Fim da escala 6x1
“É um dia
histórico para a classe trabalhadora”, diz líder do PT após aprovação do fim da
escala 6x1.
Pedro
Uczai celebra PEC da jornada de 40 horas, destaca articulação de Lula e afirma
que medida garante mais tempo para família e qualidade de vida
28 de maio
de 2026, 04:36 h
Pedro Uczai, uma espécie de cartaz
postado pelo deputado nas redes sociais e um protesto pelo fim da escala 6x1 no
Brasil (Foto: Thiago Cristino/Câmara dos Deputados I Letycia Bond/Agência
Brasil I Reprodução (X/PedroUczai))
Conteúdo postado por: Redação Brasil 247
247 – O líder do PT na Câmara dos
Deputados, Pedro Uczai (SC), comemorou nesta quarta-feira (27) a aprovação da
PEC 221/19, que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e
extingue a escala 6x1, instituindo o modelo 5x2 sem redução salarial. Em discurso
no plenário, o parlamentar classificou a votação como uma vitória histórica da
classe trabalhadora brasileira.
“É um dia
histórico para a classe trabalhadora do nosso país”, afirmou Uczai, ao celebrar
a aprovação da proposta, que agora seguirá para análise do Senado Federal.
A PEC
aprovada pela Câmara estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e
prevê uma transição gradual até a implementação definitiva da jornada de 40
horas semanais. O texto aprovado é resultado de negociações conduzidas entre
parlamentares da base governista, partidos do Centrão e lideranças sindicais.
Uczai
destaca articulação política de Lula
Durante o
pronunciamento, Pedro Uczai atribuiu a aprovação da PEC à articulação política
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao diálogo construído entre
diferentes forças do Congresso Nacional.
“Foi uma
construção política do Presidente Lula, esse grande sindicalista e estadista,
junto com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com Alencar
Santana (PT-SP) e Léo Prates (Republicanos-BA), nosso relator, junto com este
Parlamento. É um grande acordo da democracia para favorecer trabalhadores e
trabalhadoras deste país”, declarou.
Segundo o
líder petista, a proposta representa um avanço civilizatório nas relações de
trabalho e responde a uma demanda crescente da sociedade brasileira por mais
equilíbrio entre vida profissional e qualidade de vida.
“Dois
dias para viver”, afirma deputado
Em um dos
trechos mais enfáticos do discurso, Uczai ressaltou os impactos sociais da
mudança constitucional e afirmou que a aprovação da PEC permitirá aos
trabalhadores recuperar tempo para a vida pessoal, familiar e educacional.
O
parlamentar afirmou que a nova regra garantirá “dois dias para a família, dois
dias para a juventude trabalhar e estudar, dois dias para as mulheres
descansarem, ficarem com os filhos, dois dias para viver”.
A proposta
aprovada estabelece que, dois meses após a promulgação da futura emenda
constitucional, os trabalhadores passarão automaticamente a ter direito a dois
dias de descanso semanal remunerado. Nesse mesmo prazo, a jornada semanal será
reduzida de 44 para 42 horas. A implementação das 40 horas ocorrerá 14 meses
após a promulgação da PEC.
Mobilização
popular foi decisiva, diz Uczai
Pedro Uczai
também atribuiu a vitória à pressão popular nas ruas e nas redes sociais.
Segundo ele, a mobilização social foi determinante para consolidar maioria em
torno da proposta.
“Graças à
mobilização social, graças à mobilização das ruas, graças à mobilização nas
redes sociais, alcançamos esta conquista histórica. A luta faz a lei, a
mobilização faz a lei mudar”, afirmou.
Nos últimos
anos, o debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força em sindicatos, movimentos
sociais e entre especialistas em saúde do trabalho, que apontam impactos
negativos das jornadas extensas sobre saúde mental, produtividade e convivência
familiar.
Líder do
PT critica oposição bolsonarista
Durante o
discurso, o líder do PT fez duras críticas à extrema-direita e acusou
parlamentares da oposição de tentarem obstruir a votação da PEC.
Segundo
Uczai, deputados ligados ao bolsonarismo apresentaram propostas que ampliavam o
prazo de transição para até dez anos e chegaram a defender jornadas semanais de
até 52 horas.
“Perdeu as
condições morais para apresentar destaques”, disse o deputado, ao mencionar a
posição da bancada do PL, que, segundo ele, reuniu 62 parlamentares contrários
ao texto principal na semana anterior à votação.
O petista
também criticou propostas defendidas pela oposição, como a implementação
imediata da escala 4x3, classificando a iniciativa como “demagogia”.
“Muita
mentira, muito proselitismo político”, declarou.
Em outro
momento do discurso, Uczai citou divisões internas da extrema-direita e
mencionou nominalmente o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“A
produtividade aumenta com trabalhadores satisfeitos”
O líder do
PT defendeu o equilíbrio do acordo aprovado pela Câmara e afirmou que a
transição gradual preserva tanto os interesses dos trabalhadores quanto do
setor produtivo.
“Nós vamos
cumprir o acordo, porque temos responsabilidade com o setor empresarial e com o
setor produtivo, junto com os trabalhadores. O setor produtivo ganha em
produtividade, ganha com trabalhadores mais satisfeitos, e ganham as famílias
brasileiras”, afirmou.
A PEC também
prevê regras específicas para setores essenciais, como saúde, segurança,
transporte e limpeza urbana, além de mecanismos de adaptação para
microempreendedores individuais (MEIs), pequenas empresas e contratos
terceirizados da administração pública.
Referência
bíblica marca encerramento do discurso
Ao final da
fala no plenário, Pedro Uczai utilizou uma metáfora religiosa para dimensionar
o significado histórico da aprovação da proposta.
“Eu, que fiz
quatro anos de teologia, lembro que Deus criou o mundo em seis dias — esse é o
primeiro texto da Bíblia — e, no sétimo, descansou, porque o povo escravizado
não descansava nem um dia e lutou para conquistar um dia de libertação.
Milhares de anos depois, hoje nós conquistamos o 5x2”, declarou.
A proposta
agora seguirá para o Senado Federal, onde precisará ser aprovada em dois turnos
por três quintos dos senadores para ser promulgada.
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