidade firme, o caráter cobrando, exigindo a verdade, alguém explode de emoção e abre o jogo.

A música, Stand by Me – Playing For Change – Song Around the World, tocava a todo volume, quando ela apareceu. Seu andar, ritmado acompanhava a marcação que John Lennon nos doou. Foi assim que pela primeira vez Henri a viu: Micro saia solta sobre os quadris, cabelos alinhados, maquiada e vestindo uma camiseta branca de tecido levíssimo e quase transparente, altiva e segura chegou, e chegando se apresentou: “Margot, moro em frente”. Risonha, irreverente e sensual; Girou na ponta dos pés, e sumiu no corredor, deixando atrás de si o odor delicioso de Hugo Deep Red.

Desta vez a briga foi feia. Passado meia hora, aproximando-se de Henri, assentou ao chão do quarto, segurando a cabeça com as duas mãos, os cotovelos apoiados nos joelhos deixando parte das cochas à mostra. Em choro compulsivo, balbuciava algumas palavras entre gemidos e soluços. Para ele, naquele instante, ela estava mais linda, muito mais – talvez sentindo pena – embaraçou-se.

Na contradição de uma forte personalidade, agora fragilizada, se sente impotente frente a esse destino. Fiel ao marido, não suportava a infidelidade. Sentia-se enganada, apesar de experiente e cuidadosa em suas escolhas, por um autêntico gigolô e gritava: “Filho da puta, velhaco, que nojo”!

Procurando confortá-la, Henry afagando delicadamente seus cabelos, deixa fluir as lágrimas da amiga. Ele percebeu que algo muito sério acontecera. Sempre que chegava ela corria e jogava-se na cama e contava-lhe todas as novidades. Agora, pela primeira vez, Henri sentiu que ela estava batida, derrotada. A chuva fria decorava o cenário aumentando a aflição e o inconformismo por ser obrigada a suportar e aceitar a traição. A chegada do vizinho confidente, a salvação o desabafo.

Foi uma noite louca. Vicente chegou ao amanhecer bêbado, trazendo numa sacola sua camisa e sapatos juntamente com alguns trajes femininos. As roupas de algum travesti fediam lixo, esgoto. Questionado pela esposa respondeu com um soco fortíssimo no rosto e avançou empunhando uma faca da cozinha. Graças à sua destreza, escapou das garras maldosas do marido, sem antes ser atingida de raspão com a ponta da lâmina que correu sobre sua testa.

No dia seguinte, ao amanhecer, acordando o marido o avisou que estava a caminho da delegacia de polícia, para relatar os acontecimentos. Se você ainda estiver aqui quando eu voltar, chamo os guardas para tratar da sua valentia. Pegue o que te pertence e suma!

A delegada fez o boletim de ocorrência e recomendou que Margot, baseada nos fatos imediatos e em outras denúncias, encaminhasse o pedido de divorcio. Após intimação policial, Vicente compareceu ao distrito para prestar esclarecimentos. Confirmou tudo o que falou Margot, assinou o depoimento, apenas mais um, e se foi.

Passados cinco dias, pelo telefone, Vicente marca um encontro com Margot. Receosa, ela sugeriu que poderia encontrar-se com ele na casa de sua mãe. Ele aceitou.

Na hora marcada, o valentão, chegou mansinho na casa da sogra. Mal ajambrado, as roupas marcadas pelo uso de vários dias, deu de cara com a casa cheia de gente. Lá estavam, não só a mãe de Margot, mas os cinco irmãos, vários sobrinhos e sobrinhas, e dois tios irmãos de sua mãe.
Surpreendido pelo coletivo que o conhecia muito bem, Vicente de joelhos, pediu perdão por seus erros, segundo ele fomentado pela bebida: “Quando bebo não sei o que faço”! E entregou-se num choro infantil que emocionou Margot e a plateia presente.

Um único sentimento permeou o ambiente e em coro recitaram: “Coitado”! Acolhido pela família, Vicente volta ao lar. Todos concordaram em, sem rancores, botar uma pedra sobre o passado. Mas, a pedra estreita não cobriu o nojo...

Na delegacia, Margot se explicou à delegada, desculpando-se e dizendo que estava tudo bem e que houvera um desentendimento lamentável provocado pelo álcool. A delegada por sua vez, ainda alertou-a: “Minha querida livre-se desse marido antes que ele a mate”. A queixa foi retirada.

A semana voou e Henri retornando na madrugada de 24 de agosto, vindo de Paris, ao abrir a porta do apartamento, deixou cair uma garrafa de Moet Chandon Chill Box explodindo no chão de mármore acordando a vizinhança impiedosamente. Recolheu os cacos, e foi para o chuveiro.

Enxugando o rosto entrando no quarto depara-se com um cenário de sonho: Margot sobre a cama a postura quase verdadeira de meditação yoga, os olhos fechados, a meia luz do abajur no canto sombrio do quarto, deixou Henri estático. Uma verdadeira miragem surreal... Desta vez nua! Inteiramente nua!
− O que está fazendo? Perguntou ele.
Abrindo os olhos:
− Vim pagar a promessa...
− Que promessa mulher?
− Um dia eu vou dar pra você; Lembra?
− Sim...
− Ele me estragou, Henri; Preciso de outro homem quero me dividir!
−Vem!...

5786 – Ventura Picasso – Cia dos Blogueiros
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