4.6.12

ZECA

― O que se passa aqui na vila não se passa na Aclimação.
‘Há algo estranho no reino paulistano’. A segurança pública do estado mais rico da federação, não está dando conta da criminalidade, por quê?
Chamou-me a atenção o dialogo delicado entre o Cristiano Maffra, personal trainer, dono do cão por um lado, e pelo outro, o vilão da história. Certamente o chefe da ação, até agora identificado apenas por ‘individuo desconhecido’.     
O dono do simpático Staffordshire Terrier quis saber:
Onde está o meu cachorro?
Perguntou ao assaltante.
Este por sua vez, olhando para o seu cúmplice ao lado, repetiu a pergunta.
O meu, cadê o cachorro do boy?
Tá comigo, cara. É muito bonito pra deixar. Vou levar; é o cachorro de hora!
Fazendo um sinal com a cabeça, o chefe, trocando o olhar com o boy, apontou com o nariz na direção do sócio:
Tá ligado? Entendeu? Tá com ele viu!  

― Bandido legal. Cheguei! Talvez aqui seja o meu novo mundo, habitar este espaço infinito. Estou fazendo coisas que nunca fiz. Quanta gente diferente. A liberdade desenvolve outros valores, eu não sabia, cão de apartamento sofre pra burro. Hoje, andando com um bando de cachorrinhos estranhos, estou fazendo xixi no poste e cheirando rabo de vira-latas, sem complexos. Dou-me bem com todas as raças. Aqui é só alegria. A criançada se diverte muito com as minhas brincadeiras.
Cristiano arrasado entrou na internet e pôs o cachorro na rede.  Aquilo não poderia ser um roubo. Quem em sã consciência roubaria um Stafford? Foi sequestro! Logo o telefone vai chamar. Mas, não chamou. Foi roubo mesmo.
Lá no Violão, suponhamos, foram os dias mais felizes da vida do Zeca. Caiu na boemia, sem horário pra nada, tá na vida. Mas, tudo o que é bom acaba logo, a notícia de que a polícia havia localizado o cachorro chegou até Cristiano. Pelo Facebook o aviso geral: “Zeca voltando pra casa!!!!!! Polícia achou nosso cão, Brasil!”
O Facebook, verdadeiro rastreador via satélite, até a CIA usa o ‘ƒ’, espalhou a notícia como se o Zeca tivesse em seu corpo um chip bovino da Ceitec.
A rotina na vida do Zé voltou à normalidade. O dono emocionado diz ter reencontrado um filho. Zeca vai passar um tempo num “spa completo”, com “filé mignon” e “duas cachorras da mesma raça”, para recuperar o emocional.
― Que dureza, quem precisa de recuperação emocional, é o meu dono. Não quero spa, filé e duas cachorras da minha raça. Não sou preconceituoso. De hoje em diante, só a pretinha Candelária, pode resolver os meus problemas. O que passa lá na Aclimação não passa aqui no Monte Kemmel. Agora, eu quero saber quando é que o Cristiano vai me levar ao morro do Violão; preciso urgente, de umas ferias.
Ventura Picasso – Cia dos Blogueiros                                                                                                  2286 - Foto: f_102950.jpg - http://imagem.band.com.br/f_102950.jpg

4 comentários:

Célia Rangel disse...

ZECA... teve a vida que pediu a Deus - do - Cão... Caiu na "gandaia" mas acabou rapidinho... Foi dado o sinal de recolher... O que vai matar o Zeca agora é a saudade da boêmia toda rapidamente conquistada e subtraída! Ele faz planos para novos "sequestros amorosos"! É o cão essa vida de apê...
Bj. Célia.

Zilani Célia disse...

OI VENTURA !
SEI QUE PRIMAS EM TEU BLOG PELA LUTA CONTRA HIPOCRISIAS E PROBLEMAS SOCIAIS QUE MUITO NOS INDIGNAM, DAI
SEU VALOR INCONTESTO.
MAS, VENTURA, ME DEU UMA PENINHA DO ZÉCA, FIQUEI TÃO FELIZ POR TER SIDO ENCONTRADO, QUE DEI DESCONTO AOS EXAGEROS.
ABRÇS

zilanicelia.blogspot.com.br/
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Ventura Picasso disse...

É isso mesmo Célia;
O que acontece na vida do Zeca é que alguém determina o que é melhor para ele.
Entre muitos políticos e o povo é exatamente igual a vida do cão. O trabalhador precisa de estabilidade no trabalho, mas o político lhe dá uma dentadura. De que adianta os dentes para quem não tem o que comer?

Ventura Picasso disse...

Bom dia Zilani,
A violência entre humanos é autodestrutiva. Bem observado pelo lado (humano) emocional. O amor deve prevalecer.
Você é bondosa - permaneça sempre assim - esse olhar é de ouro.
abs - obg