20.12.11

Fechado pra balanço




...”De hoje em diante só vou escrever sobre erotismo político”...

A igreja de Santa Maria, como de costume, sempre cheia. Um domingo na missa das dez, o celebrante saudava os fieis, quando de repente, ouve um toc toc, toc toc som inconfundível de sandália Armani Jeans 36 com 12 cm de salto entrando pelo corredor central. Vestindo um chemisier azul real com uma flor negra abaixo da gola à esquerda, exalando Chanel nº5, vem chegando lentamente, à procura de um lugar entre os fieis causando uma verdadeira estupefação entre os presentes.

Por cima dos óculos, o cura, pode ver e acompanhar um desfile de elegância inigualável. O ritmo do andar da ex-deputada, hoje candidata a prefeita de Monza, a ilustre Cicciolina, encanta a comunidade. Num lapso de tempo, um flashback de doces recordações, reconhece a inesquecível ex-atriz pornô.

O pároco retirou as lentes, abriu um sorriso sincero despertando a curiosidade de todos na igreja. Os olhos do sacristão estavam em festa! O órgão solava Jesus Alegria dos Homens - Bach – parou. O experiente coroinha, para quebrar a pausa e chamar de volta à assembleia sagrada o velho pastor e sua equipe, brandiu o carrilhão.

Eleita em 1979 pelo ecológico Partido do Sol, cumprindo suas promessas de campanha, deixou muitas saudades aos seus eleitores. Entendemos que Cicciolina representava dignamente uma minoria formada por artistas de cinema pornô, e não um bando de pervertidos.

Aqueles falsos moralistas que enganam os eleitores, que prometem uma administração exemplar, conforme as tradições do partido a que pertence, mas ao assumir o governo já mais manso, adere ao “jeito demista de governar”, prostituindo-se ruma ao inferno e privatiza. Daqui a alguns anos, a sociedade não se lembrará dos políticos que passaram por Araçatuba (2008-2011).

Lendo o artigo em 9/08/2011, “Os partidos e seus umbigos”, o jornalista José Marcos Taveira, da Folha da Região, informa e não denuncia, é claro, mas cobra a falta de compromisso, a omissão social, dos partidos políticos.

Taveira nos explica como deveria ser a política em nossa cidade. Isto me leva a Maquiavel (1469-1527), que nos ensinou, ao escrever sobre Estado e Governo, a entender a política como ela é. Seus textos naquele tempo denunciavam o que os déspotas escondiam. Vejamos como nos explica o filosofo de Florença: “Nota-se que os homens são aliciados, ou aniquilados”. Esse é, possivelmente, o filme preferido da bancada governista?

Fundador do pensamento político moderno, Maquiavel, não relatou em seus escritos os cargos comissionados, a terceirização de mão de obra, privatizações, espaços rotativos para estacionamento de veículos, ong, oscip, abong etc. Se nem ele detectou as mutretas políticas da “Velha Senhora”, fechei pra balanço; Escrever e informar, o quê e a quem, nessa conjuntura? Vai daí que a Rita não aceita a minha parada, minha autopunição meu stop-go. Fartei-me!

Não é a Rita do Chico é a Rita Lavoyer, exigindo a fórceps os ‘meus assuntos’ que já cansaram os leitores, mas ela não. Ela quer mais!

Quem se interessa ou acredita por “compromisso com as pessoas, as coisas e os lugares”? É meu direito não querer escrever mais sobre política. Pode crer quem quiser, de hoje em diante só vou escrever sobre erotismo político. O orçamento para 2012 é um gozo, não no sentido erótico, mas no sentido reto, um berço de gozações. Chega de corrupção, o povo merece respeito; ‘Araçatuba para todos’ nunca foi levada a sério!

Entre o espaço de duas placas de pare, nos falta a dignidade de uma Cicciolina!

Reabriremos em janeiro de 2012.

Picasso - Cia dos Blogueiros

Foto: Picasso

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6.10.11

Pensando a Cidade

Sexta feira, 30 de setembro de 2011, mais uma vez, o Jorge Napoleão Xavier escreveu sobre pessoas e lugares. A crônica “Cidade” revela o universo, detalhado, em que nasceu o Daea. Não há no mundo cronista melhor.

E o momento é oportuno, apesar de não haver mais tempo para salvarmos a autarquia. A história bem contada por Napo na pg. C2 do Caderno Vida da Folha da Região, serve de reflexão sobre a grande decepção, aos habitantes da cidade os legítimos proprietários do Daea, causada pelo prefeito.

Gera polêmica as palavras do alcaide que promete controlar ou fiscalizar os preços da nossa agua. A telefônica privatizada acrescentou apenas 500% em suas tarifas; As eletricas modestamente reajustaram seus preços em 150%. Das 166 empresas privatizadas de 1990 a 1999, os trabalhadores perderam 546 mil postos de serviços.

Gay Talese, jornalista e escritor top, com 10 anos de New York Times, falando de lugares e pessoas ao estilo Napo, sem dúvida se ocuparia da bizarrice feita com o Daea, e intitularia em manchete ao seu estilo: “Araçatuba traída. Só falta o governo quitar todas as dívidas do Daea, assim como perdoar os grandes devedores, e entrega-lo zerado ao felizardo vencedor do leilão; Não, o povo não pode fazer nada”.

Só o Saco de Dinheiro faz!

O Partido dos Trabalhadores-PT de Araçatuba nos deve explicações sobre a submissão aos mandos do governo. Empresa privada busca o lucro e não o bem comum. Que projeto socialista é esse?
Está escrito que o modelo de socialismo petista é radicalmente democrático, em caso contrário, não será socialismo. Consta nos documentos básicos do partido, a fidelidade ao compromisso com o povo brasileiro, sendo um partido de massa, sempre lutando por liberdade e justiça, com mecanismos ágeis de Consulta Popular, não havendo essa prática politica, esses documentos são meras teses abstratas e descartáveis.

Que atitude é essa?

A Câmara ainda se debate para aprovar um Código de Ética que não seja uma cobra de duas cabeças. Possivelmente convidada para obedecer e não para legislar sobre esse projeto privatista. Afinal, o tal ‘Saco de Dinheiro’ conseguiu derrotar a Consulta Popular, exigência e arma democrática do PT em defesa dos interesses do povo?

O processo de privatização da Vale do Rio Doce transcorreu sobre suspeitas de corrupção, com denuncias de cobrança de propinas milionárias, o famoso saco de dinheiro do século 20. A Vale S.A. a maior produtora de minério de ferro do mundo, privatizada por R$3,3 bi em 1997, valor que representava o faturamento de um ano de sua produção, hoje de três meses.

Jorge Napoleão Xavier, em “Cidade”, nos diz: “quem sabe se na esquina do futuro serão recordados os que fundaram o DAEA”.

Pensando a cidade; Faltou respeito ao Manifesto de Fundação do PT, e pela empresa pública araçatubense, o mesmo respeito que faltou aos pracinhas mortos na Itália que deram a vida em troca da maior mineradora de ferro do mundo.

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Ventura Picasso – SINTAPI: Sindicato dos Trabalhadores Aposentados, Pensionistas e Idosos e filiado a Cia dos Blogueiros.
End. Foto http://www.lr1.com.br/arquivos/notdestaque/capa_daea.jpg

4.9.11

Quem não vota vaia

O poder do Estado é provisório e limitado. Quando a classe política dirigente silencia sobre os fatos históricos que escandaliza e prejudica a sociedade, já não consegue evitar a desintegração desse poder, e quando inicia uma guerra contra a imprensa é sinal latente de que o fim se aproxima.

Un passant nos ensina R. Corbisier: ”Como é óbvio, não há democracia sem oposição e não há oposição sem crítica e não há crítica sem liberdade”.

A coragem do prefeito pautando as votações na Câmara, segundo seus interesses, ‘privatizando’ a empresa de água gerou uma insegurança trabalhista entre os seus funcionários protegidos, no governo e na câmara. É bom lembrar que, empresa privada não tem cargos comissionados, e eles serão os primeiros a conhecer o olho da rua.

Coragem, não significa força política, pode ser blefe. Os apaniguados municipais ao aplaudirem os vereadores da bancada governista, pela ‘vitoriosa’ votação que liquidou a possibilidade de consulta popular para definir o futuro do DAEA, abalou Araçatuba. Atitude que nem o famigerado Berlusconi, que prefere deixar a Itália, se atreveria promover.

A única vereadora do Partido dos Trabalhadores na Câmara perdeu a chance de atirar o sapato em quem propôs a concessão da nossa autarquia. Ela não deveria, mas aceitou e defendeu os argumentos venenosos que desmoralizou, perante a opinião pública, a nossa empresa de água e traiu.

O silêncio do PT decepciona. Usaram a história do partido, seu discurso e seus símbolos para aplicar um estelionato político. O Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba é do povo, e o governo por obrigação deveria resguardá-lo.

O poder do Estado é provisório e limitado. O eleitor, que é obrigado a votar, tem um velho compromisso nas próximas eleições. Novamente trocar todos: Prefeito, vice e vereadores. O Brasil é o país que mais troca seus ‘representantes’ políticos no mundo. Não é um voto de revolta, ou de vingança é um voto necessário. Quem não vota vaia! Poderemos ser enganados por outros políticos, mas nunca mais pelos mesmos.


1872
Ventura Picasso – Secretário Geral do SINTAPI Sindicato dos Trabalhadores Aposentados, Pensionistas e Idosos e Blogueiro.
Foto -
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16.8.11

Afogaram o DAEA

Eu só quero entender (macaquice).
Quem pode me explicar, como uma empresa que industrializa e vende um produto essencial, sem concorrência, numa cidade com mais de 180 mil habitantes, com quase 100% das propriedades ligadas ao sistema de consumo, não tenha como sobreviver?

Assistindo ao filme “O Divo”, a máfia no governo, aprendi uma frase rara com Giulio Andreotti: “Algumas pessoas vão à igreja para rezar outras, porém vão para falar com o padre”. O Valdir Silvestre, que não tem nada com o Divo, conversando com seus paroquianos na São Paulo Apóstolo, elaborou um abaixo assinado para reverter a brincadeira que os vereadores aprontaram nas férias do último verão.

Em 83 páginas juntaram 2898 motivos pra vereador nenhum ter dúvidas da arte que aprontaram.

Fomos enganados tivemos os nossos direitos prejudicados em 10 de janeiro, pelos vereadores, nas férias parlamentares: Cláudio Henrique da Silva (PMN), Durvalina Garcia (PT), Edval Antonio dos Santos (PP), Joaquim da Santa Casa (PDT), Olair Bosco (PP), e Rivael Papinha (PSB), conforme cita a Folha da Região (14/08/2011), liberando o caminho para eliminar o direito de consulta popular em defesa do DAEA.

O Partido dos Trabalhadores-PT, guardião e baluarte das lutas em defesa dos movimentos sociais não sabe da existência do abaixo assinado. Se soubesse a sociedade estaria mobilizada para enfrentar esses agressores. Esperamos que ao tomar conhecimento, o partido encampe essa luta que é de todos. 2898 assinaturas é pouco, a prefeitura de Araçatuba merece 35 mil assinaturas contra o absurdo neoliberal proposto, distraidamente, pelo governo.

A administração de uma empresa, se micro ou multinacional, o primeiro quesito é hombridade (palavra). Não é preciso formação universitária, basta saber as quatro operações. Não precisa ser engenheiro, ou doutor em qualquer área, precisa apenas disciplina para não comprar mais do que vende. Precisa conhecer o território físico ocupado pela empresa. Saber conversar com quem lava os banheiros, quem faz café e quem recepciona os clientes, essa é a única forma de se conhecer os intestinos de uma entidade pública ou privada. Quantos funcionários é preciso para atender a demanda. Quais são os clientes, quem compra e paga; quem leva e não paga e por quê?

A Infra quer arrancar dos munícipes de Araçatuba, o DAEA. Nós os prejudicados, queremos saber se, para fazer funcionar todos os departamentos, a Infra nos revela quantos funcionários seriam necessários?

A empresa está inchada? Para a iniciativa privada há um excesso de pessoal; para a prefeitura não? Certamente o presidente da autarquia não conhece as quatro operações; coitado! Afogaram o DAEA. Precisamos da autarquia viva, e não da morbidez da atual direção. Substitua-o...

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Foto – Caricaturas de João Abel Manta http://4.bp.blogspot.com/_1O80CFZ_Yu8/SDk3ECRUhLI/AAAAAAAACOU/Yy-ZZLCTz8g/s400/MANTA2.jpg

11.8.11

Rabo de Galo

Empolgado, o alegre vereador e professor Cláudio, da bancada governista, ironicamente afirma que não sabe quantos cargos comissionados, considerados ilegais, o Ministério Público esta questionando: “trezentos e noventa, ou trezentos e noventa e cinco”.

A obrigação do vereador, além de legislar, é fiscalizar o prefeito Cido Sério. Só por isso ele não deveria ter dúvidas sobre a quantidade de comissionados herdados de Maluly, e os que foram espertamente criados pelo governo herdeiro, incluindo-se os protegidos da Câmara.

As ações do PT-Ata, não estão se encaixando com a história tradicional do partido. Em nossa cidade o Partido dos Trabalhadores, não é aquele que conheço, enturmando-se com seus coligados, chefiado pelo governo municipal, minguou, não é diferente dos outros. Como diria o malabarista bêbado na Boca do Porco: “misturaram a cachaça?”, virou Rabo de Galo.

Ao derrotar o malulysmo, os eleitores do PT esperavam mudar a história do lugar, abrindo caminho para que a modernidade entrasse pela porta da frente, para sempre. Mas, o mais antigo Ex-deputado Federal vivo do Brasil, doente, cansado, cassado e aposentado continua em plena atividade. Sem cargo, dá trabalho, distribui serviços, fica de olho; Quem pode manda!

A bancada governista de hoje, é igual às outras, como aquela que segurou Maluly 7½ anos, enquanto a oposição gritava e exigia “ética na política”. A qualidade dos vereadores que dão suporte ao governo atualmente, assim como os anteriores, fecham todas as brechas possíveis que permitam a passagem da lei. Os éticos perderam-se no pó do tempo.

Os presidentes dos partidos políticos, articulados determinaram que, na Câmara de Araçatuba, haverá 17 vagas a vereadores na próxima gestão. Não haverá debate com os eleitores, nem entre os parceiros legisladores, uma vez já acertadas as cadeiras no conchavo ao pé do ouvido. As vaias de agosto não encontrarão eco no legislativo. Não haverá discursos em defesa das 17 vagas, o voto será sussurrado.

A moeda de troca, para garantir o mandato de uns poucos vereadores, está na aprovação do novo projeto defendendo a volta do plebiscito sobre o Daea. As cartas estão na mesa; Estou pagando para ver.

O custo com o aumento do número de vereadores na câmara será o mesmo: O percentual é estabelecido em lei, o duodécimo é fixo. E o custo paralelo, se é que existe, quanto será? Com 12 parlamentares, acrescentaram, conforme informação incerta do vereador Cláudio, mais de 390, com 17 a quantos cargos chegarão?

Ventura Picasso – Cia dos Blogueiros – 2144.

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18.7.11

Erótico Berlusconi

Gostaria de escrever sobre o amor, coisas fúteis, preguiça e amenidades. Fazer um soneto, como faz o poeta patriota Vicente Marcolino Rosa, contando silabas. Gostaria de escrever sobre a vida pregressa do Berlusconi, dando um Saco de Dinheiro para os vereadores comprarem uma pizza de mozzarella.

Soou o alarme. A representante da prefeitura, em discurso, recomendou aos contemplados do Porto Real, que deixem de lado “Fofocas” e “Pizzas”. O Ministério Público curioso não gosta de maroscas, mas quer ouvir essas “fofocas”, deixa as pizzas de lado. Na foto do Saco que virou pizza as três meninas, o heroico professar e Papinha, os cinco, na primeira página da FR em 22/06/2011.

Meu sonho de escrever um conto erótico delicioso das Arábias, com Petraeus e Woodward da OTAN, ao lado de Osama, Obama, Sarkozy e o erótico Berlusconi numa balada, no rancho de praia da loira Merkel que paga as contas com o dinheiro surrupiado de Kadafi. Convidar o diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn, para fazer o roteiro do meu texto e transformá-lo num filminho holandês, de camareira.

Mas, na primeira página da Folha da Região de Araçatuba 15/07/2011, novamente, outros cinco rostos de vereadores: Joaquim (da Sta. Casa), Edval (da Madeireira), Joel (da Platibanda), Rivael (Papinha) e Olair, na foto ‘cabecinha’, por excessos flagrados no radar.

Antigamente, havia fotógrafo que fazia essa foto decorativa, como faz hoje a FR. As fotos de crianças eram oferecidas, porta a porta, pelo agente aos gritos: “Senhora faço fotos da ‘cabecinha’, amanhã entrego”. Entregava um quadro com cinco cabecinhas colorizadas.

Pintando 7, os cinco preferiram perder o prazo, em marcha lenta não excederam a velocidade, e o radar Splice de Votorantim vive rindo atoa. O que é que tem? Não tem! A Câmara Municipal tem ou não tem Comissão de Ética? Não sei. Tem parede para pendurar o quadro? Procura-se!

Ouvi dizer que o Barak Obama, Nobel da Paz de chapéu na mão, vai pendurar o que deve. Não sobra nem para pagar salário de soldado raso. O Sarkozy está mais duro que Berlusconi; David Cameron ministro inglês, está enrolado até o cabo com Andy Coulson ex-editor do jornal NoftW do voyeur Murdoch que tem prazer de orelha, falou que não tem porta aviões para flutuar no Mediterrâneo.

Os vereadores de Araçatuba a cada dia nos decepcionam mais e mais. Imaginemos, em nossa cidade, Silvio Berlusconi candidato a vereador. Facilmente se elegeria presidente da casa e sua ‘cabecinha’, no meio de uma pizza mozzarella, enfeitaria a primeira página da Folha da Região. Ele é o ‘cara’ de pau, com phd em escândalos íntimos e arranjos políticos.

2232. Ventura Picasso - Cia dos Blogueiros

“Acredite” de V. Marcolino Rosa.

À noite, junto ao copo cristalino,/O detentor de vício não controla/A compulsão que tem desde menino,/Não pensa na saúde que se evola.
Vulto cambaleante e sem destino,/Balbucia estridente cantarola,/Tem trêmulas as mãos e corpo fino,/Sorve aguardente e suco de acerola.
Ao seu encontro vem a hábil consorte/Que lhe dá beijo e abraço como afeto,/Traz prova de que tal elo é bem forte.
Ao bom lar, leva-o numa cena rara/De que só é capaz alguém dileto/Cujo excelso amor une, não separa!

http://muitasbocasnotrombone2.blogspot.com/ Foto Berlusconi - http://3.bp.blogspot.com/-wrDr6bf7nUk/TVmdXXzOsFI/AAAAAAAACeA/Hr6c0N8Q8bc/s1600/berlusconi.jpg

30.6.11

Escondidinho

À tarde um frio indesejável, não apenas para quem o detesta, até para quem diz que gosta. O carteiro, enfrentando a geada, chegou de bicicleta com algumas cartas; O atrevido queria saber do conteúdo da missiva, um cartão do presidente do legislativo.

Pela internet, até o chefe da polícia me felicitou.

Precisamos comprar as coisas! Diz a dona da casa, prosseguindo, instruiu: Encomende por telefone ou vá comprar no mercado: vinho, cervejas e guaraná Paulistinha diet. Na padaria encomende um pouco de doces e salgados. Volte logo para fazer o bolo.

Era meu aniversário. Tudo íntimo, entre mim, minha esposa, nossa cunhada e as duas filhas.

Retornando com os ingredientes do bolo e com as bebidas liguei à padaria:
− Quem fala?
− Renato!
− Saudações corintianas Renato (cinco a zero)...
− O que o senhor manda seu Picasso?
− Um pouco de doces e salgados para uma mesa de aniversário: Brigadeiro, Nozes, Bicho de Pé, Bem Casado, Cajuzinho, Beijinho, Olho de Sogra, etc. Capricha o presidente da câmara mandou cartão.
− Só isso?
− Não. Há um tipo de salgado que a mulher faz questão de servir. Não sei bem o nome, deve ser, ‘escondido’.
− Escondidinho...
− De vereador!
− O que?
− Isso mesmo: Escondidinho de vereador! Manda uma forma.
− Seu Picasso, presta atenção, não é isso não: É escondidinho de carne seca!
− Tudo bem, manda isso mesmo.

A nossa cabeça com 7.2 deste de 39, lá pelas tantas, mistura tudo. A igreja faz plebiscito do Saco de Dinheiro, o vereador vota pra tirar a diferença que o juiz apitou 12, o líder da bancada sem dar satisfação escondeu o resultado do padre, quer 19. Enquanto isso, em Araçatuba, falta água no feijão; Santo Daea? E a Folha da Região, “culpada de tudo”, quer saber por que, três vereadores fugiram com a Ficha Limpa! Política municipal é porta de hospício. Tá louco?

Comovido, lembrei-me do menino que deixou um Saco de Dinheiro na porteira do legislativo.
Coisas da idade. Sabe como são os ‘aborrecentes’; Radicais e querem justiça, doa a quem doer!

Vou dizer a ele que a interpelação imposta pela presidência da câmara pode ser revogada. O vereador estava magoado, de saco cheio, foi apenas uma decisão emocional. Certamente, o tal edil *“está se guardando pra quando a eleição chegar”. Do meu lado: *“eu tô só vendo, sabendo, sentindo, que ele vai perdoar” – não perca a fé, nem o título de eleitor, menino. Um dia você ainda vai receber um cartão igual ao meu, do presidente, por conta da casa.

O carteiro não arredava, queria porque queria, e fim:
− Rasga logo esse envelope, enfezado diz ele.
− Abri a carta: Uma foto, ao fundo um pacote com laços vermelhos, ladeado pelo gargalo de uma garrafa de champanhe Veuve Clicquot Ponsardin, e à direita, a imagem chique de Cido Saraiva ‘vereador’. No texto os seguintes versos: “O ser feliz está sempre em nossas mãos. O surgir de cada dia vem sempre com uma nova mensagem de esperança, Feliz Aniversário”. O carteiro quase chorou, pedalando rumo oeste, voou fumaceando bafo.

Ventura Picasso – Cia dos Blogueiros
2454. *Chico Buarque.
Foto - http://3.bp.blogspot.com/-AzSKaMn3fbM/Tawb26EnZgI/AAAAAAAAADw/uGqX34zgs50/s1600/el-secreto.jpg

12.6.11

Saco de pizza

O Departamento Jurídico da Câmara encontrou no minidicionário Aurélio o argumento, inquestionável, para minimizar a denuncia, de existência de um saco de dinheiro para os vereadores.

Manchete da Folha da Região de 07/06/2011: ”Advogados da Câmara sugerem que ‘saco de dinheiro’ vire pizza”.

Em entrevista gravada, o vereador Joaquim (PDT), disse aos jornalistas da Folha da Região, Sergio Guzzi e Arnon Gomes: “Não retiro uma palavra, sobre o saco de dinheiro”.

No entender do minidicionário e do Dep. Jurídico, o vereador Joaquim da Stª. Casa falou, mas não disse nada. Nós que não temos ‘memória’ sabemos, como o jurídico e o Aurélio sabem, que discurso é só falação abstrata. O cara fala, pensando ou sem pensar, e o conteúdo some, desaparece no éter. Mesmo gritando escandalosamente, a mais de 70 dB, aqui em Araçatuba, ninguém fiscaliza mesmo.

Temos uma dúzia de vereadores e seus ‘responsáveis’ discutindo, ou fazendo de conta que discutem o aumento de cadeiras na câmara. E não são poucos assentos, eles apostam em 19, que corresponde ao Pavão, mas há o que propõe apenas 9, que é o conhecido burro, segundo o mestre Aurélio (kubrusly.com).

Salvo a palavra do corajoso edil Joaquim, não temos nada de concreto que “se enquadre na categoria de irregularidade”. Mas, há uma pergunta que não foi feita. O tal saco de dinheiro, viria também para quem, vereador?

Quem ficou de fora dessa suposta denuncia na seguinte frase gravada pelos jornalistas: “Não, aí o comentário na cidade é que viria também um saco de dinheiro para os vereadores”. Quem ou quais pessoas estão escondidas sob o ‘adverbio’ também?

Não foram apenas os advogados da Câmara que abafaram o grito do vereador Joaquim, certamente, ele mesmo não gastou todas as informações de que dispõe. E guardou alguma coisa para dizer depois da bronca, tipo: “ouvi dizer”. E aí fica o dito pelo não dito. O imperdoável perdão!

Os limites individuais morais, éticos, sociais, religiosas etc. que cada pessoa traz desde a mais tenra idade, aparece na idade adulta, seja politico ou não. Ninguém é perfeito, mas o homem público se apresenta sempre como representante da comunidade, como eles dizem, por isso não tem o direito de dizer que ‘ouviu falar’. Como dizem os mais entusiasmados: Mato a cobra e mostro o pau (tchê)!

As convenções sociais, o conviver em sociedade, exige de nós uma reserva moral adequada aos nossos princípios tradicionais. Ninguém produz um ‘saco de pizza’ por nada.

O que é isso? Do que de trata? Balão de ensaio? Falar por falar é golpe! Isso é golpe; olha o golpe aí! Como dizia a ventríloqua do Nobrega na TV. Enquanto isso o debate com uma provável concessionária para as contas do DAEA, secretamente, prossegue sem marolinhas.

Qual o papel dos nossos vereadores? Quando escreve não assina; quando assina não lê! Quem tem coragem de aumentar o número de cadeiras? Essa informação não é encontrada no minidicionário Aurélio. Que saco!



Ventura Picasso – Cia dos Blogueiros
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4.6.11

"Cadê o saco"?

Quando um plano sigiloso e desonesto deixa de ser segredo, as informações atingem a sociedade civil como uma bomba. A notícia de mais um escândalo político, agride os suspeitos envolvidos na trama. Como de costume a primeira declaração, ou a de sempre: Não tenho nada a declarar; Não sei de nada.

Uma nota publicada em 05/05/2011, dizia o seguinte: “Depois de três anos sem aumento, o Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba (DAEA) vai reajustar o preço da tarifa de água em 18,88% a partir de junho próximo”.

Num outro momento, dentro do mesmo pacote, o vereador Joaquim da Santa Casa (PDT), em entrevista à Folha da Região, falou pelos cotovelos o que jamais será provado, antes, porém devidamente alertado: “para sua segurança esta conversa será gravada”: “Não, aí o comentário na cidade é que viria também um saco de dinheiro para os vereadores”, declarou.

“CADÊ O SACO?”

Onde tem fumaça poderá ter saco. O cheiro contamina o ambiente e enche os olhos de água que não é do DAEA; todo mundo de olho no saco. O Vereador Cláudio Henrique da Silva (PMN), que não sabia de nada foi surpreendido numa escola: ”Cadê o saco”? Para outro vereador, alguém sugeriu: “Divide um pouco”...

Não importa o termo que queiram dar para essa negociata. Estamos decepcionados com o Estado mínimo. O neoliberalismo está provado, não é bom para a população, só é bom para quem adquiri as empresas estatais. O departamento de águas (DAEA) é um bem publico de interesse social.

A totalidade de escândalos expandidos com o saco de dinheiro é assustador. A nossa capacidade de indignação é colocada à prova. Reajustar o preço da agua em 18,88%, é imoral; Qual produto obteve um reajuste desse porte nos últimos tempos no Brasil?

Em 10 de janeiro de 2011, a Câmara derrubou a obrigatoriedade de o município realizar plebiscito para terceirizar ou fazer concessões dos serviços do DAEA. No entanto, manteve a consulta popular apenas em caso de privatização da autarquia. O governo tentou derrubar o plebiscito para todas as situações. Por meio de emenda, o vereador Rivael Papinha (PSB) conseguiu manter a obrigatoriedade de um referendo popular para eventual privatização.

Tirando do eleitor a opção de votar contra ou a favor da concessão, terceirização ou privatização do departamento de aguas, nessa cascata de fatos, a Câmara Municipal marca como primeiro passo um conto fantástico. Isso posto, os 18,88% acima e a suspeita de privatizar o DAEA nos deprime, não por ser uma proposta casada(?), mas se verdadeira desonesta. O ‘saco de dinheiro’ cabe exatamente no espaço existente, de um lado o aumento do preço da agua e do outro, a privatização (concessão ou terceirização) da empresa. Só a máfia pode planejar um ato descarado de tamanha envergadura, um crime perfeito.

Aumentar o número de vereadores, nesse ambiente, nem pensar?

Mesmo sendo cabide de emprego usado e abusado por vários governos, a sociedade não pode abrir mão de um bem social, um direito que só a autarquia pode garantir. A Procuradoria Geral do Estado pede 57 cargos do DAEA, 58 da Câmara de Vereadores e 278 cargos comissionados, considerados inconstitucionais. Dependendo da justiça tudo pode ser bem resolvido.

Não podemos contar com uma revolta, tipo oriental, mas o Partido dos Trabalhadores PT, tradicionalmente defensor dos interesses sociais, pode conscientizar e conclamar o povo de Araçatuba, a exigir um final feliz para essa novela, antes que os ‘caras pintadas’ se apossem das bandeiras vermelhas.

Caso contrário abatido, o coletivo petista acabe num gueto, deserdado por seus eleitores, como todos os partidos políticos decadentes.

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Baseado em fatos extraídos da Folha da Região de Araçatuba. Foto: Saco de dinheiro (política) -
http://2.bp.blogspot.com/e6XbaaWXy8o/TbgUxa6LEWI/AAAAAAAABzQ/_JGiOEdCb68/s400/saco-de-dinheiro1.jpg

29.5.11

O gozo sem vida de Joana

Sentiu molhar sua cueca. Era seu sêmen. Estava ejaculando sem gozar. Raimundo estava no trabalho. Eis o motivo do ´gozo` não gozado. Trabalhava na construção civil. Era peão. Sempre que manuseava a britadeira, como agora, acontecia cedo ou tarde isso – ejaculava por causa do movimento intenso da britadeira ligada. Quando acontecia, ele parava a máquina e olhava ao seu redor com olhos de cansaço seu ambiente de trabalho. Desta vez, não foi diferente, olhou ao seu redor aquele ambiente inseguro do trabalho. Uma mega construção de um centro comercial, o maior do Amazonas, numa área de terra fofa e molhada. Repleta de palmeiras e buritizeiros. Lembrou naquele instante de sua família e de todas as outras de seus companheiros de trabalho, principalmente aqueles acidentados. Pelo menos ganhava o adicional de periculosidade. Pensou ele.

Naquele mesmo momento, do outro lado da cidade dos manaós, Joana gozava de verdade. Um gozo esplêndido. Cheio de vida. Coisa que não tinha em casa. Necessitava do adultério. Já conhecia a ladainha diária de Raimundo quando negava a sua dita ‘masculinidade’, como se isso e a opção sexual fosse de fato a representação da masculinidade. Ela sempre pronta para o acasalamento, enquanto ele sempre negava o coito. No fundo Joana acreditava gostar do adultério, não era somente uma necessidade. Porém conservava certo pudor, por causa do tempo junto com Raimundo. Depois de sair da casa abandonada onde estivera gozando com o amante, foi até a casa da Jurema – sua amiga mais íntima.

- Ju, acredita que já estou amigada com o Raimundo há 20 anos?

- sério Jô?

- sim, já não agüento mais! O homem antes não negava coro. Agora ta o contrário. Sempre com a mesma história. Além do que, ta uma merda lá em casa. Sempre brigamos.

Raimundo tinha ido ao banheiro. Na volta retornou com tudo ao trabalho. Só pensava no final do mês, para receber o salário e poder comprar a comida dos meninos e beber aquela cerveja ouvindo o grande waldick Soriano com os amigos, sua única válvula de escape. E quem sabe se animar mais e conseguir suprir as necessidades de sua nega. Respirou grande otimismo. Começou a manusear a britadeira com mais alegria. Preciso de pouco para ser feliz. Pensou Raimundo.

O ambiente de trabalho era totalmente inseguro. Como é de costume. Raimundo estava trabalhando próximo a uma barragem. Aconteceu o já imaginado. Raimundo naquele momento foi soterrado com a queda da barragem. Todos seus companheiros tentaram juntos tirar seus amigos de trabalho, pois não só Raimundo foi soterrado, mas uma dezena de peões. Esses grandes trabalhadores artistas que faziam belos prédios. Eles não conseguiram sair com vida desse atroz acidente,um ´acidente previsto´, já que trabalhavam perigosamente. Nessa noite Joana não ouviria mais a ladinha diário de Raimundo.

Trim, trimm, trimm. O telefone velho preto no canto da sala toca na casa do recém finado Raimundo, em uma tarde quente e aconchegante na zona leste. Joana, com seu cabelo bicolor e saia rodada vermelha, atende ao telefone e recebe a noticia do falecimento do dito cujo. O homem do ‘recursos humano’ da empresa informa ainda que a empresa providenciará o pagamento de uma indenização para família, além de um cala-boca a mais para a esposa não comentar nada com ninguém sobre o acontecido. O mesmo homem já tinha cuidado de molhar as velhas mãos calejadas de dinheiro sujo dos jornais de Manaus. Para que mais um grande ‘empreendimento’ seja construído sem notícias de mortes de trabalhadores.

Enquanto isso, Ricardo Bittencurt dono do estúpido centro comercial tomava seu whisky com o ar condicionado no cú. Ao redor de pessoas-fantasma exibindo ao seu lado uma mulher – que vendeu não somente o seu corpo, mas também a alma- que chamava de amor. Toda essa comédia humana como subterfúgio do vazio de uma vida repleta da estupidez humana característica dessa gente de existência soberba.

Joana sentiu uma coisa estranha, dor e alegria ao mesmo tempo. Desligou o telefone. Imaginou como seria boa sua vida sem o Raimundo. Sentiu vontade de transar novamente. Ligou para José. Marcaram o encontro. Usou o pretexto de ir resolver coisas para o velório e enterro do ex- companheiro como justificava para poder ir ao encontro de José.

Chegou ao centro da cidade já há noite. Desceu a Avenida Eduardo Ribeiro. Parou na frente do arrogante Teatro Amazonas olhou seu cocar e por detrás viu aquela lua triste e fria. Ouviu tocar o sino da igreja como se fosse o som da solidão. Sentiu a noite. Entrou no motel barato procurando o prazer. A noite acabou para Joana como um gozo. Não o gozo de antes. Quando Raimundo estava vivo. Mas um gozo estranho, mais fraco, mais triste. Um gozo sem pudor e sem vida. Enfim um gozo sem adultério.

Foto:http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRincYFSAffOFkVyijih34pLyOGHhTJAyKPfvY68ryW1sfFAUihgg Blog - Notas de um Flanador http://flanador.livrespensadores.org/ Textículos e literaturas infames

25.5.11

Morre Abdias Nascimento



guerreiro do povo negro


ABDIAS DO NASCIMENTO


Nascido em Franca, São Paulo, 14 de março de 1914.Professor Emérito, Universidade do Estado de Nova York, Buffalo (Professor Titular de 1971 a 1981, fundou a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo no Centro de Estudos Porto-riquenhos).Artista plástico, escritor, poeta, dramaturgo.

Faleceu nesta manhã de terça, 24, no Rio de Janeiro, o escritor Abdias Nascimento. Poeta, político, artista plástico, jornalista, ator e diretor teatral, Abdias foi um corajoso ativista na denúncia do racismo e na defesa da cidadania dos descendentes da África espalhados pelo mundo. O Brasil e a Diáspora perdem hoje um dos seus maiores líderes. A família ainda não sabe informar quando será o enterro. Aos 97 anos, o paulista de Franca, passava por complicações que o levaram ao internamento no último mês. Deixa a esposa Elisa Larkin, filhos e uma legião de seguidores, inspirados na sua trajetória de coragem e dedicação aos direitos humanos. (Redação, Correio Nagô)

Foto: doolharnegro.blogspot.com

http://www.limacoelho.jor.br
Carlos Alberto Lima Coelho.

15.5.11

Versão Oficial

Ficavam proibidos sob o manto obscuro da ditadura: editoriais, crônicas, artigos ou comentários, fotos, notícias e entrevistas tratando da conjuntura. A censura federal no Brasil reinou absoluta de 1964-1985, terminado esse período, os jornalistas da época, cada qual na sua realidade, foram vítimas da mesma doença: “E agora, acabou a censura, o que eu faço?”

E hoje refletindo sobre essa época bastarda, nos deparamos com ‘proibições’, impostas sobre nós, como no passado. Indivíduos com cargos no governo, dedo duro, assistentes de comunicações à espreita de nossas crônicas, nos torturam com ameaças procurando evitar a circulação de notícias que contrariam os interesses do governo.

Bico calado? Nem pensar, caiu na rede, repassamos. Apoiamos os “Blogs Sujos” que denunciam o mau jornalismo! Exigimos respeito de quem não concorda com nossos ideais. Somos mensageiros cultuando a verdade, a resistência! Chega de grosserias!

Blogueamos em favor da democracia. Quem governa pode propagandear seus feitos, mas não pode exigir o ‘sim senhor’ de ninguém. A leitura de um jornal é uma oração matinal filosófica como disse Hegel. Agora, confrontar a linha editorial de um jornal diário ou de um blog, é tolice.

Se os auxiliares do prefeito possuíssem a liberdade de informar, e atendessem a quem os procurasse, bem como a imprensa, essa atividade de consumo interno do governo, de falar para o governo o que estão fazendo, seria desnecessária. O PT não faz audiência publica a portas fechadas. Com essa conversa de surdo contra surdo ‘o gato vai subir no telhado’.

O que se pode falar (calar?) sobre os semáforos, nos fundos do supermercado Rondon, essa ‘obra de arte’ da engenharia de trânsito, quando entrará na pauta publicitária? Qualquer cidadão, por mais ingênuo que seja, notará o gasto absurdo de dinheiro público com aqueles postes. O penduricalho luminoso tricolor, piscante não identificado, ficará no local até quando, fazendo o quê?

A qualidade de certos textos oficiais, fora da curva, enaltecendo e expondo os feitos do prefeito, contrariando opiniões e realidades físicas, não corresponde ao PT que ideologicamente dispensa esses favores, seja onde for ou em qualquer município; pega mal. O programa do partido é inquestionável, sem censura!

O 20º item do I Encontro de Blogueiros Progressistas de São Paulo propõe: Lutar contra o AI5 digital.

Quem critica o governo municipal de Araçatuba, necessariamente, não quer ser cooptado pelo PSDB. Vai se quiser! Quem critica, colabora, não trai!

A cobrança sobre os feitos equivocados do executivo é o que há de melhor no centro do poder. Enquanto que os elogios exagerados e contínuos, produzidos pelos escribas bajuladores, acabam facilitando a destruição política de um quadro, escolhido pelo voto popular, que a sociedade esperava libertador.

A verdade caminha lado a lado com a mentira. A notícia deve ser avaliada pelo público. Na rede de computadores, sem dúvida, a mentira não tem pernas; a verdade voa.

A versão oficial dos fatos, constantemente, deixam dúvidas. Ou você duvida?


Imagem da internet: Quem é o dedo duro? http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRp5p4MDealsBnzJPBFiJuGVax6YKcI306ykXBs2jgcyC8pATlfWQ


Ventura Picasso - Cia dos Blogueiros - Araçatuba SP 2592

6.5.11

Ebateca Pituba

Prezado Anderson, bom amigo, obrigado pela visita em ‘Coisa nossa’. Para deixar sua opinião, na próxima interferência, eu gostaria que você informasse, se se trata do seu pensamento ou da Avape, sob as ordens da coligação que chefia o governo de Araçatuba.

Agradeço de coração o alerta, mas não “ando lendo muito a Folha da Região”, na verdade eu só leio a FR. O seu chefe falou: “O PT não ganhou as eleições aqui”, sem explicações. A coligação que disputou as eleições para prefeito nunca me preocupou.

Fiquei decepcionado com o apoio, incondicional do prefeito, ao vice-prefeito, àquele que quando vocês citam o nome de um, por obrigação, citam o do outro; bacana? O salto alto de quem manda e não pede e a prepotência enquadrando e excluindo petistas da administração, por apoiarem os candidatos a deputados do Partido dos Trabalhadores PT, em detrimento do candidato, chapa branca, de um partido estranho.

A executiva do partido fez o quê?
Quando escrevi sobre estrutura e conjuntura, não me referi às questões geográficas; você foi mal. Falei do poder político conservador. Falei do malulysmo que não acabou, e que estará de volta; dos tucanos que desconstruíram o sonho do executivo e de seu candidato a deputado abrindo um espaço que não tinham, e hoje a conjuntura está assando a batata da reeleição, “o pessoal do PSDB comemora”.

A relação, apresentada por você, dos feitos do prefeito, em 28 meses de governo, é modesta. O Plano de Governo proposto em 2008 está superado. Quantas impugnações, e porque, foram feitas na apresentação das mais diferentes licitações? Essa é a relação que você poderia apresentar para debates à diretoria municipal do partido, mas você não teve coragem de se filiar ao PT. No PT tudo deve ser debatido à exaustão.

O balé municipal de uma pequena cidade, com vice-prefeito do PT, saiu de 80 para mais de 2 mil alunos inscritos, estudando e dançando num lindo teatro (aqui falam de 100 para 400 sem palco). É a importância da cultura na publicidade gratuita de um governo inteligente. Na foto acima a Academia Ebateca Pituba de Salvador/BA num grande palco municipal.

O meu compromisso político é com as teses do PT. Nunca serei a favor do poder, apenas, pelo poder. Não existe um partido petista do passado e outro do presente. O PT não muda. O ser humano muda. Não espere muito da Reforma Política, coisa que você não entende; essas nossas propostas petistas são ‘antigas’.

Prezado Anderson: Se você fosse um operário de jornal e não assessor de imprensa, certamente, o seu olhar para as empresas de comunicações seria outro. A Folha da Região é uma empresa privada, legalizada e por direito, livre para expressar-se.

Ninguém pode exigir o conteúdo jornalístico segundo seus interesses. Quem estabelece o conteúdo são os funcionários que organizam a pauta. Para seu consolo meu caro Anderson, é melhor que o jornal fale mal do que omitir-se ou ignorar os fatos governistas.

A manchete é um chamamento importante para vender jornal na banca. O mancheteiro tem que saber criar o titulo para fisgar o leitor. A notícia é o produto oferecido pelo jornal que disputa o mercado de informação num sistema capitalista supostamente democrático.

Aqui tens um bom exemplo: “Tribunal manda prefeito explicar contratação de empresa do lixo. A3”. É linda; né, não? Por isso “leio muito a Folha da Região”.

Problema explicado? Assunto liquidado!

Foto: Academia Ebateca Pituba (Salvador/BA) - http://1.bp.blogspot.com/_MmVpUg0wj-E/TKSSUVD14AI/AAAAAAAAASw/62Dp_-qBV8k/s320/Foto+Revista+Danca+Brasil.jpg Texto readaptado 2832

Coisa nossa

“Não existe coordenação, as acusações vão sendo respondidas de improviso, e assim Pita não está convencendo ninguém” – (Qualquer semelhança é mera coincidência).

O Partido dos Trabalhadores, ao longo de poucos anos, construiu uma reputação exemplar, com muito esforço, coragem e sofrimento. Seu manifesto é um grito de liberdade, democrático e popular.

Embasados nessa reputação, votar no candidato do PT para prefeito de Araçatuba, alimentavam a esperança de modificações radicais administrativas em nossa cidade.

Vencida as eleições, e a partir do centésimo dia de governo, alguns eleitores decepcionados, previram que a coligação governava segundo tradições malulysta. Nada mudou, nada foi modificado. A velha estrutura, imutável, permanece. Tudo ficou como dantes. A mesma peça, o mesmo roteiro, os mesmos personagens nos mesmos palcos.

A conjuntura por sua vez, mutilada, fica solta ao bel prazer de oportunistas e mentirosos, que se dizem preocupados com o município, mas apenas marcam posição para o próximo pleito.

O PT não ganhou as eleições afirmou o prefeito. A direção do partido que “comanda” a coligação é anêmica, talvez por isso e apartada do jogo político, perdeu todas as oportunidades de intervir e questionar as ‘falhas’, ou supostos ‘enganos’ burocráticos cometidos pelo primeiro escalão administrativo que ‘suporta’ o prefeito Cido Sério.

“Eles não sabem nada da cidade”, assim esbravejou o ex-comunista tucano Walter Feldman, ao bater a porta no nariz do Alkmin. Mais semelhanças ou coincidências?

A vereadora tucana está de olho nos equívocos de digitação na licitação de prestação de serviço de publicidade e propaganda. Equívocos? Essa verba, se aprovada, será dividida entre quantas empresas de publicidade? Dizem as más e as boas bocas, que poucos confiam no atual governo. A credibilidade perdida interfere cruelmente nas tradições de um nome. Quem poderá acreditar em novas propostas ou promessas desse governo dirigido pela coligação “Araçatuba para todos”?

Isso é coisa nossa. Não me refiro maldosamente, a Cosa Nostra siciliana, mas diante de comentários espertos, não sábios, “com a máquina na mão a reeleição é certa”, e la nave vá!

Nunca é tarde para recomeçar. Recuperar o tempo perdido, entre pessoas de bem, é possível. Recuperar o nome é mais complicado. O presidente Lula, certa feita, falou para quem quisesse ouvir: “Qualquer um pode errar; menos eu!”. Esse é o preço de quem milita na esquerda, e ao PT não cabem erros.
Sou brasileiro e não desisto. O Partido dos Trabalhadores não é sigla particular ou de aluguel.

Falta coordenação nas relações humanas entre a prefeitura e seus clientes. Não ser atendido é humilhante para quem procura ajuda. Por duas vezes fiz contato com a administração: Na primeira, o trivial, saber quando poderiam providenciar o fim de um buraco, antigo habitante da minha rua; Não fui atendido.

Na segunda esperei por duas horas que um secretário desses, muito importante, que chegaram da Capital, me passasse uma informação. Fiquei firme, por mais de duas horas, para saber até onde iria à indiferença de um “servidor público de primeiro escalão” por um munícipe invisível.

Atitudes arrogantes desconstrói um governo que poderia ter sido o melhor dos últimos cem anos desta Araçatuba que tem em sua praça central um chafariz num tanque de agua podre.

A população periférica precisa de proteção, a prefeitura promete asfalto, mas o centro da cidade é do povo da periferia. Há neste país uma nova classe média a ser entendida e atendida por qualquer governo comprometido com a nação que nasce nos municípios.

O negócio do governo é uma maquina eleitoral? Nesse caso, a propaganda é a alma do negócio. Em todo negócio, a concorrência é uma pedra no sapato.

Quem vai encarar?

Ventura Picasso – Blogue Sujo - Cia dos Blogueiros – 3165 - 25042011
Imagem 2915885-Ho-Chi-Ming-City-Saigon

4.4.11

DE BURACO EM BURACO

Tempos atrás, abriram as urnas, contaram os votos: O PT ganhou! Carnaval, outubro de 2008. Ganhar ganhou, mas foi no pelo. A conjuntura era muito favorável, o governo Lula nadava de braçada entre o eleitorado que elege; não elegia poste havia um no posto. Cá entre nós se o candidato apresentasse um discurso melhorzinho do que o da oposição, que não tinha discurso, era o suficiente para o eleitor entender o recado. As promessas de Lula, do PT, eram verdadeiras. Araçatuba foi na onda e, ganhar ganhou!


O buraco virou um problemão. Ocupo-me de vender a minha força de trabalho e um pouco de Natura. Pois é, não gosto da Marina, mas vendo Natura. O mercado vende feijão, a TAM vende passagens e a Folha da Região de Araçatuba vende noticias. Bom para o jornal que existem políticos produzindo noticias gratuitas e não negociadas (sem “cavadinha”). É a economia de mercado e o poder político sob o olhar do repórter. É a liberdade de expressão. É o nome do jornal, e sua tradição, inegociável.


A oposição é poliglota e fala, fala. Estava escrito na página A3 do meu jornal, em 23/03/2011: “Presidente da Acia diz que, para grupo, governo Cido Sério esta ‘meio perdido’”. O prefeito foi desafiado para uma peleja. Fui assistir na sede da OAB em 29 pp. Eram trinta contra um. O um estourou o tempo, em 23 minutos, falou e falou muito. * “Quem exagera o argumento fica ‘meio perdido’”.


Em “Pensamentos de Cido Sério”, capa de domingo 3/4/2011, ¾ de pagina, o Prefeito falou e falou pra caramba: “... pois não foi o PT que ganhou aqui”. Com essa o ‘meio perdido’ sou eu. As críticas são contra o PT que não governa. “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Não é apenas a elite, a oposição, o jornal as vereadoras e o papa contra o PT; é o mundo, mas o PT é inocente.


Quem pode defender o PT? O jornal não tem obrigação porque é uma empresa privada. A assessoria de imprensa, não reúne qualidades para essa tarefa e não é do PT. A Secretaria de Comunicações, com 2.4 mi de orçamento para propagandear em favor dos governistas, não comunica, pode salvar o time? Não!


A propaganda eficaz é aquela que mostra a eficiência física administrativa. A qualidade de um bom trabalho, de buraco em buraco, bem tapados, fechados para sempre é caso resolvido e não um problemão.


Não localizando seus opositores, o tsunami administrativo vem de dentro para fora, criando noticias autodestrutivas. Acusar o jornal não resolve essa pendenga. Se a prefeitura não levantar o diagnostico que a prejudica, agora no crepúsculo do mandato, o fim será melancólico.


Não há tempo a perder, os erros cometidos são muitos, o prefeito e seu governo perdem a credibilidade entre o eleitorado, em quem o povo vai acreditar? A promessa do Lula tinha um fundo de verdade. Ao jornal, cabe esperar, a nova noticia.


* “Aconteça o que acontecer, cada individuo é filho de seu tempo; da mesma forma, a filosofia (política) resume no pensamento o seu próprio tempo”.


*= Hegel – Imagem da internet Ventura Picasso – Secretário Geral do Sintapi - 2312

20.3.11

Visto pro Obama

Um casal viajante, cruzando o centro da cidade de moto, avista uma linda bananeira bem no meio da avenida. Eles nunca, jamais em tempo algum, tinham visto um cenário igual. Uma bananeira tratada, verdinha. O asfalto contornava o tronco da planta grávida do primeiro cacho.

O menino e a parceira, volteando a musa, incrédulos, desligaram a moto e, à sombra, se puseram a examinar o raro vegetal. Sem dúvida eles estavam diante de um acontecimento ecológico raro onde a força da natureza, rompendo o piso asfaltoso esfarelado, surgia vitoriosa. A proteção do meio ambiente é a salvação da lavoura.

Assentaram

Assentados como se estivessem meditando entoaram aquele verso sem dó: “Fuma, fuma, fuma folha de bananeira/fuma na boa que é brincadeira...”.

Passado algum tempo, juntavam ali ao redor da árvore, outras pessoas curiosas, para saber o que se passava. Como aquela história quando alguém fica olhando pra cima, em seguida muita gente quer ver o que o outro finge ver.

O trânsito no local estava prejudicado. Os carros passavam bem devagar para ultrapassar aquele obstáculo. Não pela presença da intrépida bananeira, em plena via pública, mas por um grupo de jovens regueiros munidos de berimbau, acompanhado por um índio boliviano flautista que declarou: “Nunca me olvidaré que en medio del camino había una banano”, me perdoe o Drummond, mas se em Itabira tinha uma pedra, aqui tem bananeira.

Os manos e as minas cantando empolgados, orquestraram o “Fuma, Fuma” do Armandinho (Armando Antônio), quando foi pedido um minuto de silencio. Apareceu um funeral. A fila era grande. Os automóveis passavam com dificuldade pelo lugar. O silêncio sepulcral. Nisso uma Brasília amarela, roncadora produzindo mais de 85 decibéis na ponteira da tromba, afundou na passarela. Os meninos voluntários empurraram a bicheira com a suspenção quebrada. No vidro encardido um adesivo.

“Visite Araçatuba antes que acabe!”

O casal motoqueiro lembrou-se de Ribeirão Preto. Lá um idiota saiu com uma frase de efeito que dizia: “Ribeirão Preto, a Califórnia brasileira!”. Deu na TV Globo! Foi o que bastou. Chegou meia América, gente das Malvinas a Cancun. A cidade inchou. Vieram às primeiras moradias precárias (favelas), faltava tudo e mais alguma coisa. Hoje é uma das cidades mais poluídas de São Paulo. Falha nossa. Nossa?

A aqui em Araçatuba o mano e a mina, confabulando, chegaram à conclusão que não é possível estacionar no centro da cidade, certamente, porque está cheia de visitantes. Gente atrasada que pensa: “a cidade vai acabar”. Uma pena. Joguei fora o meu chaveiro de ponto da zona.

O casal de viajante, não seguiu viagem. Desistiu. Estão amando Araçatuba. O destino era Lins para assistir ao jogo do Corinthians. Mas, oitenta reais ao sol é roubalheira. O casal tem tudo: Parabólica, TV a Cabo, VHF/UHF, ESPN, SPORTTV etc., mas não conseguem assistir a um clássico como Corinthians e Santos. Além de pagar uma nota preta para ter esse trem apitando na sala, é obrigado a assistir a propaganda frenética da SKY que vende o combo; Jogo? Que jogo que nada; Quem é o dono da Globosat Programadora Ltda.

Eles nunca, jamais em tempo algum, tinham visto um cenário igual. A esta altura a bananeira já deu cacho e nada foi resolvido. O boliviano quer saber quem deu o visto de entrada pro Obama discursar na Cinelândia...

Enquanto isso eu vou descendo a minha lomba/Andando de skate estourando aminha bomba/ Fuma, fuma, fuma...

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Foto:Blog Alessandro R. O. Paes

24.2.11

Buracolândia


Em um país distante, havia uma pequena cidade, chamada Buracolândia. Lá, as ruas eram feitas de buracos enormes, obra de carros pesados e serviços não fiscalizados. Tudo graças aos líderes daquele pequeno vilarejo. O último deles, de tão bom e atencioso com os buracos cheios de água, costumava dizer ao povo daquela pequena e ensolarada cidade: “temos que cuidar das pessoas”.

A Buracolândia cresceu junto com os buracos se espalharam pela cidade. E isso deixou muita gente feliz: os donos de oficinas, borracharias, vendedores de suspensão e mecânicos em geral, além das velhas senhorinhas que agora podiam, com o devido cuidado, atravessar as ruas mais tranqüilamente já que os carros não podiam passar dos 20 km/h.

Em algumas ruas da simpática cidade, como numa pequena comunidade ao sul, os buracos estavam cada vez maiores e mais cheios de água e de vida: girinos, sapos, pequenas e simpáticas larvas do Aedes aegypti habitavam aquela região nunca antes habitada. Alguns moradores e comerciantes malvados tentavam inutilmente tapar os pobres buracos com britas e barro. Mas como o povo da Buracolândia não vivia sem um buraco, resolvia passar com os ônibus naquelas ruas para abrir tudo de novo e deixar tudo como sempre.

Até que um dia, os filhos e netos dos habitantes de Buracolândia perceberam que o romantismo dos buracos que dava nome à cidadezinha estava acabando. E resolveram se revoltar. “Vamos tapar todos os buracos” – gritavam pelas ruas. Queriam mudar Buracolândia para sempre. Queriam pneus inteiros e suspensões de carros funcionando perfeitamente. Queriam velhinhas indo para a faixa atravessar a rua e com muito mais cuidado, pois agora a rua seria dos carros que não precisaria se incomodar com os buracos.

E foi aí que Marianne Simes, prefeita da pequena Buracolândia, percebeu que sua vila não era mais tranquila e mesmo assim, resolveu deixar tudo do jeito que estava, afinal, o que seria da cidade sem os buracos? Passaria a se chamar como? No máximo, mudaria o nome para Fortaleza.

Fonte: Email do Internauta Carlos Mendes morador do Papicú para: http://www.bairrogenibau.com.br
Tags:(
Buracos, Prefeitura, Fortaleza )



21.2.11

Transa gramatical

Blog Zellacoracao Língua, Literatura e Redação, com a seguinte informação: Transa gramatical - Texto que recebi de um colega, professor Emir Campagnaro e que foi encaminhado por Rosangela Seguro.


°Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE – Recife, que venceu o concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de redação.

Redação: No ocluso e no Convexo
°Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.
°Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.
°Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
°Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.
°É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
°Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
°Nisso a porta abriu repentinamente.
°Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
°Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
Foto: Máquina de Datilografar - Riscos & Rabiscos - paixaoamorvida.blogspot
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15.2.11

Fusca com cerveja

Ventura Picasso
O calor paga geral, é verão. Aqui a noroeste de S. Paulo, banho só com chuveiro desligado, na madrugada, para não queimar o couro. A qualidade de vida nos permite fazer um happy hour alongado, dás 18h às 24h. A cerveja supergelada do Bocut’s Bar, antigo Esperança da José Bonifácio, um oásis inigualável, uma miragem que apaga às 21h. Eu não bebo, mas tenho um Fusca a gasolina.

Fusca interplanetário. O professor vestiu a carapuça, bandeira brasileira, capacete de motoca, logomarca do patrocinador e muita brama no nariz do alemão voador. Voou, foi e voltou! Hoje ele conta pra toda criançada do fundamental a aventura astral. Não fez como Marcos Pontes, astronauta da FAB que estudou a vida inteira com cama, comida, cervejas e roupa lavada. E tem mais, pagamos 10 milhões de dólares pela passagem na Soyuz TMA-8. Quando o tenente coronel aviador pousou no Cazaquistão, se saiu assim: “estou fora”. Pendurou o quepe e deu baixa. Agora só faz palestras à paisana e cobra pedágio, altas somas. O professor não deu baixa, firme na sua ideologia patriótica continua na rede contando o ‘causo’, e nós na de baixo, com caras de patos, vaiamos o astronauta em WO.

Aqui no planeta da cana, a luz solar é constante, perturbadora e imutável como num deserto, as canáceas adoram. Caminhando vagarosamente sobre o povo, socializado, há um sol pra cada um. Este ano 2011, a chuva e o sol lutam por mais espaços, são fortes e abundantes. De Ribeirão Preto, Araçatuba e Presidente Prudente gira acima dos 30° sem forçar, dia e noite.

Talvez devido ao calor escaldante, o padre Francisco Moussa, achou por bem amainar o desgaste provocado pelo clima tórrido que nos bronzeia como leitão pururucado. Fez a parada técnica pra matar a sede. Agindo como um ser superior no comando da ISS, no púlpito, do alto da nave central do Zepelim, o padre Chico sem discutir com o conselho, ignorou as questões burocráticas, decretando: “Rifa-se um Fusca branco, 1980, a álcool, carregado de cervejas”.

Na narrativa do Venceslau Borlina Fº, entendi que o vigário pisou no peixe podre. Os paroquianos conservadores estão furibundos com a invenção do pároco, mesmo porque ele não é a reencarnação santificada de Santos Dumont. E até por isso mesmo o Benedito 16 ignorou-o: “agindo assim ele nunca chegará a santo”.

Há um rosário de motivos para crucificá-lo; o padre deles. Religião que é religião, não permite carro a álcool. É pecado! O tal Fusca 80, deve ser um daqueles salvos pelo Itamar de Juiz de Fora. Agora imaginemos o giro da roleta: Um Fusca a álcool cheio de cervejas correndo na quermesse do Moussa é o bicho! Pode?

É possível jogar uma milhar combinada do 1º ao 5º prêmio e faturar, é o Fusca no bicho. O padre sem consultar as beatas encheu o copo de pecados, e não tomou, é veneno. Cada qual com cada qual, cerveja trincando é com o Bocut’s Bar, repeteco de confissões o cura dá conta até pela rede mundial, mas Fusca interplanetário é coisa de astronauta do fundamental, uai!

A foto é minha o posado é o Consa.

Ventura Picasso – Secretário do SINTAPI – Base Araçatuba SP
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11.2.11

31 - Nossa história - 13

Nossa história

Ventura Picasso

”Cuidado, precisamos prestar mais atenção nas concorrências publicas, essa gente quer modificar o país!”

Ouvi essa frase em janeiro de 1989, quando Luiza Erundina venceu a eleição municipal em S. Paulo. Havia sim um brilho, um sentimento de vaidade misturado com orgulho, nos corações da militância. Foi sem duvida, a última eleição elaborada por voluntários petistas em todos os eventos políticos eleitorais no país.

A profissionalização da militância, com as alianças partidárias e a modernização estética dos protagonistas, que passaram a viver em nosso meio, abriram caminho para a tão esperada vitória de Lula que governou o Brasil de 2003 a 2010.

Titulo inédito de “Estadista Global”, recebido em Davos na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, por defender o meio ambiente, a redistribuição de renda, erradicação da miséria etc. Considerado pelos jornais Le Monde da França, El País da Espanha em 2009 o “homem do ano”. Para o jornal Financial Times de Londres, por ser ‘o líder mais popular da história do país’, Lula moldou a década com sua ‘habilidade política’. “Lula é o cara”, reconheceu Obama.

O Partido dos Trabalhadores, segundo seu Manifesto, nasceu das lutas sociais. Quem vive na periferia dos grandes centros, não tem medo de nada, enfrenta todos os obstáculos que aparecem. O PT surgiu nesses espaços, mas a rejeição era impiedosa.

No confronto com a grande mídia, já naquela época, no rescaldo do golpe de 64, na década de 70 e falecido em 1997, Paulo Francis, ferrenho lambertista, que rejeitava a mobilização das classes trabalhadoras, adepto dos conchavos e da infiltração das elites fascistas no movimento social ofendia e desqualificava Lula com seus artigos. Estressado com a força da luta sindical, perdeu a compostura ao chamar Lula de “ralé, besta quadrada e disse que se ele chegasse à presidência a nação viraria uma grande bosta”.

Não virou

O país hoje superou, corajosamente, todas as dificuldades encontradas no comércio internacional, é líder econômico e político absoluto na América do Sul, o Itamaraty está presente em todos os fóruns mundiais de interesse social e respeito diplomático.

Brasil exporta

Desde 2008 exportamos, para o mundo, soluções para o combate à fome. Os governos de Moçambique, Quênia, Zâmbia, Angola, Gana, Benin, Namíbia, Senegal, Equador, Paraguai e Bolívia, começaram a fechar acordos culturais para aprender com o programa Bolsa Família. Isso mesmo, o famigerado Fome Zero transformado em Bolsa Família, contra tudo e, principalmente, contra a mídia neoliberal, é um modelo de combate à fome de alcance mundial.

O projeto de governo petista não é reformista, é transformador. Uma referência em destaque, ao assumir o Ministério da Justiça, o Dr. Márcio Thomas Bastos reorganizou a Polícia Federal. Uma missão impossível. Havia muitas dificuldades com cargos e salários, bem como de equipamentos para trabalho. Hoje a Polícia Federal tem uma autonomia e liberdade de ações nunca vista. Mexeu com figuras supostamente ilustres do meio empresarial, a ponto de proibirem o uso de algemas para os criminosos de colarinho branco.

Apesar dos ‘grandes cronistas políticos’ a serviço de interesses econômicos, não só questionando, mas em algumas situações criando escândalos inexistentes, o presidente Lula passou reeleito ao segundo mandato e elegeu Dilma Rousseff, saída das masmorras golpista para o palácio do Planalto, a primeira mulher presidente do Brasil. Vitória pessoal de Lula e do Partido dos Trabalhadores.

Contra os 13% de felizes pagadores de pedágios paulistas, Lula deixa o governo com 87% de aprovação, aplaudido de pé pela mídia constrangida antagônica. A presidenta Dilma, assume o governo federal com maioria na Câmara e no Senado, com o coração voltado aos pobres.

De um neoliberalismo falido para uma etapa de sucesso popular e democrática de um país livre, independente e modificado o Brasil se apresenta neste século 21 como uma nova potência internacional.

Sem egoísmos, há um brilho, um sentimento de vaidade misturado com orgulho, nos nossos corações de brasileiros, somos potência.

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21.1.11

Chorava todo mundo

Ventura Picasso

Em pleno verão brasileiro e após vitória nas urnas, a presidente Dilma Rousseff, no sétimo dia de governo sem missa, é analisada por certos jornalistas que divagam sobre a capacidade administrativa da ex-ministra: “Ela está perdida entre os 37 ministros”, o que será do Brasil?

Enquanto chove muito no Planalto Central, o ex-presidente Lula descansa merecidamente, no Forte dos Andradas, acompanhado da família. O bloco do ‘pode não pode’, está nas ruas de camisas pretas iguais as do Duce (condutor), mas é difícil apagar, rapidamente, um governo brilhante, com 87% de aprovação. Por direito Lula pesca na Base Militar perto da Praia do Tombo.

Reprovado, o ‘ex-cronista’ esportivo Flávio Prado opina, na sétima minuta contratual do Ronaldinho Gaúcho, que jogador de futebol deve manter-se virgem até os 40 anos de idade.
O sexo é uma condição de momento, seja antes ou depois do jogo e em qualquer lugar. A pulsão sexual e alimentar exige um mínimo de prática, não é possível sublimar. Na flor da idade, o Sistema Nervoso Autônomo é muito exigente. A repressão moralista, por tratar-se de um atleta, não se justifica, mesmo porque, a juventude é revolucionária.

O presidente do Grêmio, incompetente, quer colocar a opinião pública contra o ‘camisa dez’ amigo do Berlusconi. Chorava todo mundo, alguém disse ‘não’. É bom saber dizer ‘não’.

Nesse contexto, por seu lado, o profissional do futebol faz malabarismos com a Jabulani (que não viu), e com o marketing mundial, essa é a dele. Por outro lado, os dirigentes amadores e amantes das ‘ilusões otimistas’, esbravejam atrás dos alambrados ideológicos, observados ao longe por Roberto Assis, o mano do craque, cansado de dizer: “Não é comigo, é com o Milan a liberação do jogador”.

Agora, o time está completo; Só faltava ele, o ministro dom João Braz de Aviz, dizendo por aí que “a presidente Dilma precisa explicar melhor as suas convicções religiosas para que o diálogo possa progredir”. Dom João é a inteligência iluminada do poderoso Vaticano.

Eu não seria tão rigoroso com Dilma Rousseff, mesmo porque, esse João Braz é ministro da Cidade do Estado do Vaticano. Uma Monarquia Eclesiástica eletiva e vitalícia. No Brasil o Estado é laico e democrático, podemos discutir e defender contra ou a favor os temas que nos são caros: aborto; eutanásia; contracepção; clonagem; homossexualidade etc. Tudo isso que existe há séculos, não deveria existir, pelo menos entre nós, mas existe e nos querem proibir o debate; e entre eles?

Dia 7 de setembro é feriado nacional. Desde 1822, Portugal uma monarquia, com certas semelhanças ao sistema político papal, El Rei deixou a colônia brasileira, sem explicar suas convicções, e retornou à Europa. Napoleão fez uma parte.

É mais confortável, para Dilma Rousseff, ‘que não chora mais’, estar perdida entre os 37, do que enrolada na língua afiada do arcebispo. Ainda bem que o ministro não é nosso é do Benedito 16. Será?

Ventura Picasso - Sintapi
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