7.8.26

Glória eterna a Lejeune Mirhan!

 Professor, sociólogo, escritor, militante comunista e um dos mais respeitados analistas brasileiros de geopolítica, Lejeune Mirhan deixa um legado de conhecimento, internacionalismo e luta pela soberania dos povos

Conteúdo postado por:Redação Brasil 247Redação Brasil 247Publicado em 6 de agosto de 2026 às 19:13Atualizado em 7 de agosto de 2026 às 05:21Apoie o 247

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247 – O Brasil perdeu nesta quinta-feira (6) um de seus mais importantes intelectuais dedicados à compreensão da política internacional e à defesa da soberania dos povos. Morreu, aos 69 anos, o professor, sociólogo, escritor, editor e analista geopolítico Lejeune Mirhan, comentarista do Bom Dia 247, apresentador do programa O Mundo como ele é, na TV 247, ao lado do jornalista José Reinaldo Carvalho, conselheiro do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), militante histórico do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), editor da Apparte e autor de dezenas de livros e cursos voltados ao estudo do marxismo, das religiões, da geopolítica e de grandes personagens da história mundial.

Lejeune estava internado havia algumas semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Madre Teodora, em Campinas (SP). Seu quadro vinha apresentando sinais de recuperação, mas, na tarde desta quinta-feira, sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.

Sua morte provoca profunda comoção entre familiares, amigos, companheiros de militância, leitores, alunos e telespectadores que, durante anos, acompanharam suas análises sempre marcadas pelo rigor teórico, pela clareza didática e pelo compromisso inabalável com a emancipação dos povos.

Um intelectual a serviço da transformação social

Mais do que um acadêmico, Lejeune Mirhan fez da produção do conhecimento uma forma de militância política. Professor universitário, sociólogo e polímata, dedicou décadas ao estudo do imperialismo, das relações internacionais, do Oriente Médio, do marxismo, da história dos povos árabes e das profundas transformações da ordem mundial.

Foi professor da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), presidiu por duas vezes o Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, entidade da qual foi um dos fundadores, e teve sua formação acadêmica profundamente marcada pelo sociólogo Florestan Fernandes, que orientou sua pesquisa de mestrado sobre o movimento estudantil brasileiro após 1968.

Ainda jovem, destacou-se como liderança estudantil na região de Campinas, tornando-se conhecido como “Lejeune Mato Grosso”.

Natural de Corumbá (MS), jamais perdeu os vínculos com sua cidade natal, onde pesquisou a imigração sírio-libanesa e a contribuição de sua própria família para a vida econômica, cultural e intelectual da região.

Um dos maiores analistas brasileiros de geopolítica

Depois da aposentadoria da carreira universitária, Lejeune ampliou sua atuação como analista internacional, tornando-se uma das vozes mais respeitadas do país nos debates sobre geopolítica.

Na TV 247, conquistou milhares de espectadores com suas participações diárias no Bom Dia 247 e no programa semanal O Mundo como ele é, apresentado ao lado de José Reinaldo Carvalho.

Sua interpretação da política internacional partia de uma sólida formação marxista, mas sempre apoiada em vasta pesquisa histórica e documental.

Estudioso da ascensão da China, das transformações na Eurásia e das mudanças nas relações internacionais, Lejeune sustentava que o sistema internacional já havia ingressado em uma etapa efetivamente multipolar.

Segundo José Reinaldo Carvalho, Lejeune “sustentou com firmeza e rigor científico que o mundo se tornou multipolar”, refutando “as falsas teses de que essa realidade ainda estaria distante ou seria resultado de uma longa transição que apenas começou”.

Também defendia o papel desempenhado por China, Rússia, Irã e outros países emergentes na reorganização da ordem internacional, manifestava apoio entusiasmado à Revolução Cubana e ao socialismo em Cuba e via no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma importante referência para a afirmação da soberania brasileira e da integração do Sul Global.

A luta anti-imperialista e a solidariedade internacional

Durante décadas, Lejeune participou de missões internacionais de solidariedade à Palestina e à Síria.

Conselheiro do Cebrapaz, foi um dos intelectuais brasileiros mais identificados com a causa palestina e denunciou continuamente a violência sofrida pelo povo palestino.

Sua obra intelectual sempre esteve ligada à defesa da autodeterminação dos povos, da paz, do direito internacional e da resistência ao imperialismo.

Autor de mais de uma dezena de livros — entre eles Atualidade da luta anti-imperialista — também fundou a Editora Apparte, responsável por parte significativa de sua produção editorial.

Além dos livros, produziu centenas de artigos e cursos de formação política sobre marxismo, religiões, geopolítica e grandes personagens da história, como Mao Zedong.

Mais de cinco décadas de militância comunista

Filiado ao Partido Comunista do Brasil durante aproximadamente cinco décadas, Lejeune jamais se afastou da militância política.

José Reinaldo Carvalho, editor internacional da TV 247, parceiro de mais de quarenta anos de luta política e companheiro de apresentação na TV 247, definiu sua morte como uma perda irreparável.

“É com profundo pesar e imensa tristeza que recebo a notícia do falecimento do querido camarada Professor Lejeune Mirhan. Sua partida deixa um vazio irreparável no cenário intelectual, acadêmico e político do Brasil. Os comunistas brasileiros lamentam profundamente o seu desaparecimento.”

Segundo José Reinaldo, Lejeune “não foi apenas um brilhante sociólogo e analista geopolítico; foi, acima de tudo, um defensor incansável da justiça social, dos direitos dos povos soberanos e da emancipação humana”.

Ele recordou que o amigo “desenvolveu argumentos sólidos sobre a luta anti-imperialista e pelo socialismo”, foi militante desde a juventude, líder estudantil e polemista que enfrentava “teses conciliadoras com as classes dominantes e o imperialismo”.

José Reinaldo lembrou ainda os mais de quarenta anos de convivência política nas fileiras do PCdoB e destacou o trabalho realizado nos últimos cinco anos no Brasil 247.

“Nos últimos cinco anos desenvolvemos um imenso trabalho jornalístico no site Brasil 247 e na TV 247, onde fazíamos com Leonardo Attuch o Bom Dia e o nosso programa semanal O Mundo como ele é, trincheira do conhecimento e da luta anti-imperialista.”

Também ressaltou que Lejeune foi “um defensor da causa palestina” e combateu o genocídio contra o povo palestino, deixando uma obra dedicada à libertação nacional e social dos povos.

A comoção no Brasil 247 e na imprensa progressista

O fundador do Brasil 247, Leonardo Attuch, afirmou que a morte de Lejeune representa uma perda pessoal e intelectual.

“Perdemos um amigo, colega e, sobretudo, um grande professor. Aprendi muito com ele todas as manhãs não apenas sobre a geopolítica mas sobre a importância de acreditar que um mundo melhor é possível. Glória eterna a Lejeune Mirhan.”

A diretora da TV 247, Dayane Santos, destacou seu papel como educador.

“Mais do que um estudioso, Lejeune foi um educador que acreditava no conhecimento como instrumento de transformação social. Sua dedicação ao debate público e à construção de um mundo mais justo e um país soberano e democrático deixa uma marca permanente na vida intelectual brasileira.”

Para Florestan Fernandes Jr., editor da TV 247, trata-se de um dia de profundo luto.

“Dia muito triste para nós da Redação do Brasil 247, para a nossa comunidade. Um grande intelectual, teve um papel importante como professor universitário. Era um militante comunista. Gostava muito dele. Tinha uma admiração imensa não só pelas ideias, mas pelo conhecimento. Entendia muito bem a geopolítica mundial.”

O editor da TV 247 Mario Vitor Santos resumiu a perda em poucas palavras:

“Companheiro indispensável, colega generoso, perda imensa.”

O editor do Diário do Centro do Mundo, Kiko Nogueira, destacou a coerência de sua trajetória.

“Lejeune fez da inteligência uma forma de militância e do conhecimento um compromisso com a transformação do mundo. Um dos intelectuais mais corajosos e coerentes do Brasil. Longa vida ao professor Lejeune.”

Já Renato Rovai, editor da revista Fórum, lembrou sua dedicação à causa palestina.

“Lejeune fará muita falta. Ele foi um intelectual orgânico da luta Palestina e das liberdades dos povos. Poucos tinham tanta capacidade para esses debates quanto ele.”

O jornalista e analista político Jeferson Miola ressaltou sua esperança permanente.

“Estou aqui, surpreso. Uma perda chocante. Uma voz dedicada à luta pela emancipação de todos os povos, na organização de um pensamento crítico, para interpretar as dinâmicas internacionais, o papel do imperialismo estadunidense no mundo, e o levante, as resistências nas lutas contra opressões, pela libertação. Era impressionante a alegria que ele tinha mesmo nos momentos mais duros. Sempre estava com a esperança em seu horizonte.”

O jornalista Marco Damiani ressaltou a postura revolucionária de Mirhan. “Minha solidariedade à família, aos amigos do professor Mirhan. A gente sabe o quanto é duro perder um camarada, companheiro, líder de qualidade, dedicado, exemplo de que é preciso ser duro na luta sem perder a ternura, sem perder alegria. O professor Mirhan foi exemplo desta postura, adequada para um revolucionário”.

“Um grande intelectual, tinha uma leitura de geopolítica como ninguém, extremamente qualificado, um grande quadro progressista, atuante. Uma imensa perda. O País fica sem um quadro intelectual muito relevante”, lamentou o jurista Pedro Serrano.

O ativista socioambiental e internacionalista Thiago Ávila ressaltou que “o professor Lejeune foi um grande educador do nosso tempo, porém, foi mais que isso. Escreveu dezenas de livros onde aliava densidade intelectual com uma didática impressionante que ajudava as pessoas a compreender os grandes desafios do nosso tempo. Nosso irmão compreendeu muito bem a tarefa histórica de nossa geração de acabar com o imperialismo e o sionismo e nunca tergiversou em sua trajetória. Deixará muitas saudades em tanta gente todas as manhãs, quando nos acostumamos a escutar Lejeune no Bom Dia 247 e em tantos outros programas. Toda solidariedade à família e às pessoas mais próximas. Lejeune, Presente hoje e sempre!”

Um legado que permanece

Ao longo de mais de cinco décadas de vida pública, Lejeune Mirhan ajudou a formar milhares de estudantes, militantes e leitores. Produziu livros, cursos, artigos, conferências e análises que se tornaram referência para a compreensão das transformações do sistema internacional e da luta dos povos por soberania, justiça social e emancipação.

Seu pensamento continuará presente nas páginas de seus livros, nas gravações de suas aulas, nos programas da TV 247 e na memória de todos aqueles que aprenderam com sua generosidade intelectual, sua disciplina de estudo e sua convicção de que a história é construída pela ação consciente dos povos.

Glória eterna a Lejeune Mirhan.

 

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