
Pela internet, até o chefe da polícia me felicitou.
Precisamos comprar as coisas! Diz a dona da casa, prosseguindo, instruiu: Encomende por telefone ou vá comprar no mercado: vinho, cervejas e guaraná Paulistinha diet. Na padaria encomende um pouco de doces e salgados. Volte logo para fazer o bolo.
Era meu aniversário. Tudo íntimo, entre mim, minha esposa, nossa cunhada e as duas filhas.
Retornando com os ingredientes do bolo e com as bebidas liguei à padaria:
− Quem fala?
− Renato!
− Saudações corintianas Renato (cinco a zero)...
− O que o senhor manda seu Picasso?
− Um pouco de doces e salgados para uma mesa de aniversário: Brigadeiro, Nozes, Bicho de Pé, Bem Casado, Cajuzinho, Beijinho, Olho de Sogra, etc. Capricha o presidente da câmara mandou cartão.
− Só isso?
− Não. Há um tipo de salgado que a mulher faz questão de servir. Não sei bem o nome, deve ser, ‘escondido’.
− Escondidinho...
− De vereador!
− O que?
− Isso mesmo: Escondidinho de vereador! Manda uma forma.
− Seu Picasso, presta atenção, não é isso não: É escondidinho de carne seca!
− Tudo bem, manda isso mesmo.
A nossa cabeça com 7.2 deste de 39, lá pelas tantas, mistura tudo. A igreja faz plebiscito do Saco de Dinheiro, o vereador vota pra tirar a diferença que o juiz apitou 12, o líder da bancada sem dar satisfação escondeu o resultado do padre, quer 19. Enquanto isso, em Araçatuba, falta água no feijão; Santo Daea? E a Folha da Região, “culpada de tudo”, quer saber por que, três vereadores fugiram com a Ficha Limpa! Política municipal é porta de hospício. Tá louco?
Comovido, lembrei-me do menino que deixou um Saco de Dinheiro na porteira do legislativo.
Coisas da idade. Sabe como são os ‘aborrecentes’; Radicais e querem justiça, doa a quem doer!
Vou dizer a ele que a interpelação imposta pela presidência da câmara pode ser revogada. O vereador estava magoado, de saco cheio, foi apenas uma decisão emocional. Certamente, o tal edil *“está se guardando pra quando a eleição chegar”. Do meu lado: *“eu tô só vendo, sabendo, sentindo, que ele vai perdoar” – não perca a fé, nem o título de eleitor, menino. Um dia você ainda vai receber um cartão igual ao meu, do presidente, por conta da casa.
O carteiro não arredava, queria porque queria, e fim:
− Rasga logo esse envelope, enfezado diz ele.
− Abri a carta: Uma foto, ao fundo um pacote com laços vermelhos, ladeado pelo gargalo de uma garrafa de champanhe Veuve Clicquot Ponsardin, e à direita, a imagem chique de Cido Saraiva ‘vereador’. No texto os seguintes versos: “O ser feliz está sempre em nossas mãos. O surgir de cada dia vem sempre com uma nova mensagem de esperança, Feliz Aniversário”. O carteiro quase chorou, pedalando rumo oeste, voou fumaceando bafo.
Ventura Picasso – Cia dos Blogueiros
2454. *Chico Buarque.
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