29.5.11

O gozo sem vida de Joana

Sentiu molhar sua cueca. Era seu sêmen. Estava ejaculando sem gozar. Raimundo estava no trabalho. Eis o motivo do ´gozo` não gozado. Trabalhava na construção civil. Era peão. Sempre que manuseava a britadeira, como agora, acontecia cedo ou tarde isso – ejaculava por causa do movimento intenso da britadeira ligada. Quando acontecia, ele parava a máquina e olhava ao seu redor com olhos de cansaço seu ambiente de trabalho. Desta vez, não foi diferente, olhou ao seu redor aquele ambiente inseguro do trabalho. Uma mega construção de um centro comercial, o maior do Amazonas, numa área de terra fofa e molhada. Repleta de palmeiras e buritizeiros. Lembrou naquele instante de sua família e de todas as outras de seus companheiros de trabalho, principalmente aqueles acidentados. Pelo menos ganhava o adicional de periculosidade. Pensou ele.

Naquele mesmo momento, do outro lado da cidade dos manaós, Joana gozava de verdade. Um gozo esplêndido. Cheio de vida. Coisa que não tinha em casa. Necessitava do adultério. Já conhecia a ladainha diária de Raimundo quando negava a sua dita ‘masculinidade’, como se isso e a opção sexual fosse de fato a representação da masculinidade. Ela sempre pronta para o acasalamento, enquanto ele sempre negava o coito. No fundo Joana acreditava gostar do adultério, não era somente uma necessidade. Porém conservava certo pudor, por causa do tempo junto com Raimundo. Depois de sair da casa abandonada onde estivera gozando com o amante, foi até a casa da Jurema – sua amiga mais íntima.

- Ju, acredita que já estou amigada com o Raimundo há 20 anos?

- sério Jô?

- sim, já não agüento mais! O homem antes não negava coro. Agora ta o contrário. Sempre com a mesma história. Além do que, ta uma merda lá em casa. Sempre brigamos.

Raimundo tinha ido ao banheiro. Na volta retornou com tudo ao trabalho. Só pensava no final do mês, para receber o salário e poder comprar a comida dos meninos e beber aquela cerveja ouvindo o grande waldick Soriano com os amigos, sua única válvula de escape. E quem sabe se animar mais e conseguir suprir as necessidades de sua nega. Respirou grande otimismo. Começou a manusear a britadeira com mais alegria. Preciso de pouco para ser feliz. Pensou Raimundo.

O ambiente de trabalho era totalmente inseguro. Como é de costume. Raimundo estava trabalhando próximo a uma barragem. Aconteceu o já imaginado. Raimundo naquele momento foi soterrado com a queda da barragem. Todos seus companheiros tentaram juntos tirar seus amigos de trabalho, pois não só Raimundo foi soterrado, mas uma dezena de peões. Esses grandes trabalhadores artistas que faziam belos prédios. Eles não conseguiram sair com vida desse atroz acidente,um ´acidente previsto´, já que trabalhavam perigosamente. Nessa noite Joana não ouviria mais a ladinha diário de Raimundo.

Trim, trimm, trimm. O telefone velho preto no canto da sala toca na casa do recém finado Raimundo, em uma tarde quente e aconchegante na zona leste. Joana, com seu cabelo bicolor e saia rodada vermelha, atende ao telefone e recebe a noticia do falecimento do dito cujo. O homem do ‘recursos humano’ da empresa informa ainda que a empresa providenciará o pagamento de uma indenização para família, além de um cala-boca a mais para a esposa não comentar nada com ninguém sobre o acontecido. O mesmo homem já tinha cuidado de molhar as velhas mãos calejadas de dinheiro sujo dos jornais de Manaus. Para que mais um grande ‘empreendimento’ seja construído sem notícias de mortes de trabalhadores.

Enquanto isso, Ricardo Bittencurt dono do estúpido centro comercial tomava seu whisky com o ar condicionado no cú. Ao redor de pessoas-fantasma exibindo ao seu lado uma mulher – que vendeu não somente o seu corpo, mas também a alma- que chamava de amor. Toda essa comédia humana como subterfúgio do vazio de uma vida repleta da estupidez humana característica dessa gente de existência soberba.

Joana sentiu uma coisa estranha, dor e alegria ao mesmo tempo. Desligou o telefone. Imaginou como seria boa sua vida sem o Raimundo. Sentiu vontade de transar novamente. Ligou para José. Marcaram o encontro. Usou o pretexto de ir resolver coisas para o velório e enterro do ex- companheiro como justificava para poder ir ao encontro de José.

Chegou ao centro da cidade já há noite. Desceu a Avenida Eduardo Ribeiro. Parou na frente do arrogante Teatro Amazonas olhou seu cocar e por detrás viu aquela lua triste e fria. Ouviu tocar o sino da igreja como se fosse o som da solidão. Sentiu a noite. Entrou no motel barato procurando o prazer. A noite acabou para Joana como um gozo. Não o gozo de antes. Quando Raimundo estava vivo. Mas um gozo estranho, mais fraco, mais triste. Um gozo sem pudor e sem vida. Enfim um gozo sem adultério.

Foto:http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRincYFSAffOFkVyijih34pLyOGHhTJAyKPfvY68ryW1sfFAUihgg Blog - Notas de um Flanador http://flanador.livrespensadores.org/ Textículos e literaturas infames

25.5.11

Morre Abdias Nascimento



guerreiro do povo negro


ABDIAS DO NASCIMENTO


Nascido em Franca, São Paulo, 14 de março de 1914.Professor Emérito, Universidade do Estado de Nova York, Buffalo (Professor Titular de 1971 a 1981, fundou a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo no Centro de Estudos Porto-riquenhos).Artista plástico, escritor, poeta, dramaturgo.

Faleceu nesta manhã de terça, 24, no Rio de Janeiro, o escritor Abdias Nascimento. Poeta, político, artista plástico, jornalista, ator e diretor teatral, Abdias foi um corajoso ativista na denúncia do racismo e na defesa da cidadania dos descendentes da África espalhados pelo mundo. O Brasil e a Diáspora perdem hoje um dos seus maiores líderes. A família ainda não sabe informar quando será o enterro. Aos 97 anos, o paulista de Franca, passava por complicações que o levaram ao internamento no último mês. Deixa a esposa Elisa Larkin, filhos e uma legião de seguidores, inspirados na sua trajetória de coragem e dedicação aos direitos humanos. (Redação, Correio Nagô)

Foto: doolharnegro.blogspot.com

http://www.limacoelho.jor.br
Carlos Alberto Lima Coelho.

15.5.11

Versão Oficial

Ficavam proibidos sob o manto obscuro da ditadura: editoriais, crônicas, artigos ou comentários, fotos, notícias e entrevistas tratando da conjuntura. A censura federal no Brasil reinou absoluta de 1964-1985, terminado esse período, os jornalistas da época, cada qual na sua realidade, foram vítimas da mesma doença: “E agora, acabou a censura, o que eu faço?”

E hoje refletindo sobre essa época bastarda, nos deparamos com ‘proibições’, impostas sobre nós, como no passado. Indivíduos com cargos no governo, dedo duro, assistentes de comunicações à espreita de nossas crônicas, nos torturam com ameaças procurando evitar a circulação de notícias que contrariam os interesses do governo.

Bico calado? Nem pensar, caiu na rede, repassamos. Apoiamos os “Blogs Sujos” que denunciam o mau jornalismo! Exigimos respeito de quem não concorda com nossos ideais. Somos mensageiros cultuando a verdade, a resistência! Chega de grosserias!

Blogueamos em favor da democracia. Quem governa pode propagandear seus feitos, mas não pode exigir o ‘sim senhor’ de ninguém. A leitura de um jornal é uma oração matinal filosófica como disse Hegel. Agora, confrontar a linha editorial de um jornal diário ou de um blog, é tolice.

Se os auxiliares do prefeito possuíssem a liberdade de informar, e atendessem a quem os procurasse, bem como a imprensa, essa atividade de consumo interno do governo, de falar para o governo o que estão fazendo, seria desnecessária. O PT não faz audiência publica a portas fechadas. Com essa conversa de surdo contra surdo ‘o gato vai subir no telhado’.

O que se pode falar (calar?) sobre os semáforos, nos fundos do supermercado Rondon, essa ‘obra de arte’ da engenharia de trânsito, quando entrará na pauta publicitária? Qualquer cidadão, por mais ingênuo que seja, notará o gasto absurdo de dinheiro público com aqueles postes. O penduricalho luminoso tricolor, piscante não identificado, ficará no local até quando, fazendo o quê?

A qualidade de certos textos oficiais, fora da curva, enaltecendo e expondo os feitos do prefeito, contrariando opiniões e realidades físicas, não corresponde ao PT que ideologicamente dispensa esses favores, seja onde for ou em qualquer município; pega mal. O programa do partido é inquestionável, sem censura!

O 20º item do I Encontro de Blogueiros Progressistas de São Paulo propõe: Lutar contra o AI5 digital.

Quem critica o governo municipal de Araçatuba, necessariamente, não quer ser cooptado pelo PSDB. Vai se quiser! Quem critica, colabora, não trai!

A cobrança sobre os feitos equivocados do executivo é o que há de melhor no centro do poder. Enquanto que os elogios exagerados e contínuos, produzidos pelos escribas bajuladores, acabam facilitando a destruição política de um quadro, escolhido pelo voto popular, que a sociedade esperava libertador.

A verdade caminha lado a lado com a mentira. A notícia deve ser avaliada pelo público. Na rede de computadores, sem dúvida, a mentira não tem pernas; a verdade voa.

A versão oficial dos fatos, constantemente, deixam dúvidas. Ou você duvida?


Imagem da internet: Quem é o dedo duro? http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRp5p4MDealsBnzJPBFiJuGVax6YKcI306ykXBs2jgcyC8pATlfWQ


Ventura Picasso - Cia dos Blogueiros - Araçatuba SP 2592

6.5.11

Ebateca Pituba

Prezado Anderson, bom amigo, obrigado pela visita em ‘Coisa nossa’. Para deixar sua opinião, na próxima interferência, eu gostaria que você informasse, se se trata do seu pensamento ou da Avape, sob as ordens da coligação que chefia o governo de Araçatuba.

Agradeço de coração o alerta, mas não “ando lendo muito a Folha da Região”, na verdade eu só leio a FR. O seu chefe falou: “O PT não ganhou as eleições aqui”, sem explicações. A coligação que disputou as eleições para prefeito nunca me preocupou.

Fiquei decepcionado com o apoio, incondicional do prefeito, ao vice-prefeito, àquele que quando vocês citam o nome de um, por obrigação, citam o do outro; bacana? O salto alto de quem manda e não pede e a prepotência enquadrando e excluindo petistas da administração, por apoiarem os candidatos a deputados do Partido dos Trabalhadores PT, em detrimento do candidato, chapa branca, de um partido estranho.

A executiva do partido fez o quê?
Quando escrevi sobre estrutura e conjuntura, não me referi às questões geográficas; você foi mal. Falei do poder político conservador. Falei do malulysmo que não acabou, e que estará de volta; dos tucanos que desconstruíram o sonho do executivo e de seu candidato a deputado abrindo um espaço que não tinham, e hoje a conjuntura está assando a batata da reeleição, “o pessoal do PSDB comemora”.

A relação, apresentada por você, dos feitos do prefeito, em 28 meses de governo, é modesta. O Plano de Governo proposto em 2008 está superado. Quantas impugnações, e porque, foram feitas na apresentação das mais diferentes licitações? Essa é a relação que você poderia apresentar para debates à diretoria municipal do partido, mas você não teve coragem de se filiar ao PT. No PT tudo deve ser debatido à exaustão.

O balé municipal de uma pequena cidade, com vice-prefeito do PT, saiu de 80 para mais de 2 mil alunos inscritos, estudando e dançando num lindo teatro (aqui falam de 100 para 400 sem palco). É a importância da cultura na publicidade gratuita de um governo inteligente. Na foto acima a Academia Ebateca Pituba de Salvador/BA num grande palco municipal.

O meu compromisso político é com as teses do PT. Nunca serei a favor do poder, apenas, pelo poder. Não existe um partido petista do passado e outro do presente. O PT não muda. O ser humano muda. Não espere muito da Reforma Política, coisa que você não entende; essas nossas propostas petistas são ‘antigas’.

Prezado Anderson: Se você fosse um operário de jornal e não assessor de imprensa, certamente, o seu olhar para as empresas de comunicações seria outro. A Folha da Região é uma empresa privada, legalizada e por direito, livre para expressar-se.

Ninguém pode exigir o conteúdo jornalístico segundo seus interesses. Quem estabelece o conteúdo são os funcionários que organizam a pauta. Para seu consolo meu caro Anderson, é melhor que o jornal fale mal do que omitir-se ou ignorar os fatos governistas.

A manchete é um chamamento importante para vender jornal na banca. O mancheteiro tem que saber criar o titulo para fisgar o leitor. A notícia é o produto oferecido pelo jornal que disputa o mercado de informação num sistema capitalista supostamente democrático.

Aqui tens um bom exemplo: “Tribunal manda prefeito explicar contratação de empresa do lixo. A3”. É linda; né, não? Por isso “leio muito a Folha da Região”.

Problema explicado? Assunto liquidado!

Foto: Academia Ebateca Pituba (Salvador/BA) - http://1.bp.blogspot.com/_MmVpUg0wj-E/TKSSUVD14AI/AAAAAAAAASw/62Dp_-qBV8k/s320/Foto+Revista+Danca+Brasil.jpg Texto readaptado 2832

Coisa nossa

“Não existe coordenação, as acusações vão sendo respondidas de improviso, e assim Pita não está convencendo ninguém” – (Qualquer semelhança é mera coincidência).

O Partido dos Trabalhadores, ao longo de poucos anos, construiu uma reputação exemplar, com muito esforço, coragem e sofrimento. Seu manifesto é um grito de liberdade, democrático e popular.

Embasados nessa reputação, votar no candidato do PT para prefeito de Araçatuba, alimentavam a esperança de modificações radicais administrativas em nossa cidade.

Vencida as eleições, e a partir do centésimo dia de governo, alguns eleitores decepcionados, previram que a coligação governava segundo tradições malulysta. Nada mudou, nada foi modificado. A velha estrutura, imutável, permanece. Tudo ficou como dantes. A mesma peça, o mesmo roteiro, os mesmos personagens nos mesmos palcos.

A conjuntura por sua vez, mutilada, fica solta ao bel prazer de oportunistas e mentirosos, que se dizem preocupados com o município, mas apenas marcam posição para o próximo pleito.

O PT não ganhou as eleições afirmou o prefeito. A direção do partido que “comanda” a coligação é anêmica, talvez por isso e apartada do jogo político, perdeu todas as oportunidades de intervir e questionar as ‘falhas’, ou supostos ‘enganos’ burocráticos cometidos pelo primeiro escalão administrativo que ‘suporta’ o prefeito Cido Sério.

“Eles não sabem nada da cidade”, assim esbravejou o ex-comunista tucano Walter Feldman, ao bater a porta no nariz do Alkmin. Mais semelhanças ou coincidências?

A vereadora tucana está de olho nos equívocos de digitação na licitação de prestação de serviço de publicidade e propaganda. Equívocos? Essa verba, se aprovada, será dividida entre quantas empresas de publicidade? Dizem as más e as boas bocas, que poucos confiam no atual governo. A credibilidade perdida interfere cruelmente nas tradições de um nome. Quem poderá acreditar em novas propostas ou promessas desse governo dirigido pela coligação “Araçatuba para todos”?

Isso é coisa nossa. Não me refiro maldosamente, a Cosa Nostra siciliana, mas diante de comentários espertos, não sábios, “com a máquina na mão a reeleição é certa”, e la nave vá!

Nunca é tarde para recomeçar. Recuperar o tempo perdido, entre pessoas de bem, é possível. Recuperar o nome é mais complicado. O presidente Lula, certa feita, falou para quem quisesse ouvir: “Qualquer um pode errar; menos eu!”. Esse é o preço de quem milita na esquerda, e ao PT não cabem erros.
Sou brasileiro e não desisto. O Partido dos Trabalhadores não é sigla particular ou de aluguel.

Falta coordenação nas relações humanas entre a prefeitura e seus clientes. Não ser atendido é humilhante para quem procura ajuda. Por duas vezes fiz contato com a administração: Na primeira, o trivial, saber quando poderiam providenciar o fim de um buraco, antigo habitante da minha rua; Não fui atendido.

Na segunda esperei por duas horas que um secretário desses, muito importante, que chegaram da Capital, me passasse uma informação. Fiquei firme, por mais de duas horas, para saber até onde iria à indiferença de um “servidor público de primeiro escalão” por um munícipe invisível.

Atitudes arrogantes desconstrói um governo que poderia ter sido o melhor dos últimos cem anos desta Araçatuba que tem em sua praça central um chafariz num tanque de agua podre.

A população periférica precisa de proteção, a prefeitura promete asfalto, mas o centro da cidade é do povo da periferia. Há neste país uma nova classe média a ser entendida e atendida por qualquer governo comprometido com a nação que nasce nos municípios.

O negócio do governo é uma maquina eleitoral? Nesse caso, a propaganda é a alma do negócio. Em todo negócio, a concorrência é uma pedra no sapato.

Quem vai encarar?

Ventura Picasso – Blogue Sujo - Cia dos Blogueiros – 3165 - 25042011
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